22.CAP.

Depois de algumas horas estressantes com horários e regras a se seguir, e que a maioria foi imposta por mim. Concluímos o contrato de locação do local da gravação do clip do astro. Me despedi dos dois homens e fui direto a mesa que Dragos já tinha deixado arrumada.

Sorvi o meu alimento perdida em meus pensamentos e já com a mente na próxima semana.

Algo me dizia que não deveria ter aceitado a oferta dada. Não era muito bom me familiarizar com humanos muito perto de mim de volta. E o ocorrido no meu quarto ainda pouco não me saia da mente.

Fora que ter pessoas entrando em minha casa com permissão me deixava apreensiva. Por que o intruso poderia facilmente entrar novamente.

— Dragos. Teremos pessoas circulando na casa na próxima semana. Eles freqüentaram o lado norte da mansão. Entrarão pela porta dos fundos do anfiteatro e irão direto para o salão de festas. Alguns quartos do segundo andar serão disponibilizados para a equipe do astro e prepare um para a nossa estrela. Não quero que eles tenham acesso nas outras dependências. Eu deixei isso bem claro aos cavalheiros que estiveram aqui. Mas sabe como celebridades são. São enxeridas. E isso pode custar caro a alguns. Eu disse sorvendo o ultimo gole em minha taça.

Dragos me escutou com atenção, mas eu podia ver em seus olhos indagações. Eu jamais tinha feito isso.

— Minha senhora. Acha prudente deixar isso acontecer? Se descontrolou ainda a pouco lá em cima. Dragos falou pegando e recolhendo as coisas na mesa.

— Sei que fui imprudente. Mas creio que eles não se cortaram daquela maneira. É só mais um clip qualquer de um artista maluco. E ficaram bem longe de mim. Eu disse me levantando e indo para a biblioteca.

Dragos me observou sair a passos firmes e me infiltrar nas sombras daquela mansão secular.

Mais uma noite de pesquisas seria feita. Mas uma visita não muito esperada surgiria.

Já era tarde da madrugada agora, só faltava algumas horas para o dia amanhecer quando escuto barulho sutil na sacada da biblioteca.

Me virei rapidamente e senti o ar. Um frio percorreu o meu corpo e pude sentir a presença já conhecida.

— Você voltou. É uma ousadia e imprudência da sua parte. Não me pegará mais desprevenida. Eu disse saindo rapidamente e me posicionando para sua espera.

Eu me lembrava das palavras de Michael em minha mente.

—“Você não é pariu para ele sozinha. Ele é mais velho e mais forte.”

Mas desta vez ele não me surpreenderia. Meus olhos brilharam na escuridão da biblioteca e meus caninos surgiram devagar.

— Não seja tola a este bom querida. Sei que sentiu a minha presença. Só desejo conversar. O ser falou pulando e ficando de pé diante da porta entreaberta.

Eu senti um ar antigo entrar em meus pulmões e achei que ele por mais que fosse quem fosse naquela hora ele não me feriria.

— O que deseja? O que quer afinal? Sei que faz parte de um passado apagado. Eu disse saindo das sombras e ficando em sua vista, mas com uma certa distancia dele.

Eu pude ver ele sorrir em minha direção e se encaminhar para dentro para perto da luz do abajur.

— Ele fez um bom trabalho. Lhe deixou sem saber não foi? Confesso que fiquei furioso com os seus atos. Mas nem tudo está perdido. Está tão bela como da ultima vez que a vi a séculos. Ele falou entrando de vagar e me espantei com sua aparência.

Eu dei um paço para trás em defesa e fui direto para trás da minha grosa mesa.

— Eu me lembro de você. Esteve em meus sonhos. Eu disse me lembrando do sonho do dia anterior.

— Me sinto lisonjeado por ainda habitar os seus sonhos e velhas recordações. É sinal que represento algo ainda a você. Ele disse dando a volta na sala e se sentando na poltrona a minha frente.

— Por que não me lembro de nada antes de acordar naquele cemitério? Audrey jamais me disse nada coerente. Disse que era meu tutor e depois criador. Mas sei que ele mentia. Eu disse me sentando do outro lado da mesa.

Eu notei ele me observar atento. E pareceu procurar em sua mente a minha resposta. Mas eu não podia confiar nele também.

Afinal eu tinha o ferido de uma forma que ele não gostou e por mais que os séculos passassem, ele pareceu não esquecer.

—É uma longa história. E cheia de mistérios também. Eu até hoje jamais encontrei outra igual. Uma anomalia da natureza ou uma rebeldia da mesma por sermos quem somos. Mas é única my layd. E a quero como queria no passado. Lamento por ter perdido todo este tempo nas sombras do esquecimento. Mas suas respostas estão em seu passado. As procure. Vai encontrá-las. Ele disse me observando ainda atento.

Notei que ele era enigmático e seu modo de falar ainda era antigo.

— Por que quis me possuir naquele dia que invadiu os meus domínios? E por que você e Michael parecem se conhecer muito bem? Eu falei o observando atenta.

— Por que por mais que não pareça minha querida. Ansiamos pela mesma coisa. Cada um com seus métodos diferentes. Eu sou mais objetivo. Ele é mais calculista. Podemos ariscas. Afinal somos imortais de uma certa forma. Mas não contávamos que descobriríamos algo que jamais sentimos. E a disputa sempre nos seduziu. Michael e eu somos velhos amigos. Sempre competindo para ver quem era o melhor. Mas creio que com você ambos perdemos. Até agora. Ele falou esboçando um sorriso arrasador.

— Não me agrada ser o troféu de ninguém. Só queria saber por que não me lembro de nada e por que me tornei isso que sou? Eu disse me irritando com ele.

— Vamos dizer que seu sangue é uma das safras mais raras e inebriantes que já existiu. Ele falou me olhando fixo agora.

— Não respondeu o que perguntei. Eu disse me aborrecendo com seus enigmas e rodeios.

— Pois bem. O ser que a criou lhe impôs o esquecimento de sua vida antes de se tornar uma de nós e a escondeu de mim. Não que eu tenha gostado disso. Eu precisava aprender melhor mesmo. Mas me tirou a chance de mostrar que a lenda poderia existir. Sei que ela pode. Mas aquele infeliz me roubou isso e seu coração. Confesso que fiquei um pouco revoltado e Audrey pagou por isso mais tarde quando o encontrei naquela viela se esbaldando naquela bela jovem. Mas ele a escondeu muito bem. E pelo que vejo lhe ensinou algumas coisas. Mas podemos mudar isso agora que a encontrei. Não precisamos nos destruir my layd. Você ainda é preciosa para mim. O ser falou sentindo o meu cheiro mais profundamente de onde estava e me olhou com seus olhos brilhantes.

Eu o escutei atentamente e com cautela. Ele parecia saber mais sobre mim mesma do que eu e parecia querer esclarecer. Mas eu sabia que tinha algo por detrás de suas palavras e uma intenção oculta nela se fazia presente.

— De que lenda fala? Eu disse me referindo a um trecho de seu discurso.

— De uma velha lenda surgida nos primórdios de nossa existência. Ela vem até antes de mim. E até antes de seu vampiro apaixonado. Ele não acreditou em mim quando disse que ela poderia ser feita. Que poderíamos tentar. Mas ele não quis ariscar. O ser falou parecendo se lembrar de algo em seu passado e parou.

—Por que não o fizeram? O que os impedia? Eu disse interessada na lenda.

O ser me olhou fixamente me deixando apreensiva.

— Se eu estive-se errado. A morte seria dolorosa e eminente. E não tínhamos garantia de que o que surgiria desse certo. Então ele a escondeu de mim. O ser falou se levantando rapidamente e olhando para porta da sacada.

— Mas enfim de que lenda fala? Eu disse me irritando com seu gesto.

— Agora tenho que ir. O dia se aproxima. E cuidado criança. Ele não é o que diz ser. Você pode me achar sem escrúpulos. Mas eu não menti a você naquele dia. O ser falou me fitando e saindo tão rápido que eu mal pude ver para onde ele foi.

Do que ele estava falando? De que dia ele se referia? Sai rapidamente dali atrás dele, mas notei que o amanhecer se iniciava.

E uma batida leve na porta se deu. E já sabia quem era.

continue….. Kisses in your hearts…..

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