By Jamy…..

33.CAP…Palavras Rudes…

Eu não sabia mais onde me colocar ou me direcionar. Eu tinha dado a ela amor carinho e até agora minha tão curta e rara compreensão. Ela estava grávida de mim e eu tinha noção daquilo.

 Mas eu ainda era um homem e tinha meus princípios. E não era agora que eu deixaria meu ponto de vista e coerência por conta do que ela era me deixar maluco.

Ela não tinha descido e nem mesmo tinha visto ela chamar Maria e tudo tava em completo silêncio. Eu sabia que devia ter escolhido melhor as palavras para expressar minha indignação diante do que acontecia agora, mas eu era o pai do filho dela.

Por que ela não disse apenas que não podia ir? Não. E ela não tinha feito isso.

Naquele momento que ela disse que era para Maria organizar algo para ele comer eu quase me rebelei ali. Onde ficava eu? Onde ficava ela e eu? Onde ficava nosso filho?

E aquela situação de estar tão perto dela mais ao mesmo tempo tão longe me deixou sem chão, sem vida por um momento sem sono sem ser apenas eu… Pela primeira vez tinha brigado com ela depois de nos acertarmos de vez e agora eu só queria saber como ela estava.

Tinha eu sido muito grosso com ela e rude?

Ora, eu só estava achando aquilo tudo um cumulo e ela ainda arrumava tudo aquilo na minha frente. Eu não queria jamais insinuar que ela estava tendo um caso com aquele cantor, muito menos que meu filho era dele, eu só estava querendo o que era meu ao meu lado.

Ela e meu filho.

— Senhor Mac Lany, eu deixei seu jantar no balcão é só esquentar. O senhor não compareceu assim como todos, então…

— Obrigado Maria, eu estou sem fome. Eu disse parado na frente da janela da sala de visitas.

Não vi Maria se aproximar, mas ela chegou ao meu lado e olhou para o jardim na linda noite fria agora e ficou ali. Por uns segundos ficamos calados e uma vontade de falar com alguém sobre o que estava passando em minha mente me foi maior.

— A senhora disse uma vez que se tivesse amor tudo daria certo. Mesmo tudo sendo difícil. Eu falei colocando minhas mãos no bolso sem olhá-la, as estrelas estavam brilhando lá fora, e lembrei dela.

Ela amava ver as estrelas e dizia que as via quando estava em meus braços. Eu fechei os olhos por um estante e lembrei da nossa loucura no estúdio horas atrás, e agora, ela estava como uma princesa sendo prisioneira da sua fama sem poder sair da torre.

É Jamy, você tinha se expressado mal.

— É verdadeiro rapaz, só não sabe lidar. Mas aprenda algo. Contra a carreira dela nem ela mesmo tem força para ir contra. Sei que sua mente paira a duvida se ela realmente o ama. Mas não pense nisso agora, apenas sinta. Ela precisa do senhor o seu filho também. Será difícil, mas nunca ninguém lhe disse que seria fácil. Maria disse abraçando a si mesmo quando passara um vento forte.

— Eu confio nela, não confio nele. E sei muito bem o que devo fazer em minhas condições de pai. E é protegê-los. Mas ela o deixando vir aqui, não facilita nada para mim. Eu falei olhando-a agora e ela me olhou também.

— Pois não me parece que saiba o que faz. Mesmo eu estando em outro andar ouvi os ecos de seus berros para com ela e isso é o que ela menos  precisa agora.  Está grávida, você a engravidou e agora ela sente-se sozinha e com medo. Não reconhece? Maria disse um pouco brava.

— Ela poderia reconhecer a minha posição também. Eu concordei com o anonimato, e não com um homem a babar em cima de minha mulher! Eu estou errado por querer que ela seja só minha, senhora? Estou? Eu falei me estressando novamente e notei Maria me olhar daquele jeito como minha mãe me olhava, e Deus, aquilo dava um receio no peito.

— Não precisa gritar senhor Mac Lany, eu o entendi, eu o entendo.  Maria falou cruzando os braços.

Eu desarmei minha posição de raiva e suspirei cansado, eu estava me estourando de novo. Eu passei as mãos no meu cabelo e olhei Maria com sinceridade. Alguém tinha que ver minha dor.

— Me perdoe senhora. Minhas humildes desculpas. Jamais deveria ter me exaltado desta forma. Perdão. Eu falei saindo dali de sua frente, ninguém podia entender o que eu estava passando.

— Deveria perdi perdão a ela. Está cometendo um erro a deixando assim. Não é certo! Maria falou esticando sua coluna e saindo dali para o seu quarto.

Eu tentei falar alguma coisa mais ela passou por mim seriamente me deixando mais para baixo. Eu a tinha magoado, e tinha entendido que diante dela e do meu filho, minhas vontades eram nada mais nada menos que meros sentidos figurados e tinha que passar por cima de mim mesmo, para continuar tendo-a.

Aquilo me deixou triste.

Eu fui para meu quarto tirando meu paletó enquanto caminhava pelo corredor. Minha mente estava nela e no que estava fazendo. Tomei um banho breve e vesti uma roupa de dormir e sentei-me na cama. Abri um livro que tinha ali na mesinha ao lado, mas era sobre romance.

E eu lembrava dela. 

Eu fechei o livro e o joguei na parede e tapei meu rosto com minhas duas mãos. Virei-me de lado para janela e só pude ouvir o sussurrar de sua voz em sua linda musica que eu gostava. Desejando algo e pedindo algo das estrelas. Ela tinha aquela mágica nela.

Eu amava seu sorriso eu amava sua voz doce ao meu ouvido e desejava agora que ela cantasse para mim uma de suas canções fazendo carinho em meu peito achando que eu estava dormindo. Eu sempre ouvia a mesma musica que ela cantava para mim.

Deus, como sentia falta dela agora.

Levantei-me da cama e fechei a janela para tentar dormir, mas fora quando ouvi uns passos em cima e uma porta bater com força que tinha certeza que ela havia saído do ultimo andar agora e indo para o seu quarto. Eu abri a porta do meu quarto e sai correndo para as escadas e as subi de dois em dois degraus. 

Ela tinha que falar comigo e tinha que me explicar melhor. Eu continuei correndo até seu andar. Quando no fim do corredor a vi dobrar andando devagar parecendo triste, eu a chamei em sussurros mais ela não me ouviu e quando cheguei a sua porta, estava fechada e trancada.

Me afastei da porta por que um silencio se fazia lá dentro, então ela tinha se recolhido. Mas foi um fleche da lanterna dos seguranças lá fora que me fez abaixar e sair correndo novamente como um ladrão em fuga e desci as escadas quase torcendo os pés de tanto correr.

E quando fechei a porta do meu quarto novamente, cansado olhando para o teto constatei que aquela noite eu não a terei e minha cama grande e fria seria a minha noite mais terrível de todas.

O despertador gritou logo cedo e eu levantei cambaleando, rapidamente tomei um banho e arrumei-me. Maria já estava lá e Alex também e notei seus olhos estranho para mim, mas despertei para todos ali presentes quando Alex me disse bom dia.

— Bom dia Alex, bom dia a todos. Eu falei puxando a cadeira e notando o silencio de todos eles.

Eles me cumprimentaram e Maria não se dirigiu a mim como todas às vezes. E notei que só ficou Alex ali comigo e esperei-o e suas indagações. Ela não tinha ligado, ela não tinha nem mesmo chamado Maria para levar seu café ou perguntar por mim.

E aquilo me feriu o coração.

— Brigaram? É por conta do astro não? Olha, ele não é nada para ela, ele é apenas amigo. Se você for por esse caminho, conhecerá o lado mais ruim dela. Alex falou comendo seu bacon e olhando para mim.

— E o que sabe sobre eles dois? Eu falei virando para olhá-lo melhor e vi Alex quase entalar-se com seu café da manha.

— Eu! Alex falou tomando suco e me olhando agoniado.

— É você mesmo, está com ela quanto tempo? Cinco anos? Eu falei parecendo impaciente e Alex notou isso.

— Jamy olha, eu estou com ela desde o inicio, e só posso lhe dizer que eram muito amigos, na verdade são. Alex levantou e foi quando vi os olhos de Maria reprovadores para mim.

— Há quanto tempo eles não saem juntos? Falei alto e claro, e levantei da cadeira.

Maria parou de enxugar os pratos e me olhou feio e Alex parecia sem saber como me dar aquela resposta, mas eles sabiam que mentir para mim seria pior.

— Mais de dois anos. Agora pare com isso Mac Lany, não sou fofoqueiro. Com licença! Alex passou por mim furioso e eu respirei fundo e o acompanhei.

Maria ficou ali com seus olhos fulminando a mim e minha vontade de saber o passado de Dora, eu desejava saber por que aquele cantor gostava tanto dela, e sabia que não era para comer pipoca que ele a queria por perto, e era isso que me deixava bravo.

Chegamos ao holl e quando ia perguntar de Alex se ela tinha comido algo ou mesmo descido daquele quarto, ouvimos a voz de Roger vindo da escada e meu coração foi a mil quando a vi ali ao lado dele.

— Bom dia meus queridos. Hoje é o dia! Roger disse descendo a escada segurando a mão de Dora que estava de óculos escuros chapéu lardo e um vestido preto colado em seu corpo.

E aquilo não me agradou.

— Bom dia Roger, senhorita Reis. Alex disse me olhando rapidamente e passou por mim como se ainda estivesse chateado comigo.

— Bom dia Alex, eu quero meu carro agora e chame Jacks. Mac Lany, por favor, organize nossa pequena comitiva eu e Roger vamos as compras, eu quero sair antes que Pool chegue. Hoje não estou com paciência. Ela disse mexendo em seus óculos e passando por mim.

— Mas minha diva, disse que comeria algo. Não faz bem para o bebê! Roger disse em um tom baixo, mas eu ouvi e esperei Alex sair de perto de nós e falei com ela.

— Dora, o que está fazendo? Não preparei um plano para sairmos, não me avisou, e precisa se alimentar. Eu disse parando em sua frente e ela parecia não se importar com minha presença ali e Roger ao seu lado me olhava sem parar.

Ela suspirou contrariada.

— Por favor Roger, diga ao meu guarda costas que ele não tem posição nenhuma de me cobrar nada. Ela falou saindo da minha frente e antes que ela fosse embora, eu segurei em seu braço.

— Não torne as coisas difíceis Dora. Eu falei perto de seu ouvido e ela em fim me encarou.

— Você tornou isso difícil quando abriu sua boca falando asneiras, agora me solte por que aqui agora, é apenas um segurança como todos os outros. Vamos Roger! Ela disse tirando seu braço da minha mão rispidamente e berrando o nome de Roger.

Ele foi como um poodle saltitante atrás dela e eu coloquei meus óculos pedindo forças divinas para eu conseguir passar aquele dia com ela e assim seguiu aquela rixa dela comigo.

Ela estava determinada, e com aquilo, eu como seu empregado só a obedeci mesmo querendo a tirar dali e resolver aquela situação de uma vez por todas.  Pedi que os seguranças mais fieis e experientes viessem conosco para sua manha de compras com seu amigo serelepe.

Dois carros como de sempre era usado para saída dela. E de um ato que para mim seria o mais doloroso, ela não me quis dentro do carro, fiquei com Jacks lá na parte de frente enquanto ela Roger e Alex estavam lá atrás. Me senti humilhado e triste, mas ela jamais veria alguma tristeza de minha parte.

Descei do carro e abri a porta para ela que passou como se mal me conhecesse. Roger me olhava em segredo todo o tempo e Alex mal podia comentar alguma coisa comigo, e pensando bem, eu não os queria ali envolvidos nos nossos problemas. Mesmo eu sabendo que Maria Roger e Alex sabiam sobre a minha revolta pelo seu jantar com o astro.

O clima ficou estranho e eu como um fantasma, uma sombra ao lado dela segui fazendo o que estava ali para fazer. Algumas pessoas a pararam e ela deu autógrafos e tirou algumas fotos. Ele era bastante profissional, mas eu a conhecia e via o quanto eu a tinha magoado.

Analisando o local notei que ainda por ser cedo ainda tínhamos alguns minutos ainda como anônimos e isso daria uma boa chance de levá-la para casa sem ter problemas. Ela entrou em uma loja de joias e eu e Alex seguimos para lá. Ela andava rápido com aquele amigo falador dela e às vezes a perdia de vista.

Alex fez um sinal que ficaria ali fora e eu concordei movendo a cabeça e entrei na loja. Algumas senhoras e senhoritas me olharam de imediato e quando a olhei estava ela e Roger de braços cruzados me olhando feio, ora, elas ali notavam que eu não era um marido a procurar de um anel para esposa.

Eu era um segurança.

Dora continuou vendo algumas peças que lhe agradavam e tirei meus óculos para vê-la melhor. Estava linda com aquela roupa, óculos e chapéu e com seu casaco agora, guardava o que nos denunciaria ali. Meu filho. Percebi que a compra estava indo bem e como notei sua forma arredia a mim e os olhos de Roger pendido que eu saísse, assim o fiz.

Fiquei lá na porta da loja junto com Alex e sempre de olho nela eu a observava de fora e como ali era maior parte de vidraças eu via seu movimento na loja e tinha notado agora o quanto seu vestido era curto.

— Tenha calma, ela melhora depois. Dê um tempo para ela Mac Lany. Alex disse olhando para as pessoas que passavam por nós e notei que já tinham bastante ali.

— Eu sei. – Suspirei sentindo falta dela e no mesmo momento, seus olhos vieram de contra os meus enquanto ela experimentava um brinco— Fui incompreensivo com ela. Reconheço!

E continuei conversando com Alex normalmente e disse a ele que era hora de irmos. E foi quando a vi lá dentro e algo me assustou por completo. Dora segurou-se na beira da mesa e abaixou a cabeça. Roger a amparou preocupado e uma atendente já vinha com um copo de água.

Adentrei a loja rapidamente e fui até fazendo todos me olharem assustados, mas ela me assustava passando mal daquele jeito. Quando chegue perto, ela tentou disfarçar e Roger desconcertado pagou a moça do caixa que olhava para Dora intrigada.

— Você está bem? Eu falei quase a abraçando e notei que mesmo ela de óculos e chapéu ela estava tonta e mal se aguentava em pé.

— Perfeitamente bem, desejo ir para minha casa agora.  Ela disse segurando-se em meus braços, mas em um relance saiu de perto de mim e seguiu andando como se nada pudesse atingi-la.

Com um sinal para Roger ele se fez de desentendido e me estressei com aquilo. Ela não queria mais falar comigo, ela nem me queria perto. O que era isso agora?

Eu tirei meus óculos e fui seguindo atrás dela vendo Alex a escoltar e chamei todos os seguranças para irmos embora dali. Ela estava ficando estranha e não me parecia bem.

Os carros já vinham em nossa direção e aprecei meus passos para abrir a porta para ela. Eu abri a porta e Jacks parou o carro de vez e eu ergui minha mão para ela pegar e assim subir no carro e entrar.

E foi ali que meu susto fora o maior de toda minha vida.

Dora pegou minha mão sem me olhar e senti suas mãos geladas como gelo, eu apertei seus dedos em minha mão e ela levantou sua face para me olhar, e sem eu poder evitar nada, Dora tombou para trás caindo com tudo e só tive tempo de colocar minha mão em sua cabeça para que não a batesse no chão, ela caiu desmaiando em pleno estacionamento me deixando em total pânico.

— Senhorita Reis?  Eu falei a olhando em meus braços

— MINHA DIVA! Roger gritou vindo até ela e se ajoelhou ao meu lado.

— Dora fale comigo! O que está sentindo? Por favor, não faça isso comigo. Dora! Eu falei tirando seu chapéu e óculos de sua face e vendo o quanto pálida estava.

Gelada e muito branca, ela não estava nada bem.

— Ela desmaiou, façam algo, ela esta mal! Oh meu Deus, Jamy faça algo.  Roger disse pegando sua mão e sacolejando na tentativa de acordá-la.

Eu não sabia o que fazer com ela e um desespero tomou conta de mim, vê-la gelada daquele jeito me assustou tanto que fiquei sem saber como agir pela primeira vez em campo de trabalho e uma vontade de gritar me veio a garganta quando vi que ela não acordava.

— Mac Lany, o que houve? Alex disse me olhando mais que assustado e não soube dizer.

E antes que eu conseguisse colocar as ideias no lugar Alex a tirou dos meus braços e eu me levantei e Roger junto, a colocamos no carro. Em total desespero eu tinha deixado nosso plano de lado e tinha deixado o anonimato também.

Alex colocou ela deitada no sofá do carro e disse que tínhamos que segui para um hospital mais próximo, mas a casa era mais próxima e lá seria mais fácil tratar dela chamando seu medico.

— Jacks, hospital! Alex disse olhando em seu relógio e segurando o pulso dela.

— Não. Vamos para a mansão. É mais perto Alex e está um transito terrível, não podemos esperar. Eu falei atormentado com a ideia de ser algo pior ali.

— Oh meu Deus! Decidam-se, ela sofre. Esqueceram do real estado dela? Dora está plena, e temos duas vidas aqui. Então hajam agora! Roger disse aos berros e indo até ela.

— Jamy é uma emergência. Alex disse me encarando sério.

— Estamos a quatro quilômetros mais perto da mansão e não vou arriscar a vida dela e do meu filho indo a um hospital onde a mídia esta lá. Vamos para a mansão agora! E já ligue para o médico dela. Eu disse me aborrecendo com ele de vez.

E foi quando o carro arrancou cantando pneu e pude ver alguns flash para dentro do carro, os paparazzi estavam ali e aquilo me renderia grandes dores de cabeça.

Alex me encarando furioso pegou seu celular e ligou para o médico dela que com certeza quando chegássemos já estaria lá. Roger não parava de chorar e aquilo me desesperava mais ainda. Eu não sabia como ficar e agir eu não sabia se podia tocá-la. Deus me ajude.

Inesperadamente Dora gemeu no banco do carro e virou-se de lado tocando em sua barriga, aquilo só me mostrava que algo estava de errado com o bebê e sem poder conter meu instinto, eu tirei Alex de perto dela aos sopapos e peguei seu lindo rosto e o olhei de perto.

— Dora, onde dói? Dora fale comigo! Eu falei sacolejando sua cabeça e notei que sua testa estava molhada.

Ela estava tendo calafrios.

— É algo com o bebê! Roger tapou sua boca e sentou-se longe chorando ainda mais.

Eu olhei para Alex e para Roger com os olhos em lagrimas por que era o que parecia. Mas tudo menos aquilo.

— Não, não isso não. Não pode ser. Deus, não deixa que algo aconteça com eles. Dora! Abre os olhos fala comigo! Eu falei colando sua testa na minha e senti uma lagrima insistente brotar dos meus olhos.

Um silêncio se fez no carro e eu fiquei ali colado com ela sem temer alguém ver ou até mesmo Jacks ter suas conclusões. Houve um momento que ela gemeu novamente e Roger tinha razão, ela apertava sua barriga e se curvava na tentativa de parar a dor.

A imagem de perder ela e meu filho se fez na minha mente para me deixar com mais medo. E logo que chegamos a peguei no colo e esperei Alex abrir a porta. Roger saiu correndo alarmando tudo e a todos e sai com ela em meus braços com todo o cuidado possível e Alex vinha atrás.

O carro do doutor já estava ali e quando coloquei meus pés dentro da casa senhor Marker e senhor Millher já estavam vindo em minha direção e seus olhos eram aterradores. Roger resmungava chorando perto de Maria que tinha sua mão no peito e olhos marejados.

— Dora! O que houve com minha menina Jamy? O que houve aqui? Oh Deus Dora! Ela está tão gelada. Senhor Marker gritou vindo até ela e pegou sua mão beijou e colocou em seu rosto.

Se Dora visse o quanto ele almejava e a amava, ela seria menos mal criada com ele.

— O que houve com ela senhores? O médico disse passando a mão na testa dela enquanto ela ainda estava no meu colo.

— Ela… Eu não…  Estávamos voltando de suas compras….Eu fiz uma pausa, eu tinha um nó na garganta.

— A senhorita Reis desmaiou bem em nossa frente no estacionamento do shopping e a trouxemos para cá. Mas creio que deveríamos ter a levado para um hospital. Alex disse me olhando agora e eu a arrumei melhor em meus braços.

— É Pool, ela apenas caiu. Mas eu sei que está deprimida e triste. Minha Diva tem algo Pool, ela não é assim de desanimada todo o tempo. Roger disse segurando seu coração de tanto choro.

— Ela também não comeu nada nem ontem nem hoje senhor Pool. Eu não sei o que fazer quando ela age assim. Maria falou limpando suas lagrimas.

Eu a olhava todo o tempo em meus braços enquanto o médico fazia uma breve avaliação nela. Ele tocou em sua barriga e ela novamente reclamou de dor, e para o susto e olhos intrigados de todos, Dora abraçou-me e encostou seu rosto no meu peito e adormeceu novamente. Aquilo era tudo o que não queríamos agora. E agora, estava na cara.

— E preciso levá-la ao seu quarto. Eu falei temendo eles terem notado o que tinha acontecido ali e sai subindo as escadas com ela novamente.

Dora mal respirava forte em meus braços e aquilo me deixava mais que nervoso. Suas mãos estavam fechadas agarradas e meu paletó e aquilo mostrava a mim que jamais a deveria ter deixado naquele quarto ontem a noite.

O que ela tinha feito?

— Na cama, rápido! O médico disse atrás de mim.

Eu a coloquei na cama e todos vinha atrás falando alto e discutindo. Senhor Marker queria saber por que ela tinha ficado daquele jeito e se eram seus remédios. Roger disse que não era aquilo e insistia dizendo que era apenas o seu mal estar e sua tristeza repentina que ela tinha e agradeci a ele que não tivesse dito que era por minha causa.

 O doutor me afastou da cama e apreensivo eu assisti ele a examinar e quando ele subiu seu vestido e começou a tocar em sua barriga amassando-a ao ponto dela reclamar novamente aquilo me deixou apavorado.

— O que está fazendo? Está a machucando! Eu falei indo até ele, mas no meio do caminho Alex me puxou.

Eu notei senhor Marker Maria e Roger me olharem fixo e eu controlei meu gênio naquele estante. Senhor Marker não era tolo, e ele tinha entendido algo ali, e mesmo que fosse o que ela não queria, eu a protegeria de tudo e de todos.

— Não estou a machucando, só verificando se na queda ela não machucou seu ventre. Agora preciso de privacidade aqui. O medico disse tirando uns travesseiros ao redor dela depois de me encarar.

Eu olhei para Maria e Roger pedindo que ficasse e eles fizeram um sinal para eu ir com Alex. Mesmo que em meus olhos o medo estivesse presente eu entendia que ela precisava ser examinada e até mesmo levada para fora dali.

— Todos esperem lá fora. Ficará eu e Maria aqui. Senhor Marker disse passando as mãos na cabeça e andando de um lado para o outro.

Eu não queria deixá-la.

— Jamy, vamos! Alex disse me chamando, e eu não sai do lugar.

Ela precisava de mim, estava ali toda indefesa e eu via sua barriga um pouco grande agora e aquilo partiu meu coração. Seja lá o que tinha acontecido com ela e se tivesse feito algo com o bebê eu mesmo me mataria. E aquele pensamento horrível parou em meus olhos. Roger notou meu jeito irredutível ali e veio até mim. Ele me levou até a porta e eu sem tirar os olhos dela sai do quarto querendo ficar

— Me deixe ficar com ela, por favor! Eu falei contendo minhas emoções e Roger parecia se compadecer de mim.

— Agora não lindinho, agora não. Ela vai ficar bem, você lá dentro só atrapalhará tudo. Já se olhou no espelho, está pálido e nervoso. Tente se acalmar. Roger falou me empurrando de leve para mais longe da porta fechada agora.

— Ela precisa de mim… Eu falei serrando meus lábios para aguentar um choro que vinha do fundo da minha garganta e não sabia como aquilo e aquele sentimento me pegava agora.

Eu ia chorar!

— Oh querido, tenha calma! Ajude-nos agora. Vá com Alex. Roger falou tentando me acalmar e quando eu olhei os olhos dele, ele me passou raiva e aquilo não gostei de ver.

— O que há agora? Eu falei sem entender seus olhos furiosos a mim.

— É tudo sua culpa. Não tem noção de como ela pode fica triste e deprimida? Não queremos que ela volte aqueles dias. Ela está grávida e de você Jamy, onde fica seu senso de responsabilidade e de pai? Alex disse tudo aquilo sem tirar os olhos de mim.

— Como é? O que está falando? Eu falei saindo de perto de Roger e indo o encarar.

— Hei, meninos parem! Roger falou com sua voz tremula temendo algo pior ali.

— É sua culpa ela estar assim. Se for para fazer essa montanha russa na vida dela, você deveria deixá-la. Alex falou articulando em minha frente e a raiva subiu em meus olhos.

Eu fui até ele e agarrei sua gola e ele segurou a minha também. Eu taquei Alex na parede olhando furioso.

— Repete o que disse, repete se for homem! Repete a parte que diz que não sei ser pai! Eu falei apertando sua gola gritando com ele mostrando toda minha raiva.

— Oh meu Deus! Parem com isso já! Roger disse segurando-me e eu tirei suas mãos de mim.

Eu voltei a Alex e o encarei bem no fundo dos olhos. Um emaranhado de sentimentos se passou pela minha mente e eu não podia fazer aquilo com ele. Ele era meu amigo só estava assustado como eu, e lhe bofetear a face não me renderia em nada.

— Me solte Mac Lany, ou verá um lado meu que ainda não conhece! Alex disse apertando minha mão que estavam em sua gola de paletó.

— Você nunca mais volte a mencionar minha posição de pai para com ela. Você não está no meu lugar, você não a tem. Jamais volte a se referir a mim e ao meu filho desta forma. Por que no mundo, não há alguém que mais preze pela segurança deles. Você pensa que me conhece Alex, mas não sabe nada de mim! Eu falei soltando o com rispidez e olhei para ele por uns segundos 

Eu via que ele tinha baixado a guarda e Roger notou que eu não faria nada mais. Eu desci as escadas rapidamente e sumi da vista de todos e os deixei ali com suas indagações e julgamentos sobre mim.

Ninguém me entendia, ninguém ficava um pouco ao meu lado para saber como me sentia. Se você verdadeiramente amasse uma pessoa e ela tivesse a vida que Dora tinha, era sempre esse inferno em sua mente. Eles não sabiam nada sobre mim. Eles não sabiam nada sobre meu filho.

E depois da morte dos meus pais, depois de quinze anos da minha vida sozinho sem eles, eu entrei no quarto batendo a porta e chorei. Eu apenas chorei no canto da parede. Era feio um homem chorar? Eu não sabia mais, eu só sabia que eu estava desabafando todo o meu medo de perdê-los.

E em um momento de tristeza maior, voltei a crer em algo que tinha deixado para trás junto com a morte deles. A força de uma reza e um pedido divino. Éramos muito católicos quando mamãe era viva e acreditava que alguém grandioso tinha feito tudo o que conhecíamos e até nós.

Mas eu tinha parado de crer no maior, e em lagrimas fiz um pedido com a minha alma. Deus não podia permitir aquilo e eu não podia perdê-la para uma briga qualquer e foi ali no um quarto ouvindo meu comunicador que passei todo o dia esperando eles todos se irem.

Eu estava sentando na cadeira perto da janela quando ouvi no radio dizerem que iam abrir os portão para o senhor Perteson e Marker saírem da mansão e me levantei rápido, eu fui ao banheiro me olhei no espelho e minha face parecia que eu tinha tomado todas em um bar.

Abri a torneira e molhei minhas mãos com água e passei em meus cabelos e sai dali às pressas e quando cheguei no corredor a casa, ela toda estava escura, e foi quando olhei enfim o horário, eram mais de meia noite. E eu tinha ficado todo aquele tempo ali pensando nela.

E notei o quanto eu a amava.

Eu subi as escadas devagar e fugi das luzes que vinham de fora da casa. Eles não tinham vindo até mim, eles tinham me castigado sem me dar noticias e aquilo foi a pior coisa que eles poderiam ter feito. E também, não sai do quarto para não encarar senhor Marker e suas indagações. Eu faria uma merda qualquer ali.

Cheguei em sua porta e girei a maçaneta, estava aberta e meu coração pulou de alegria por tal coisa. Eu a veria enfim. Antes de entrar, olhei para os lados e certifiquei-me que estava apenas eu ali e então entrei.

E lá estava ela deitada no meio de sua cama com apenas um fosco de luz de seu abajur, e em todo o quarto em total breu. Seus cabelos longos estavam espalhados pelo travesseiro e seu lindo corpo de pele branca e alva tão limpa, estava ali coberto por um lindo edredom.

Ela estava linda como nunca.

Fui caminhando até ela e tirei meu paletó e coloquei na cadeira que com certeza era o senhor Marker que tinha sentado ali todo o dia. E voltei a olhar a coisa mais importante da minha vida agora.

Sentei-me ao seu lado e toquei em seu rosto com vagareza para que ela não acordasse e não resisti em me aproximar mais. Eu subi na cama e me ajoelhei diante dela e levei minhas mãos a sua barriga.

E uma vontade de chorar me invadiu a garganta.

Eu respirei fundo e me controlei diante dela e calmamente abracei seu ventre sentindo-me um menino assustado e beijei sua barriga varias vezes e sem querer a apertei em um abraço medroso e com todo o meu amor e foi quando senti seu suave toque em meus cabelos.

— Jamy… Ela sussurrou meu nome e eu levantei minha cabeça para vê-la.

— Dora! Você acordou? Como se sente? Eu falei subindo em seu corpo e a beijando com carinho.

— O que faz aqui? Todos o verão, saia. Ela disse ainda fraca e parecendo estar brava comigo.

— Não. Não me mande sair, por favor, temi perdê-la e meu filho também. Apenas me desculpe. Ok? Eu falei passando minhas mãos em seu ventre e ela me olhou calada.

— Você não sabe viver em meu mundo, você não entende. Ela disse ainda baixinho, seus lábios tão encantadores estavam perto dos meus agora.

— Eu fui um tolo, eu não agi em sã consciência. Eu quase morri quando passou mal em meus braços, eu morri de medo de perdê-la. Eu falei tocando em seu rosto com minhas duas mãos.

Dora segurou minhas mãos e se afastou meu rosto do dela.

— Você gritou comigo, você me deixou sozinha nisso Jamy, não era isso que tinha me prometido. Ela disse com seus olhos brilhantes agora e aquilo cortou meu coração.

— Eu não a deixei, eu nunca farei isso. Só entende meu lado um pouco? Eu não posso suportar ele perto de você é difícil para mim Dora. Desculpe-me? Eu falei tocando em seus cabelos agora e ela fechou os olhos sentindo o carinho.

Ela suspirou elevando seu peito e finalmente tocou no meu rosto.

— Eu senti tanta sua falta. Ela disse emocionada agora e eu me senti um monstro como nunca na vida.

— Por favor, não chore, irei me sentir pior. Só me perdoe e diga que me ama. Eu não posso viver sem você Dora. Eu falei beijando-a varias vezes nos lábios e ela me abraçou com seu pequeno corpo quente e eu me embriaguei em seu aroma que só ela tinha.

— Eu amo você. Ela disse abrindo suas pernas e eu pude deitar nela agora melhor.

— Eu a amo muito mais. Eu falei beijando-a com todos os sentimentos possíveis de se sentir.

Eu fiquei abraçado a ela por um bom tempo. Com medo, com pavor, com amor, eu só tinha medo de perdê-la para qualquer um ali e eu não deixaria aquilo. Eu tinha que me controlar mais, mas ela sabia como eu era. E ali conversando ela me lembrou que ainda tinha a vinda do sujeito.

Não mostrei a ela meu desagrado e apenas fiquei calado.

Não teve como amá-la naquela noite, eu tinha medo de machucá-la e vi que aquilo tinha a estressado. Dora era fogosa e muito especial nesses quesitos e sua essência de mulher sempre aflorava quando juntos e sozinhos estávamos, mas relutantemente ela acabou dormindo em meus braços. E desejei que aquela madrugada com ela e meu filho perto de mim em meus braços, fosse a mais eterna possível. Eu os tinha de novo e os protegeria até contra mim mesmo agora.

Eu só era um homem apaixonado, eu tinha consciência disso.

Continue….. Kisses in your hearts….

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