19.CAP.

Subi até o meu quarto me troquei e encarei a porta da sacada arrebentada. Como ele entrou aqui sem ser convidado?

Isso era estranho. Se Dragos convidou erroneamente o intruso para entrar era uma justificativa a sua invasão.

Mas como este entrou aqui? Eu precisava descobrir e logo. Detestava ficar nas sombras sem saber.

Mas hoje o vampiro da vez era o tal Dimitre.

Peguei a minha espada de longa data e desci as escadas, a noite ainda era longa e eu tinha algum tempo.

Andar pelas ruelas e ruas desta cidade a noite era fácil, o esquisito não chamava tanta atenção.

— Vai sair senhora? Dragos falou me vendo pegar as chaves do carro.

— Sim. Não vou demorar. Vou ver se descubro algo do nosso convidado indesejável. Eu disse passando por ele e indo em direção ao meu carro.

—Logo ao alvorecer as pessoas responsáveis pelo concerto dos estragos em seu quarto virão. Eu os investiguei primeiro. E eu vou arrumar o quarto de hospedes do lado do seu para quando chegar. Vou colocar as cortinas extras assim ficara segura. Ele falou me olhando ainda com receio.

— Faça como desejar. Tomara que não sejam tão barulhentos. Não sou boa coisa com insônia. Mas farei o possível para não morder ninguém. Afinal preciso que consertem os estragos. Eu falei abrindo a porta da saída.

— Pedirei o máximo de silencio senhora. Dragos falou ainda do mesmo jeito.

Eu podia ver em seu pescoço as marcas do meu desagrado. Ele havia aprendido a lição como tinha imaginado.

— Fico feliz com isso. Há! Dragos. Reveja a adega. Creio que tivemos uma grande consumição em nossos estoques na noite passada. E detestaria ter que caçar. Eu disse antes de cruzar a porta de saída.

— Vou providenciar a reposição senhora. O ser que esteve aqui levou algumas garrafas. Ele estava mesmo com sede. Dragos falou parecendo intrigado com o ser que me reteve em seus braços.

— Sim. Creio que sim. Faça o que tem que ser feito. Volto logo. Eu disse saindo em direção ao meu carro entrando e partindo.

O frio da noite não me fazia efeito. Até amava ele tocar o meu rosto com uma certa agressividade.

Fui dirigindo de encontro a cidade que ele poderia estar e perdida em meus pensamentos.

Quando cheguei estacionei nos fundos do terminal de bondes desativados que fica o museu Bergamot Station e Santa Monica of Art. Um complexo de vinte metros quadrados de pura art. E imaginei que ali não seria notada.

Tranqueio e fui em direção a Third Street Promenade. Ali tinha a maioria dos hotéis e bons restaurantes. Não que o ser fosse comer neles. Mas se hospedar e tentar ser como os humanos, isso ele poderia fazer.

Em quatro quarteirões só circulam pedestres, ele poderia estar enfim neles. O ser não tinha os mesmo meios como eu de me alimentar, então certas vitimas iriam aparecer longe de onde eu estava.

O calçadão era lotado de lojas de grife famosas. Como  Guess, Adidas e Nike. E temi que aquele infeliz atacasse uma das celebridades ou pessoa rica que andava sem noção por ali e chamasse a atenção desnecessária das autoridades.

Uma vítima comum entre as pessoas malucas que habitavam aquela cidade não levantaria muitas suspeitas. Mas uma celebridade ou político, isso era ruim.

E se ele agisse feito a sua criação. Ele seria um vampiro desleixado e perigoso. Afinal ele sabia como evitar aquilo, mas não faria pelo que notei.

Apertei mais a minha jaqueta e fui andando. O meu sobre tudo escondia a espada reluzente e afiada. Apesar de ser uma cidade litorânea Santa Monica não era tão quente de madrugada. Apesar de eu amar mais Santa Barbara.

Fui procurando rastros de sua passagem. Entrei em alguns becos e ruelas mais escuras. Subi nos altos dos prédios a sua procura. Mas só encontrava prostituas fazendo seu trabalho, bêbados e drogados.

Alguns mortos seriam encontrados naquela noite nos becos. Mas não tinha sido obra de quem eu procurava.

— Droga! A onde você está? Eu respirei mais fundo para poder sentir a sua presença e nada se tinha em vista.

Frustrada e zangada desci do ultimo prédio que subi, já ia me dirigindo ao meu carro e voltaria para casa antes do sol nascer. Apesar que ainda tinha muito tempo para isso.

Mas quando dobro o último quarteirão dou de cara com alguém que me surpreendeu.

— Olá. O que faz aqui perdida e sozinha? O homem a minha frente com um agasalho que continha um capuz óculos escuro máscara e um boné falou me retendo em seus braços.

Eu o olhei assustada. Estar daquela forma em plena madrugada só poderia ser o maluco astro que insistia que minha casa era o melhor cenário para o seu novo clip.

Eu reconheceria aquele perfume a milhas de distancia e notei que o ser que esteve em meus braços ontem, exalava o mesmo cheiro.

— Olá senhor Jackson. Eu que pergunto. O que faz a esta hora da madruga em Santa Monica e com este disfarce ridículo? Acha que não será reconhecido! Eu disse me soltando dos seus braços e olhando fixo para ele e seus seguranças logo atrás.

Ele cruzou os braços na minha frente olhou para os seus seguranças atrás dele e me olhou colocando a mão na testa como desalento.

— Eu sabia que eles me deletariam. Viu Jerry! Foi sua culpa. Ela me reconheceu. Ele disse me olhando e se virando para um dos guarda costas.

— Eu lamento senhor. Ficaremos mais distante. O homem falou e fez um gesto para os outros se afastarem.

Eu não sabia se ria ou ficava zangada com ele. O astro parecia se divertir com a situação ali. Não tinha gostado de ser surpreendida por ele, mas amararia saber qual era a ligação entre os dois Michael que conhecia agora.

— Pronto. Acho que agora podemos circular sem chamar atenção. O que acha de tomar algo comigo já que temos negócios em comum? O astro falou parecendo sorrir debaixo de sua mascara e cara de pau.

Eu levantei uma de minhas sobrancelhas e toquei a espada que estava encoberta nas minhas costas. Eu tinha certeza que se ele soubesse quem eu era, sairia correndo dali.

Apesar de sua fama ser a mais maluca possível e a mídia o adorar para difamá-lo. Eu era algo alem dele. E era um risco ele ficar muito perto de mim. Apesar que eu tinha me abastecido muito bem antes de sair.

— E então! O que me diz senhorita Genomm. Quer dar uma volta comigo as escondidas? Prometo que seremos breve. Não desejo ser reconhecido por mais ninguém. E eu amaria conhecer melhor a pessoas que me cederá a sua casa por algum tempo. Ele falou me observando atento.

— Humm…. Okay senhor Jackson. Mas me chame de Lena. Meu sobrenome soa estranho em seus lábios. Eu disse ainda mantendo uma certa distancia dele.

Eu havia me alimentado bem, mas o cheiro de sangue doce e fresco circulando nas suas veias me atraia muito.

— Okay… Sou Michael para você também. Vamos então? Ele falou mostrando a calçada a sua frente.

Eu o observei mais uma vez e segui ao seu lado. Notei que conversar com ele era agradável. Ele não era aquilo que se via na mídia. Era um homem inteligente e culto, mas amava travessuras.

As vezes me parecia um menino a brincar com o perigo, e me senti antiquada perto dele. Me esforcei em tomar um suco de frutas com ele enquanto caminhávamos.

E sabia que aquilo me faria um mal tremendo. Mas daria um jeito de me recuperar depois. A minha curiosidade era elem da dor que sentiria.

Eu notei que se ele parece em algum lugar mais populoso ele seria reconhecido, então nos mantivemos nas margens das pessoas. E percebi que apesar de ser humano, ele não era muito diferente de mim. Andar nas sombras e as escondidas parecia ser um hábito que ele não amava muito.

Depois de alguns risos de sua parte, nos despedimos até que amigavelmente. Eu precisava retornar com rapidez a mansão ou me daria mal. E me pareceu que ele compreendia a minha presa.

Peguei o meu carro e voltei o mais rápido que podia para as sombras que me esperava em meu quarto.

Mas levava comigo algo que me deixaria intriga depois.

continue…. Kisses in your hearts…

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