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A Número Um

 

Sempre fui uma menina normal e até normal demais, mas tinha uma coisa que todos gostavam de me titular “como a doida” por ser fã de Michael Jackson. Eu não ligava muito para o que diziam sobre ele nem sobre mim em ser fã dele.

Ninguém me dava CDs e DVDs dele, ninguém me ajudava a fazer a coleção dos Jackson 5, The Jacksons então, sua opiniões não eram validas. Uma vez que quem era MJFAM era para sempre mesmo o mundo nos titulando de malucos.

Nós apenas seguíamos como soldados do amor.

E defenderia o homem mais incrível que o mundo já tinha conhecido, esse homem que se chamava e se chama Michael Jackson ou Michael Lindo Jackson como você preferir. E em mais um dia da minha vida, algo diferente aconteceu e eu apenas segui como mandava o destino.

Um estrondo me soou na minha mente.

Ah! O que tinha que feito dessa vez?

O rouco barulho que tava na mente vinha fazendo um zumbindo se fez fininho lá dento da minha consciência, se é que eu tinha uma. Senti alguém me sacolejar para um lado e para o outro. Aquilo nãoe estava certo.

— Moça? Moça? Está sentindo bem? Um homem barbudo perguntava pertinho de mim e foi quando dei por mim que estava no chão, no asfalto.

Abri meus olhos olhando-o abismada em tal situação que eu estava. De novo com problemas? Essa não. Pensei. Eu me afastei dele bem devagar e quando fiquei de pé notei que estava entre carros e motos na grande avenida da cidade.

— Eu estou bem sim moço. – Disse tocando na minha cabeça—Mas onde estão minhas pizzas?

Ele olhou em volta e fiz o mesmo, foi quando vi todas às treze pizzas que entregaria no hospital UCLA Medical Center estavam todas esmagadas e jogadas ao chão.

— Oh Deus, veja isso! Estou ferrada agora. Mas o que me fez cair?—Eu olhei em volta novamente.

— Eu te vi menina, estava olhando para o cartaz ali. O velho barbudo já do outro lado da rua.

E foi quando lembrei.

Eu estava olhando no novo cartaz e propaganda da Sony Music. Ali dizia que o novo álbum de Michael Jackson ia sair. O novo álbum do Michael Lindo Jackson. Deus, eu ia morrer nessa semana mesmo.

— Claro… Oh velho por que não me disse logo! Eu falei levantando minha lambreta e corri para colocar algumas fatias de pizza dentro da caixa.

— Você não perguntou oh sua mal educada. Ele resmungou indo embora.

Eu revirei meus olhos e voltei a minha lambreta e com alguns daqueles ricos safados loucos para chegarem em suas casas, eu sai acelerando na minha magrela, é minha lambreta se chamava assim.

Corri o  máximo que pude até o hospital e não queria perder a oportunidade de vender 13 pizzas para o hospital mais mara (maravilhoso) da cidade, e perder a chance de andar no mesmo lugar que os Jackson tinham andando um dia, não era pra mim.Embora tivessem ido lá em um momento que mudara minha vida.

A morte dele caiu como um balde de água fria em um indivíduo magro pelado no polo sul.

A metáfora na minha cabeça era bem engraçada, mas se pensasse bem, não era nada fácil. Minhas lagrimas até hoje ainda apareciam nos meus olhos a cada aniversario de sua morte e infelizmente, eu só era uma fã. Infelizmente.

Desde pequena minha loucura era ser algo de perto dele, mas não da família dele. Eu queria ser como ele, mas não conseguiria sendo uma entregadora de pizza então eu resolvi ser fã dele e estudar jornalismo investigativo desde sua morte por que tinha entrando em um pensamento de sua suposta sobrevivência.

Digo, aquilo me deixou doida por meses.

Mas eu tinha certeza que se Michael Lindo Jackson tivesse me conhecido, muito ele não tinha feito.

Cheguei ao hospital e correndo fui até a recepção, Antonieta me odiava por sempre acontecer algo comigo e aquilo só queimava minha reputação. Uma vez que se você queria sucesso você tinha que ser querida então, era essa a minha estratégia, uma vez que a família Jackson ia ali naquele hospital uma vez no mês quase. Ele eram estranho, mas tinha certeza que guardavam tesouros de Michael que nunca ninguém nem ele mesmo lembrava, e esse era o meu alvo.

— Me deixe adivinhar, fora roubada dessa vez? Antonieta disse me olhando chegar as pressas no balcão.

— Hei, Oi Antonieta, que linda está hoje e diga-me que o gato do doutor Rogério ainda não chegou. Eu disse tirando meu capacete e colocando no balcão junto com as pizzas.

— Não ainda não, ele espera pra comer suas pizzas. Tem sorte que ele te paga um gorjeta. Ela disse com sua face nada legal. No meu mundo, ela era o Joe Jackson.

Nojenta.

— Ainda bem, o gatão ainda não chegou. Céus, hoje quase morri. Eu falei tentando respirar.

Ela olhou desconfiada pra mim e me viu pegar o celular. Eu tinha que avisa pra Vitor que sairia logo o novo CD de Michael, cara, nós tínhamos que ter ele.  Ou eu não era a fã numero um.

— Não sabia que a pizzaria agora colocava flocos de areia por cima do queijo. Ela disse revirando os olhos de insatisfação.

— Olha me perdoa tá legal? Cai da magrela e um barbudo parecia que queria fazer respiração boca a boca comigo e esse trabalho e essa faculdade estão me matando e eu nem se quer sabia que meu lindo vai lançar um novo CD, quer dizer a Sony vai. Eu falei tentando ligar novamente para Vitor.

— Do que está falando criatura? Antonieta disse rindo.

— Do novo CD do MJ. Vem me dizer que não sabe quem é Michael Jackson? Pelo amor, você é negra criatura. Eu disse achando aquilo um absurdo.

— Ah então é por isso que te chamam de Tila Jackson. Você é a maluca que sempre vem aqui procurando um dos Jacksons e algo sobre Michael.  Ela ainda sorria.

— É Tila JACKson, assim com o JA bem alto. Uma ofensa não saber quem eu sou. Se não sabe eles se esqueceram de mencionar que existe mais uma Jackson. Eu aqui! Eu disse sentando-me na cadeira esperando o lindão chegar.

— Sei…

Tentei mais uma vez ligar para Vitor nós tínhamos trabalhos a fazer. E finalmente aquele idiota me atendeu. Vitor e eu éramos os únicos malucos e fãs de Michael Jackson assumidos. Dias de terças e sextas eram dia da camisa MJ e nós íamos com nossas camisas muitas vezes feitas a mão ou que comprávamos no bazar.

Desde que meus pais tinham viajado para trabalhar fora do país, morar com ele de favor e dormir na garagem fedorenta do pai dele era meu refúgio uma vez que não queria viver sozinha no apartamento da família. Éramos loucos por assim dizer. E éramos donos do fã club IN THE CLOSET. E o total de membros eram eu ele e o Rufos. O cachorro babão dele.

Nós íamos crescer aquele negócio.

— Say Say Say falando… Vitor falou em nosso código secreto.

— Aqui é PYT… Você nem sabe Vitor, eu acabei de ver uma propaganda da Sony Music que vai lançar um novo CD do Michael, ai Vitor, eu vou morrer amigão. Eu disse me batendo toda na cadeira do hospital.

— Não mente pra mim Tila, dá uma última vez que fez isso precisei usar a bombinha. Ele disse parecendo acordar mais para o que eu dizia.

— Não estou mentindo cara é sério está lá no outdoor pesquisa aí que ainda estou trabalhando. – Eu disse vendo o lindo carro do Rogério chegar.

— Ok, às 10:00 da noite sem falta aqui em casa! Ele disse morto de preocupado.

Eu sorri sozinha. Parecia a primeira vez que tínhamos feito o download do cd dos anos 80 de Michael de um site privado. Vibramos e ficamos três meses dentro de casa sem usar a internet. Com medo de alguém nos achar.

A verdade era que Vitor era o meu único amigo desde sempre. O encontrei pendurado na arvore do jardim da faculdade querendo se matar no dia que Michael nos deixara, eu estava chorando debaixo da arvore perguntando por que Deus tinha feito aquilo conosco e foi quando o vi.

Franzino com sardas e um óculos dos anos 80 e um cabelo ruivo parecendo aquele vermelho surrado nos cabelos de algumas loiras da faculdade. Vitor era um rapaz até que sozinho assim como eu e ficamos amigos desde daquele dia que lembrei a ele que Michael jamais queria a morte de seus fãs e que se ele fizesse aquilo jamais veria o quanto ele tinha deixado para nós.

Eu entendia o sentimento dele, tanto que eu jamais mencionava como eu tinha ficado depois que soube da morte do meu Rei. Aquilo era guardado a sete chaves, ninguém tinha que saber o grau da minha loucura e tristeza.

E ser MJFAm era assim pra mim. Ser mais atualizada da vida dele o possível, por que o mais maluco que parecesse Michael Lindo Jackson ainda era falado e dava noticias e muito dinheiro mesmo morto e aquilo sempre me intrigava aos montes. Mas já tinha prometido a Vitor segurando o nosso vinil de Thriller que não ia entrar naquela de teorias de conspiração.

Eu o amava e não me importava de dizer e eu conhecida por isso.

— Hei linda o que faz aqui? O médico mais novo e mais gato do hospital disse chegando com aquela sua graciosidade. Eu gostava do Rogério, mas só nos encontrávamos quando eu estava quebrada.

Antonieta me olhou de canto de olho, ela sabia que além de meu fascínio por Michael eu amava observar o médico novinho do hospital e o mais legal era, seu pai tinha atendido Michael várias vezes no decorrer de sua carreira ali, e foi graças a ele que eu e Vitor ganhamos nossa mais e única foto rara do MJ. Uma que ele estar sentando e dando tchau sendo consultado. Ele se cortara fazendo comida.

Sim. MJ cozinhava.

— Olá? Trouxe a sua com bastante queijo como sempre gosta só tive um problema na hora de vir pra cá. Esse mundo insiste em me esbarrar. Eu disse sorrindo meio sem jeito. Ele era muito limpinho pro meu gosto.

— Eu confio em você e que me trás as melhores. Ele disse tirando sua carteira e procurando algumas notas.

Vi Antonieta me observar e lembrei que não seria justo deixar com ele duas pizzas que tinham caído no chão enquanto eu vinha feito louca pra cá, então aquela ficariam por conta da casa.

— Tome, obrigado e tome cuidado. Ele disse gentil como sempre.

— Não, não precisa pagar pelas duas de calabresa. Por conta da casa. Até mais. Eu falei dando o troco para ele e sai dali empurrando a porta de vidro.

E sai dali pensando no que tinha marcado com Vitor. A noite estava chegando e mais um dia maluco tinha se dado e mais, aquele noticia era única pra minha vida agora e nada mais que a internet para confirmar suas malucas sensações e paixões platônicas.

Depois da faculdade fui até a casa de Vitor e lá ficamos dentro de sua garagem como o de sempre. Ele tinha as melhores ideias dele naquela garagem e eu os meus mais loucos planos e tínhamos que dá um jeito de ter aquele CD antes que todos na cidade.

Nossos dias eram daquele jeito. Eu chegava na garagem do pai dele e dizia olá para o tio Arnold e Sofia, pais de Vitor e como de costumo depois de quatro anos juntos por uma causa por um amor por um homem, eu e Vitor éramos como irmãos.

E ele já estava como eu esperava.

O que eu tinha de louca ele tinha de pensador isso era o equilíbrio que precisávamos. Nosso sonho um dia era fazer da garagem dele um memorial ou algo que chamasse bastante atenção em nome de Michael quem sabe, os Jacksons viriam.

Sentei ao lado dele e fiquei calada era sempre assim que ele queria por que enquanto ele estava na internet ele parecia um maluco cibernético e não via não falava e não fazia nada só no computador. Ele já tinha na sua tela de pc toda informação possível do CD e estralando a latinha de coca cola sentei ao seu lado olhando que fazia.

— Bom, está aqui. É um CD com as melhores dele e uma inédita. Ele disse sem me olhar e digitando seus códigos.

Sem querer eu joguei fora de imediato toda a soda que tinha tomado até aquele estante e caiu tudo em cima de Rufos. Como assim uma inédita?

— UMA INÉDITA? Eu disse limpando meu rosto e Vitor fez o mesmo.

— É veja isso uma nota. “A Sony Music declara que isso é uma decisão dos donos do espolio e só uma mesmo virá de inédita para seus tão calorosos fãs.” Pode? Ele disse me olhando.

Imediatamente meus olhos começaram a verte lagrimas de raiva. Como assim uma única musica inédita? Eles diziam que iam dar mais musicas que era aquilo que Michael tinham deixado para nós. Mas como assim?

Eu limpei meus olhos antes que minha raiva escorresse em forma de água em meu rosto e encarei Vitor decidida a fazer uma loucura. E aquela seria a maior da minha vida. Aquilo não podia ficar daquele jeito não fora isso que eles prometeram, mas não pra cima de Tila Jackson.

— Eles estão roubando nosso direito Vitor. Não pode ser uma apenas. É um disco todo. Eu disse levantando e começando a pensar.

— Mas é isso, uma apenas e as outras faixas remix. Estou fartos dela. Vitor disse arrumando seus óculos e me vendo fritar os neurônios para pensar em algo.

Eu o olhei por segundos e pensei em algo. E se entrancemos na Sony e fossemos procurar essas faixas e as pegássemos e as escutássemos e depois as devolvêssemos? Bom, não seria um roubo. Minha cabeça estava a mil com a possibilidade de nós invadirmos a Sony Music e pegasse as faixas inéditas do MJ. Deus, aquilo sim seria uma prova de amor por ele das melhores.

— Vamos entrar lá. Eu disse mirando meus olhos em Vitor e vi quando ele se assustou com o que eu dizia.

— Entrar lá? Você diz entrar na sede da Sony Music da cidade? Você está louca só pode Lita. Ele disse parecendo quere tirar aquilo da minha cabeça.

— Não. Não estou. Veja bem, é só nó conseguimos entrar na sede, e ai procuraremos algo sobre MJ lá. Vitor, o plano é magnífico e aí não vamos mais esperar por eles para escutarmos músicas do nosso rei. Eu disse quase implorando a ele.

— Eles têm um grande reforço lá Tila, é de Michael Jackson que estamos falando se nos acharem a cadeia na certa você pirou muito mais que eu quando queria me matar naquela arvore. Ele disse voltando para o que fazia e fingia que aquela ideia não cutucava sua cabeça.

— Então por que não se joga de vez Vitor? Vem cara, compramos um dos guardas pedimos informações e ai bingo pegamos o que eles tiverem. Prometo que devolvemos. Eu disse vendo ele torcer os lábios com rejeição.

Vitor encarou a tela do pc e arrumou os óculos e voltou a me olhar. Eu estava com um sorriso maior que tudo para ele e ele sabia que aquilo era loucura, mas se nos empenhássemos conseguiríamos. Ora, ele tinha uma jornalista investigativa e um aprendiz de detetive. Éramos bons.

— O que Mike pensaria de nós?  Ele disse me olhando de canto de olho e sorri feliz da vida por tê-lo balançando um pouco.

Sentei quase pulando ao lado dele e o abracei lhe dando um beijo no rosto.

— Ele pensará, oh, veja, meus fãs fazem tudo por mim. Eu falei imitando a voz fininha de Michael e Vitor sorriu.

E era o que eu precisava.

Tudo que eu pedia dele ele fazia e conseguia assim que meus malucos planos fossem realizados. Tá, eu sabia, aquilo era uma idiotice, mas eu só queria saber dessas músicas e acabar com aquele mistério de que a Sony escondia faixas novíssimas do King e não disponibilizava em álbuns para nós.

Só não sabia o que iria fazer depois de tê-las em mãos.

E começamos a fazer nossos planos. O bom de morar na mesma cidade que Michael morava no momento que falecera era o fato de se você fosse bem infiltrado conseguia por uma forma rasteira e esperta saber de diversas novidades. Eu tinha uma pessoa que era infiltrada lá com eles, mas não tinha o controle nele.

Bruno, meu antigo namorado conseguira ser um dos seguranças do Rei, sim ele era, mas quando viu o grau da minha admiração por ele terminou comigo e deixou de me dar noticias por anos, só soube que ele fora embora quando o falecimento veio, bom, eu não ia rasgar Michael na frente de todos, ele só ia ter que aguentar a fã número um ora.

Na verdade eu não saberia o que faria se o visse a menos de um metro.

Naquela mesma noite combinamos o que tentaríamos fazer. Era só organizar as coisas ali e colocar nossos conhecimentos sobre MJ e sobre aquela cidade em plano e agir com rapidez. E no dia seguinte nada de faculdade, nós íamos começar a trabalhar.

Eu sai cedo da casa de Vitor e fui correndo para a pizzaria fazer tudo que poderia ser feito para que logo que a tarde caísse eu estivesse com Vitor na frente da sede da Sony Music, para que observássemos o lugar e estudar nossas possibilidades.

Lá pela tarde eu desacelerei minha motinha e notei Vitor do outro lado da rua daquele grande lugar que era aquele prédio da Sony e observei em volta sem tirar meu capacete. Era um lugar calma e tava assim como a rua que Michael gravou Thriller e aquilo me preocupou, se salvar a mim mesma era difícil, imagina salvar um nerd asmático.

Bem devagar eu encostei a moto perto da calçada e peguei uma caixa de pizza que tinha trazido. Olhando ainda em volta continuei constatei que não passava ninguém ali.  Deixei ela um pouco escondida e a coloquei deitada na grama e fui até Vitor, e quando cheguei e o vi, minha vontade era de gargalhar.

Ele estava com um capacete de guerra e uma roupa colada como se fosse um espião e com seu pc nas mãos mais parecia um aprendiz de idiota, mas eu admirava a coragem dele. E ri por dentro.

— Eu pensei que fosse uma formiga em tamanho grande. Eu disse perto do ouvido dele e ele deu um sopapo pulando para longe de mim.

— Oh Céus Tila, não pode usar o nosso código? Quase morri de susto! E essa é minha roupa de Halloween, então… A melhor para ocasião. Ele disse arrumando os óculos que eram frouxos no rosto dele.

— Relaxa Vitor, só têm nós dois aqui e pelo que vejo o prédio também está como Ghost… Eu falei tirando minha jaqueta de couro e sentando na grama que ficava  a frente do prédio.

— Não se engane, já vi três guardas que passam de 15 em 15 minutos por aquela porta, e sem contar nos milhões que tem lá dentro. E ainda bem que pensou no meu estomago dessa vez. Ele falou pegando a pizza que eu segurava, e o tomei de volta.

— Não seu tonto, acha mesmo que trouxe para nós? Não oh seu lerdo. Faz parte do plano. Eu falei sentada na grama arrumando meus tênis e calças coladas.

Vitor me olhou e notou que eu estava mais arrumada que o de costume e já tinha sacado que eu ia fazer o velho truque da pizza, ora, eu tinha que ver como era aquele prédio por dentro.

— O combinado não era entrar no primeiro dia de observação, quer que sejamos presos? E se nos pegarem? Ele disse até que um pouco alterado.

— Mudei de ideia e você fica aqui, qualquer coisa que te chamo ok? Eu disse levantando e arrumando a decote até que insinuante em mim.

— Mas… Ele tentou falar.

— Larga de ser frouxo Vitor, Keep The Faith… Vamos repete comigo. Eu falei séria com ele, nós íamos conseguir.

— Keep The Faith… Ele resmungou.

— É isso aí. Agora é tudo por você meu Rei. Eu disse respirando fundo e pegando a caixa de pizza e indo até a entrada do hotel.

Eu ainda ouvi Vitor falar algo, mas deveria ser com algo como iríamos nos comunicar, mas não queria entrar e fazer o ato logo, ia apenas observar o local.

Pisei no primeiro degrau da entrada que dava para a porta de vidro linda e olhei mais adentro, só tinha um grande balcão no meio do salão e mais parecia um Banco aquilo. Olhei para Vitor que fez um sinal que eu estava indo bem, e quando tornei a olhar pela porta de vidro e encostei meu rosto ali, um barulho e um murro no vidro me assustaram.

— O que faz aqui? Um guarda disse me olhando pelo vidro e segurando meu coração, tentei responder.

— Oi, é da pizzaria. Desculpe a demora. Eu disse com uma voz como se eu fosse a mais santa das jovens e ele se moveu da minha, vi seu reflexo pelo vidro.

— Igor, você pediu alguma coisa? – Ele gritou virando de costa, nesse momento, virei-me para Vitor de novo e ele estava com os olhos mais esbugalhados que gente entalada.

O homem lá longe respondeu que não, não tinha pedido nada. Eu franzi minha testa e sabia que aquela loucura não ia dá certo. Mas tinha que tentar.

— Mas também não pedi droga alguma. O guarda que parecia impaciente me falou abrindo a porta.

E ali, eu agi como se fosse para ganhar o ultimo ingresso do ultimo show do rei. Eu ia atuar.

— Oi bonitão, não é daqui que pediram uma pizza sabor calabresa? Eu disse sorridente e sabia que ele olhava para um lugar apenas, aquela brecha enorme mostrando meus seios.

— Não, não pedimos nada moça. Mas…. Se já trouxe. Ele disse meio que sorrindo também e aquele já estava no papo.

— Oh obrigada querido, assim não tenho que tirar do meu salário para uma suposta volta sem dinheiro. Nossa o que faz aqui nesse palácio?

Eu disse jogando a pizza na nos braços dele e segui andando soltando meus cabelos e olhando em volta. De fato era como um palácio e era grande quando se olhava para cima. E haviam vários corredores e muitas câmeras. Aquilo era um problema.

— Não é palácio é uma das sedes da Sony. Por favor, venha aqui o dinheiro está com meu amigo. Ele disse tocando muito abaixo da minha costa e eu o olhei séria e depois sorri exageradamente.

— Claro bonitão… Espero que esteja certo não tem onde ir para trocar o dinheiro, sacas? Pisquei pra ele enquanto começava a andar naquele lugar.

Ele vinha atrás de mim e meus sentidos estavam nele. Se ele tentasse alguma coisa que gritaria mais que Michael quando cantou Beat It em Bucharest e ai sim tudo ficaria uma farofa.

Enquanto caminhava naquele lugar que mais parecia uma grande sede de escritórios, comecei a ver coisas que realmente condenava que aquele lugar era um lugar que guardava musicas e várias coisas importantes de artistas renomados.

E comecei tremer quando vi fotos de alguns artistas pelas paredes ao fundo e alguns mais próximas enquanto andávamos e já tinha entrado ali lembrei no momento, mas tudo estava mudado e MJ ainda estava vivo.

Whitney estava em um lindo quadro com bordas pratas e do mesmo jeito que ela como um lindo Tributo tinham outras cantoras e cantores espalhados por ali, e até vi Mariah com suas intrigantes fotos como se ela sempre estivesse em câmera lenta. Alguém tinha que dizer pra ela que dourado e câmera lenta estavam ficando ultrapassados.

— Hei, como se chama mesmo? O cara que  me abriu a porta disse parado em um balcão cheio de pequenas televisões e vi o seu amigo me olhando com um face estilo MJ em In The Closet, Naomi, inveja dela….

— Ah eu? Meu nome é Josefina e me digam… Vocês só ficam aqui o dia todo o que tem de tão especial nesse prédio um tanto triste. Eu disse fingindo está a vontade e encostei meus cotovelos no balcão.

O que estava sentado soltou uma gargalhada um tanto sem noção e disse:

— Aqui é onde está a maioria das músicas inéditas de artistas importantes menina, não sabe disso? Ele disse arrogante.

— Claro que sei seu…—Eu ia falar bobagem—E será que tem algo do grande e popular e excêntrico e lindo e perfeito Michael Jackson?

E no mesmo momento vi seus olhos esbugalhados e olharam para mim diferente. Deus, tinha sido descoberta.

— Você não é fã, é? O que tinha aberto a porta disse me olhando intrigado.

— E isso é um problema? Perguntei já me afastando do balcão.

O que estava sentado se levantou e veio na minha direção. Ele parecia furioso.

— Está com câmera escondida ou gravação. Ou é fã ou é esses terríveis paparazzi. Ele falou chegando mais perto e eu começava a recuar.

— Eu só sou a entregadora de pizza cara, relaxa. Eu falei olhando para os lados e não vendo ninguém para que eu pedisse ajuda, eu tinha que sair dali.

— Não, muito bonita para uma entregadora de pizza, deve ser mais uma dessas malucas querendo entrar aqui e saber do que não deve. James, pega essa loca. O que tinha levantando de fora de trás do balcão disse para o amigo que tinha aberto a porta para mim, e eu estalei para o perigo daquilo.

— Que desperdício, você usando o nome de um rei do soul. Eu falei começando a andar mais rápido e ainda de costas.

— Do que está falando? O guarda da porta disse vindo tirando seu comunicador do bolso para chamar alguém. Eu tinha que correr.

— Idiotas! Eu estou falando de James, James Brown, esse seu amiguinho aí não faz valer o nome que carrega. Eu falei virando de costas para eles e começando a correr.

— Pega essa louca!

Não sei qual gritou, mas eu continuei correndo para fora dali. Eu podia ouvir o calçado dos tênis escorregar e fazer aquele barulho irritante naquele piso limpinho daquela sede.

Enquanto eu corria, via várias e várias fotos e quadros de artistas renomados daquele país e para meu desespero, foi quando vi uma foto de Michael em um dos seus últimos ensaios. Aquele que ele estava com uma bola azul em um dos olhos e estava lindo com aquele paletó com taxas redondas caindo sobre os ombros, DEUS QUE DEUS ele era.

E foi ali que notei, que ao lado de cada quadro havia uma porta, mas antes que eu pudesse pensar de novo naquilo senti um puxão no meu tornozelo e só vi o chão debaixo do queixo e quando me virei para ver, era o tal de James me agarrando enquanto o outro amigo vinha.

— Me solte seu estranho eu  não fiz nada. Eu disse o chutando enquanto ele não me soltava.

— Você é espiã? O que é? Precisamos revistá-la. Ele disse apertando minha perna.

De repente ouvi um barulho no vidro da porta e Vitor estava mais nervoso do que eu ali.  Eu olhei para baixo de novo e vi que o lerdo do guarda tinha se levantando e foi quando falei para Vitor  correr antes que eles o pegassem.

— Você está encrencada tão nova já para cadeia. Um deles disse dando a volta em mim enquanto eu estava no chão.

Eu fechei meus olhos e lembrei de Michael em Moonwalker quando aquele homem aranha o joga no chão e aquela menina o chama irritantemente várias vezes, eu esta como ele ali, encurralada, mas não seria dessa vez que pegariam uma mjfam em ação.

Ele se aproximou de mim enquanto seu amigo chegava perto e foi quando agi por impulso.

— Nem pensar ou seu idiota! Eu disse chutando em sua parte intima e levantei rápido assim que ele caiu no chão gemendo de dor.

— Hei, isso é agressão! O amigo disse ainda longe.

— Não, isso é agressão. Eu falei dando um chute na barriga do que estava no chão agora e saindo correndo para porta onde Vitor gritava aos montes.

Quando cheguei na porta e ia passar por ela, eu não sabia como abri-la e meu desespero foi geral.

— Abra isso e sai daí seremos presos e na cadeia não poderemos ouvir MJ! Vitor gritava desesperado.

— Eu não sei onde abre! Meu Deus! Não sei! Eu disse desesperando e quando olhei para trás por que Vitor batia no vidro apontando para trás de mim, o guarda já estava perto demais de mim.

— AHHHHH! Gritei com um medo horrível dentro de mim e foi quando minha mão tocou em um botão daquela parede de vidro e a porta abriu.

Mas quando fui passar, alguém segurou minha mão.

— Solta ela, solta ela… Vitor dizia puxando minha mão junto comigo.

— Seus malandros ladrões vândalos. Não se safarão dessa. Ele dizia segurando meu braço e a porta parecia estar travando com meu braço no meio.

— AH ME LARGUE! Eu disse puxando meu braço de uma vez e a porta fechou em fim e tirei meu braço e fui parar no chão da entrada do prédio caindo em cima de Vitor olhando aqueles dois guardas falarem coisa absurdas, mas não conseguíamos ouvir direito.

— Por MJ, vamos embora daqui. Vitor disse se levantando enquanto eu o ajudava.

Eu tentava controlar minha respiração e o ódio que sentia daqueles idiotas ali.

— Eu vou me vingar deles. Eu falei chegando perto da porta do vidro e Vitor me puxou para longe.

— Sai daí, está louca? Vamos embora Tila. Vamos! Ele disse me puxando.

Tirei meu braço das mãos de Vitor que queria me tirar dali o mais rápido possível antes que outros fossem acionados, mas minha fúria e minha convicta ideia de que eu poderia sim entrar ali de novo e ver o que tinha nas salas ali, principalmente na que tinha a foto do Rei me fez ser mais ousada do que já era.

— Aqui pra vocês dois seus lerdos! Eu falei mostrando o dedo do meio e beijei a porta de vidro e senti eles baterem no vidro com fúria.

— Vamos embora Tila, vamos embora agora sua louca eu ainda quero me alistar no exercito. Fãs de MJ não são ladrões. Somos soldados de amor. Vitor dizia batendo suas pernas de tanto se tremer de medo.

— Eles são só dois palermas veja como são…

E algo me parou imediatamente de falar quando vi uma corrente vermelha na mão de um deles e eles pareciam sorrir  e rapidamente olhei meu pulso e minha corrente que tinha escrito “ eu te amo MJ” não estava lá…

— AAAAAAAAAAH SEU! Eu disse dando um murro na porta furiosa.—Devolva-me é minha é minha corrente, me dê ela. Agora! Eu disse chutando e batendo aquela porta.

— Tila, vejo luzes de lanternas vamos embora, eu quero mijar. Vitor disse me desgrudando dali.

Aqueles dois idiotas dançavam na minha frente com a porta de vidro fechada e um teve a audácia de imitar o meu Rei lindo, Céus, Michael deveria está se remexendo no tumulo com aquela porcaria o imitando.

Até um aleijado imitava MJ melhor que aquele ridículo.

— Eu vou te pegar! Eu falei apontando para aquele tal de James que estava com minha corrente nas mãos. E como provocação, ele beijou a porta tal como fiz antes e eu chutei ele quase a quebrando de vez.

Vitor não me deixou discutir aquilo com eles quando me puxou para a rua correndo comigo o mais rápido que pudesse. Eu ouvia um tipo de apito ser soado longe e sabia que era por conta da minha invasão, mas fora eles que tinham começado com aquilo.

Eu só queria ver e escutar as músicas inéditas.

Saímos dali cantando pneus e pedi com o coração para que Deus não deixasse eles verem a placa da magrela. Chegando na casa de Vitor, ele desceu da moto um tanto contrariado e ficou daquele jeito comigo por horas até irmos dormir. E daquela vez, senti que tinha ido longe demais.

Eu não teria aula no sábado a noite, mas Vitor tinha uns cursos e ele sempre ia nas lojas ou nas garagens dos outros procurar vinis do Michael e a regra era sempre que o vinil ficaria exposto na nossa garagem só para mostrar a todos e sim, postas nas redes sociais o quanto nós éramos fodásticos para termos aquelas raridades.

Mas muitas vezes, ele chegava sem nada nas mãos.

A mãe dele já tinha me chamado diversas vezes para jantar e eu não queria, eu estava assistindo aquele filme sem parar e não me levantaria para nada, nem Rufos saiu de perto de mim aquelas horas, e claro Michael estava comigo ali, ele estava na estampa da minha camisa.

— Minha mãe te chama, ela disse que não saiu daqui. Se foi por conta de ontem falei com uns amigos, eles disseram que nem viram direito que cor era a moto. E sinto muito se gritei com você… Eu sei que prometemos ser fieis e sermos sempre mjfam… e…

— Cala boca e senta logo aqui. Eu disse levantando e puxando para sentar no sofá e assistir o que eu assistia.

— Estou tentando pedir desculpas… Ele disse meio com aquela cara de tonto dele.

— Pelo o quê? Por não me deixar pegar minha corrente MJ ou por quase se mijar na minha frente? Oh esquece isso, por favor, veja isso. Eu disse pegando o controle remoto e voltando a parte do filme que amei.

Era o filme “missão impossível” com meu marido Tom Cruise ele era lindo aquele homem era estilo MJ, quanto mais velho mais lindo ficava, mas era aquela cena que tinha me dado outra ideia. A moça entrava no lugar e espirrar purgante na caneca de café do sujeito em questão e assim ela conseguia mantê-lo longe da sala a qual seu amigo lá fora já estava tentando entrar e aquilo aflorou minha mente.

— Não mesmo, não voltarei lá. Ele disse irredutível.

— Mas Vitor, merecemos ouvir essas musicas merecemos mostrar elas para todo o mundo. Eu disse levanto e olhando o nos olhos.

Ele parecia estranho.

— Não quero ser o fã que roubou as músicas do seu ídolo. Michael ia odiar isso Tila. Não quero ser um mjfam ladrão. Ele disse parecendo que eu estava pedindo para lhe tirar  virgindade.

Eu suspirei fundo, ele tinha razão.

— Bom, não falei em roubar. É só para ouvirmos. Quando é que termos outra oportunidade? Eu falei mostrando a ele que aquilo tudo não passava de uma louca aventura que falaríamos para nossos filhos e netos um dia.

— Devolveremos? Ele disse me olhando por detrás daqueles óculos com lentes enormes.

— Todo inteirinho, só para termos certeza que ele fez tudo certo e que são eles que não nos deixam ouvir. Deus, como sinto a falta dele às vezes da voz nem se fala. Eu disse sentando ao sofá e senti falta do meu ídolo rapidamente.

Às vezes tinham dias que amanhecia apenas com saudades dele, aquilo levava horas para passar.

— Ok, qual seu plano? Foi como ouvir Rock With You aos meus ouvidos.

Aquilo era o meu plano a minha vibe, ser maluca era comigo mesmo e então com aquele pensamento louco seguimos mais uma vez para a sede da Sony. Mas tínhamos coisas a mais ali.

Tínhamos combinado que eu me vestiria de homem enquanto Vitor tentaria subir pela lateral do prédio onde ficava as latas de lixo, para procurar lá por cima uma entrada em alguma das salas ou mesmo uma porta que nos deixasse entrar. Até onde eu tinha visto nada era tão como no filme, eram apenas portas e varias câmeras, mas com eficácia mania de Vitor mexer em sistemas, aquilo seria muito fácil.

— Não dá, está estranho está ficando estranho está parecendo quando The Jacksons fizeram sua primeira chapinha. Vitor disse rindo do meu disfarce.

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— Ora, não é mais estranho que sua mãe usar peruca com cachos permanentes. Ela é careca? Eu disse colocando um boné e puxei a calça de Vitor em mim.

— Não comece… E encolhe mais os peitos. Fique meia curvada estou vendo seus peitos. Ele disse meio sem jeito por falar daquela parte do meu corpo.

— É seios, e me dê essa outra camisa ai esconderá melhor. Eu falei pedindo a quadriculada que ele usava fazendo-a de jaqueta.

Eu terminei de me arrumar e Vitor não parou de sorrir quando me viu toda de homem e usar um dos óculos dele me fazia ficar tonta, ele não era cego, ele era sem olho. E daquele jeito, eu segui para o plano.

Nós separamos e novamente entrei naquele lugar. Esperei na faixa de atravessar a rua Vitor subir como uma lesma para cima do prédio e quando ele fez um sinal que sim, eu tentei uma comunicação com ele com os nossos comunicadores, ele tinha transformado aqueles de celulares em um dispositivo maneiro.

Ele era um gênio maluco.

— Off The Wall testando… Copie o teste… Copie o teste… Ele dizia ao meu ouvido.

— Ok quench my desire recebendo o teste. Agora, não grita muito irão ouvir. Eu falei tocando discretamente no meu ouvido e atravessando a rua.

— Entendido, mas não se esqueça de mudar a voz e coçar o… a… ele era muito tímido para falar aquilo.

— Coçar o nariz? Homens fazem isso, limpam o salão na frente de todos… Que nojentos. Eu disse chegando na frente do prédio.

— Não Tila, estou falando de pegar na virilha como homens repararam nisso e será melhor no disfarce se o fizer.

— Tudo bem… Falou o homem mais másculo da terra. Ok, agora estamos entrando em ação. Eu disse abrindo a porta e entrando novamente.

Eu dei de cara com o tal de James e pigarreei minha garganta de leve. Ainda era hora de pessoas andarem por ali e como eu estava bem social eu mais parecia alguém que trabalhava naquele lugar.

Caraça, eu tava chique!

— Senhor seu crachá? O mesmo idiota que eu tinha batido em suas partes disse educada. Malandro.

— Pra quê isso rapaz? Eu sou do sindicato. Eu falei engrossando minha voz o máximo que pude.

— Sindicato? Ele disse baixinho e olhando para os lados e devagar, chegou perto de mim como se fosse compartilhar um segredo—Que bom que vieram, eles não estão pagando extras a mais de um ano. Ele disse engraçado e em aguentei para não rir ali.

Eu o olhei de olhos serrados e de lábios espremidos, tentei não rir. Por que Vitor, já gargalhava na comunicação no meu ouvido.

— Sei como é isso patrões ricos e mesquinhos. Darei um jeito nisso mas, fica entre nós isso aqui. Eu disse passando minha mão no balcão e indo em direção a um banheiro.

Mas antes, vi a oportunidade de ouro na minha frente.

— Isso é café? Eu disse apontando para a garrafa de café ali perto dos pequenos visores de TV.

— Sim, para aguentar o dia. É que passamos de 13 horas trabalhando aqui. Novamente, ele disse em tom de segredo.

Que cara mais fofoqueiro.

— Hum entendo… Ok, bom, estarei dando uma volta. Eu falei dando a volta no balcão e ele apenas ficou calado.

Ele com certeza achava que eu era de sindicato e quando ele desviou seus olhos de mim, eu abria tampa da garrafa e joguei todo o pó de pílula de purgante que eu e Vitor tínhamos amassado para por na bebida deles, e com isso tudo começava de verdade.

Eles iam se desfazer em água em poucos segundos.

Sem esperar mais eu corri para um banheiro se quer para trocar de roupa e falar com Vitor e mesmo no caminho, eu vi novamente a foto do meu lindo ali, e uma porta escrita Michael J Jackson. Aquilo só podia ser arquivos inéditos.

Tirei a roupa do disfarce e a peruca da mãe de Vitor e joguei tudo em cima da ventilação que ficava no teto do banheiro. Amarrei meus cabelos enrolados e coloquei as luvas que Vitor tinha me dado, e sem resistir aquele espelho grande na minha frente, fiz uma pose MJ com as luvas.

Cara, eu tava igualzinha e ele. AH!

— Off the wall chamando quench my desire repetindo… Vitor falou alto no meu ouvido.

— Hei fale mais baixo já está tudo nos conformes agora é só esperar. Eu falei tocando  no comunicador e voltando para o Box do banheiro e me tranquei lá.

— Ok, e se eu disser que consegui entrar nas câmeras deles e estou os vendo agora, você não vai acreditar. Ele disse parecendo feliz e ao mesmo tempo assustado.

— Vitor, você é o melhor. Eu disse levantando meus pés para quem entrasse ali não me visse.

— Eu sei minha cara, mas agora aguarde meu sinal, quando eles começarem a passar mal e irem feito loucos  para o banheiro, eu te dou o aval e só tenho trinta minutos. Lembre-se. Trinta minutos.

— Positivo Off The Wall. Eu disse sorrindo daquela loucura que estávamos fazendo.

O mais engraçado era que para nós dois naquele dia era a coisa mais certa a se fazer e estávamos fazendo. E isso nos dava gosto. Aquele gosto maluco e pervertido que fã tem de conseguir tudo do ídolo. Aquilo era válido para nós mesmo que fosse maluquice.

O sinal foi dado por Vitor depois de alguns minutos eu ali cantarolando coisas e musicas de Michael. Estava começando a ficar abafado aquele lugar e eu não sabia mais como voltar atrás naquela aventura mesmo que agora eu estivesse com medo, mas eu seguiria assim mesmo.

O local e corredores estavam sem ninguém ali e tinha notado que já estavam com as portas fechadas, não sabia como sairia de lá, mas daria um jeito para sair, ou, eu seria a mais nova jovem na cadeia. Caminhei devagar esperando as coordenadas de Vitor para mim, certifiquei-me do meu celular ao bolso esquerdo da calça e lá estava e sai percorrendo todo aquele lugar.

As paredes eram enormes e mais pareciam estúdio de cinema ou coisa do tipo e quando voltei a ver todos aqueles quadros, meu coração disparou, mas no mesmo momento que eu ia correr para aquela parte, Vitor gritou no meu ouvido.

— Onde está? Ele disse aos berros.

— A quarenta passos do banheiro feminino. O que houve? Eu disse me abaixando com medo de estar sendo vista.

— Começou tudo…—Ele deu uma pausa e sorriu—Deu certo seu plano malandro, estão começando a sentir o dragão no estomago. Ele completou rindo.

Eu fechei os olhos e comecei a sorrir sozinha ali acocada atrás de uma coluna e só de imaginar eles todos se desfazendo de…. Eu morria por dentro sem  parar. Mesmo achando graça da desgraça alheia, continuei andando até as salas e quando cheguei naquele corredor, minhas mão esfriaram.

Eram os mesmos que eu tinha visto e de todos os artistas que você poderia imaginar aquilo começava a me deixar nervosa por demais. Estar ali era como um sonho proibido, tal qual tive com  o médico gatinho e Michael quando ele cantava Another Part Of Me, Céus, por que o quadril dele era tão deslocado?

Quando cheguei mais perto das portas engatando eu fui olhando para todos os quadros e constatei que o de Michael estava bem lá no fundo. Claro, raridades de um King  a parte, tinha que ser guardado como tesouro nacional. Internacional para ser mais exata e devagar fui chegando, mas quando tudo parecia ir bem…

— Tila… Tila? Vitor disse gritando de novo.

— Não grite desse jeito o que houve? Eu sou uma espiã agora tenho que ter concentração. Eu disse afastando um pouco o fone.

— É um deles, o mais gordo ele está indo para onde você está. Vitor disse aquilo e imediatamente meus olhos foram para fora tais como da mocinha moreninha vendo Michael virar Lobisomem.

— Não brinca! Eu disse me levantando e foi quando vi uma sombra vindo do corredor.

— É sim ele está a menos de…

Eu o interrompi.

— Oh não eu já posso vê-lo. Michael man, me ajuda! Eu disse olhando para os lados e procurando um lugar para me esconder.

E foi quando vi uma coluna e um pequeno espaço até que escuro me enfie ali e espremi-me toda para entrar ali. E mal conseguia respirar.

— Just beat it Tila, Just beat it… Ele sussurrava no meu ouvido agora.

— CALA BOCA! Eu disse no ultimo berro a não ser ouvido e o silencio se fez quando eu ouvi o sujeito vindo andando pelo correndo assoviando uma música qualquer.

Ficamos ali até ele chegar mais perto e eu tinha certeza que Vitor ouvia meu coração batendo, eu estava prestes a morrer de medo e afiliação ali, e quando ele parou em cada uma da portas, tinha certeza que ele me veria quando parasse na porta bem perto da coluna onde eu estava.

— Ele está cantarolando Prince? Vitor sussurrou depois de ouvir melhor os assovios do guarda.

— Senhor… Eu mereço isso? Por quê? Por quê? Eu disse espiando ele bem de mancinho e foi quando ele veio mais para perto.

E fora imediato a eficácia do remédio, mas algo pior aconteceu.

O cara começou a tocar na barriga ali perto de mim e uma careta dele não fora nada elegante. Ele parecia pensar no que tinha comido antes e ficou olhando para o vago quando ouvi um barulho vindo do estomago dele como se fosse arroto de hipopótamo. E foi ali, que as causas sofridas por apenas ouvir musicas do meu ídolo, ficaram para sempre.

— Que cheiro é esse? Eu disse estranhando aquela coisa podre no ar.

— Do que está falando, fica calada ele está do seu lado. Vitor disse atormentado.

E o odor ficou mais forte.

— Hum… Hum… Santo Deus tenha misericórdia desse estômago. Eu falei tapando minhas narinas.—Ele esta podre!

— Ah, o que foi que comi? O idiota do guarda disse andando devagar para longe dali.

Eu começava a sufocar e sufocar e mesmo com ele longe, aquele odor estava levando minha vida junto com eles pro banheiro. Céus, que pum mais fedorento. Pensei ali vendo minha vida passar diante dos meus olhos com tal situação.

— Tila… Não seja exagerada nunca teve um ataque de diarreia? Vitor disse me chamando por eu ter ficado minutos sem falar. Ele estava se divertindo aquele cabeça de ferrugem.

— Isso é Dangerous isso sim, agora… Vamos continuar. Eu falei abanando o ar na minha frente e notei que ele o guarda, seguia de pernas coladas e bem devagar como se espremesse seu corpo para não soltar aquela coisa podre de uma vez pelo caminho até o banheiro.

Eu com certeza estava verde.

Eu procurei pela foto de Michael e lá estava ela no fim do corredor, rapidamente sem muito tempo corri até ela e quando cheguei na porta, pode ver um dos ensaios mais lindos que ele já tinha feito. Michael era um gênio que Deus tinha feito à mão.

Arno Bani's exclusives photos of Michael Jackson presented in Paris

 

E meu coração bateu com muita força.

— Michael como você é lindo… Eu disse em um suspiro platônico e Vitor completou.

— É o melhor. Você está vendo a foto dele não? Ele disse um tanto compreensivo agora, nós fãs nos entendíamos.

— Sim, mas vamos parar de tietagem. Vamos pegar essas musicas as ouviremos e pronto vamos embora. Eu disse tocando na maçaneta da porta e meu corpo esfriou, tal como quando eu tinha 11 anos e o vi na Madison Square Garden.. Quem daria aquela idade para aquele homenzarrão ali diante de toda Nova York.

Aquilo sim era um SHOW de verdade.

Assim que a porta se abriu nada eu pude ver naquela sala e seguindo meus instintos procurei ligar a luz daquele lugar. E bingo. A achei e como em passo de mágica ou mesmo em filmes, como se as luzes ligassem-se sozinhas e lá estava eu em uma sala sem cadeiras sem nada e quando dei por mim, no fundo dela, tinha uma mesinha e tudo parecia com a minha imaginação.

Eu deixei Vitor falando sozinho por que ele estava estranhando meu silêncio novamente  e me acelerando para fazer logo o que tínhamos planejados, os trinta minutos passariam rápidos demais. E então tratei de acelerar os passos.

Cheguei pertinho da mesa e só tinha alguns papeis e canetas em um copo ao lado e fui abrindo as gavetas e em uma delas tinha um chave apenas solta lá dentro e quando li o que dizia na chave era o armário de numero 8. Eu olhei em volta e não vi nada de armários, mas vi um pequeno quadrado embutido debaixo de uma TV longe a grande, Céus, aquilo tava parecendo o cenário de Scream.

Fui até lá e enfiei a chave e a rodei e foi quando meus olhos e coração iluminaram-se. Ali dentro havia um pequeno cartucho, mas não era um cartucho, era como uma pequena carteira de cigarros, aquelas que os ricos tinham e guardavam eles lá dentro, mas ela era de cor de bronze e por incrível e assustador que parecesse, tinha escrito o nome de Michael Jackson nela. E eu pirei o cabeção.

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— Não são músicas em fitas ou qualquer coisa parecida Vitor. Eu disse pegando a pequena maletinha.

— O que é? Não me deixe passando mal aqui. Mostre-me logo.Coloque isso para tocar no seu celular! Ele disse desesperado.

— Ok ok. Eu falei abrindo a caixinha e me deparando com pequenos cartões de memórias.

— São pequenos cartões de memórias. Eu disse os tirando com cuidado e indo para a mesa de novo.

— Ok, os tire com cuidado Tila, você segura uma raridade da humanidade. Vitor disse parecendo estar suando tanto quanto me de tanto nervoso.

— Nossa que tranquilidade você passa pra mim hein? Eu disse começando a tremer e escolhi um qualquer daqueles cartões de memória e abri meu celular e o coloquei.

Tremendo ainda por que sentia meus dentes baterem um no outro de tanto nervoso, eu apertei o play do meu celular e finalmente as musicas começaram a tocar e sem eu notar, as minhas lagrimas caíram a mesinha que ali estava e eu concentrei todos os meus sentindo nas lindas notas e voz de Michael cantando.

Nesses momentos nãos sabemos quando tempo ficamos em choque ou quanto tempo passa pelas nossas mãos quando felizes estamos tanto com algo, e foi assim naquele momento. Lembro-me de ouvir musicas inéditas de Michael Jackson junto com meu amigo de faculdade e de garagem, e que tínhamos em comum uma coisa apenas…

Amar Michael Jackson incondicionalmente.

— Essa não é linda? Eu disse limpando meu rosto e colocando o celular perto do meu ouvido para que Vitor as escutasse também.

— Water…. water…. Drowning my soul, it feels like….

Ele cantarolava comigo e sabia que nós dois chorávamos no mesmo momento. Aquilo seria algo que contaríamos para nossos filhos e mostraríamos a todos o quanto amamos um artista tão original como Michael.

Era como se fossemos algo de Michael como se fossemos a família dele que ele não vinha muito nas festas de domingo, ou mesmo que fossemos amigos de infância que com o tempo aquele momento de estarmos juntos tivesse se ido como as lembranças de um dia frio que nos deixa acuados dentro de casa.

Michael era isso para nós fãs. Algo que conhecíamos que amávamos que esperávamos que nos importávamos e que colocávamos em nossas vidas sem ele mesmo fazer algo diretamente para nós, mas só o fato dele ser quem ele era já era como se o tivéssemos sempre perto de nós.

Ai no fim de uma canção uma que falava de se apaixonar meus olhos molhados e paralisados eu senti que ele estaria sempre sempre onde quer que procuremos. Seja em uma foto ou em uma entrevista dele, procurando noticias invasivas ou nos embrenhando nos CDs e na voz mágica que ele tinha…

Não importava como você o procurasse, Michael Jackson era tudo o que você poderia ver. Ele era a criança ao homem gentil que ajudava uma velhinha atravessar a rua, o sorriso meigo de um rapaz para uma jovem encantada ou um mendigo com uma plaquinha dizendo: “Ame mais” por que era isso que ele pregava.

E diferente de tantos artistas ele não se concentrou apenas em suas músicas e fama, ele tirou um tempo para mostrar que um mundo mais compreensivo com mais irmãos do que aquele e este era mais fácil de se viver e de preservá-lo.

Era o que eu tinha finalmente entendido.

Mas meus sentidos foram perturbados por Vitor que gritava no meu ouvido que vinha vindo alguém. Rapidamente eu coloquei tudo no lugar. Tirei o cartão de memória do meu celular e tentando colocar como tudo estava antes, coloquei na gaveta e deixei a chave no lugar e quando eu ia sair pela porta…

— NÃO, ELES ESTÃO ENTRANDO! Vitor gritou no meu ouvido mais uma vez e aquilo me assustou.

— O que faço Vitor serei presa cara! Eu disse começando a desesperar de verdade.

— Se esconde. AGORA! E quando ele terminou de falar aquela palavra a porta se abrira devagar e eu corri rapidamente para baixo da mesa e escorrei ali para baixo me batendo até os joelhos.

— Fique calma! Foi o que ouvi como um sopro no ouvido.

Vitor ia me matar por não  me avisar aquilo muito antes.

Devagar os passos foram ficando mais altos e foi quando finalmente abri meus olhos ali debaixo e vi dois pares de pés. Eles vinham caminhando e pararam perto dos meus braços e foi nesse momento que eu abafei meu próprio grito.

Algo estranho tinha ali.

Eu conhecia aquele estilo de sapato e aquele estilo de andando. Eu ouvia Vitor me chamar e querer que eu passasse os portes físicos e como eles eram de perto, mas meus olhos não saiam daqueles sapatos. Não podia ser, eu tinha comida muita pizza durante anos só podia ser isso.

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Concentrando meus esforços em parar de chorar eu escutei bem quando eles começaram a falar.

— Eu disse que estava seguro você que é estressado demais. Mas iram logo ouvi-las. Um homem com voz calma branda e eu comecei a notar que era conhecida.

— Hum… Não os quero deixar esperando demais. As pessoas se esquecem da dor John, o mundo as fazem esquecer.

E naquele momento o mundo em minha volta e minha respiração parou. Eu mais parecia uma menina debaixo da mesa com medo do prometido bicho do armário me pegar e por mais que eu estivesse parecendo pálida sem sangue, eu poderia reconhecer aquela voz anos luz.

Eu reconheceria em qualquer lugar que eu estivesse.

Era fina e grossa ao mesmo e tinha um pouquinho de certeza e incerteza do que falava, era meiga e dava medo era ele, era voz dele. Meu rosto lavado de lágrimas insistentes não me deixou ouvir mais, e só notei por mim que eles estavam indo embora.

Levantei com a força que e tinha e corri as pontas dos pés para que eles não fechassem a porta de uma vez. Enfiei meu celular entre a porta e ela não fechou por completo. Abri de fininho uma brecha que eles andavam para fora dali. Eu mal conseguia ligar meus pensamentos nesse momento e quando eles viram a esquina do corredor, o sujeito magro e alto lá quase uns 1.80 tocou no nariz como se o coçasse e aquilo fora um baque total.

Me joguei no chão pensando no que tinha acabado de ver ouvir e escutar e não sabia se Vitor tinha escutado o mesmo. Eu não sabia como agir pensar eu não sabia o que estava vivendo. Eu enxuguei eu rosto e levantei um tanto tonta e tentei enxergar aquilo tudo na minha frente. Fiquei na espera de Vitor se comunicar comigo de novo e notei que ele era quem estava calado demais.

— Vitor, preciso sair daqui. Me ajuda! Eu disse séria e foi quando ele pigarreou  e parecia que estava em choque como eu.

— Ok, pelas câmeras do estacionamento os dois caras estão saindo e um parece que entrou sozinho em um carro comum e outro em uma limosine. Os dois guardas ainda estão no banheiro e você tem três minutos para corre daí antes que os outros passem pela porta de entrada. Ele disse calmo demais, ele ia ter um treco.

— Perfeito estou saindo, mas você ouviu não ouviu? Eu disse contendo minhas lagrimas.

— Cada palavra dita. Ele disse com a voz abafada.

— Eu sei…

Eu tirei o comunicador do meu ouvido e sai correndo para fora dali. Conforme eu ia passando pelas salas e portas alguns guardas ali me viam e começavam apitar e chamar alguns outros guardas para me pararem. Não dava para ver meu rosto então sairia dali sem problemas quanto a identidade.

Só que infelizmente ainda no mesmo corredor que eu estava o que era quase a saída do banheiro eu vi uma perna no meio do meu caminho e cai com tudo no chão. Era aquele idiota da noite passada. Eu tinha que dar um jeito nele.

— É você de ontem não é? Tira esse mascara para eu vê-la. Antes que eu acione a todos sua ladra o que tem ai? Ele disse me impedindo de levantar-me.

— Eu não tenho nada seu idiota, mas vi o que não deveria seu filhote de ogro. Eu disse o chutando também mesmo eu estando  no chão.

— Como assim? Ele disse parecendo surpreso e não saber do que eu falava.

Mas antes que eu perdesse ali, eu vi Vitor vindo até ele e como se fosse um bravo cavalheiro ele me puxou de perto do guarda e eu só esperei ele dá um baita murro no cara, mas Vitor… Bom, Vitor não era um lutador de UFC  digamos assim.

— Tome isso seu malvado! Ele disse espirrando um spray na face e olhos do guarda.

— Aaaaaaaaaaaaaaaaah o que é isso seus loucos? O guarda disse soltando cassetete e rádios no chão e se ajoelhando esfregando seus olhos.

— Vitor vai deixá-lo cego! Eu disse assustada com ele se debatendo ali.

— Não, não vou é só meu spray pra garganta. Você sabe. Meu remédio! Ele disse me puxando e saímos correndo dali.

Eu sorri rindo do cara ali no chão, mas continuei correndo com ele segurando sua mão e descemos aquelas escadas da frente da grande Sony Music e atravessamos entre os carros e buzinas e todos nos taxando e nos chegando de doidos.

Avistamos minha moto e saímos dali o mais rápido possível. Não falamos nada na volta para casa e não se quer falamos daquilo no jantar acompanhados com os pais deles, e o mais engraçado que aquilo fosse, minha mãe me ligou aquela noite perguntando como eu estava, ela tinha sentindo que eu estava em apuros horas atrás.

No calar da noite eu procurei Vitor e ele não estava estudando na garagem ele estava lá fora sentando na frente da sua casa perto do lixeiro brincando com o cachorro da vizinha e eu sabia que o quanto aquilo tinha sido chocante para mim, tinha sido para ele.

Ele só era um garoto.

— Não estamos doidos. Diga que não estamos. Eu disse em pé do lado dele e não consegui conter minhas lagrimas.

Vitor se levantou com sua face tristonha e me abraçou com toda força que tínhamos na nossa amizade. Eu não sabia por que chorava como uma criança em seus braços, só sabia que todo o meu susto e a seriedade daquela nossa aventura nos dois últimos dias, estavam escorrendo dos meus olhos naquele momento.

— Eu o ouvi ou estamos fantasiando? Ele disse chorando também e eu  não sabia o que dizer.

— Não eu vi seus pés. Será Vitor? Será que temos que nos unir aos believes? Eu falei em soluços.

Vitor pegou no meu rosto e me olhou  no fundo dos olhos.

— Não vamos nunca dar a certeza somos abençoados por presenciar isso temos que ficar para nó apenas Tila, não sabemos o que ele fez ou se é mesmo ele. Ele disse sério comigo como se não fosse mais meu amigo nerd.

— Era ele sim…Eu sussurrei pra ele serrando meus lábios para aguentar as lagrimas.

Aquilo levou mais tempo entre nós dois, até que quando a rua ficou mais calma Vitor me mostrou algo que mudaria nossa vida, bom um pouquinho. Em seus equipamentos ele tinha gravado as três músicas que jamais tínhamos ouvido antes enquanto ele estava no sistema da segurança daquele lugar.

Entramos ele retirou o áudio misturado com as imagens e lá estava o homem andando com o outro homem ao seu lado, e constatamos que era ele ou uma sócia e aquele homem ao lado dele era o tal de John Branca o advogado fantasma dele que sumia quando todos mais o queria perto de Michael, bom ele estava bem perto ali.

Depois de vermos aquilo e ouvirmos tudo o que tínhamos conseguido eu e Vitor fizemos um pacto de silencio. E aquilo foi a coisa mais séria que fiz na minha vida depois de aceitar me casar co Rogério. E ainda me lembro do corte na ponta de nossos dedões do pé e selamos eles até o sangue secar.

E ali apagamos aqueles vídeos para todo o sempre.

Faziam-se mais de cinco anos que aquilo tinha acontecido comigo e com meu amigo do coração. Vitor já tinha terminado a faculdade e trabalhava em sua área, mas nunca perdera aquele jeitinho de Nerd e mesmo eu sendo agora uma pessoa bem compromissada eu não perdia aquele meu jeito maluco com ele por perto.

— Você prometeu que ia ficar calminha se a trouxesse, então, por favor. Rogério disse ao meu ouvido enquanto eu aceitava um drink de um educado garçom que passava por mim.

Eu respirei fundo.

— Eu sei é que, faz tanto tempo que eles não lançam nada dele e eu fico tão nervosa, ora… Você sabe o que ele representa pra mim então pare com isso. Eu disse tomando o que tinha em mãos de uma vez.

— Meu amor só fique mais calma você parece que está no dia no nosso casamento novamente. Ele disse sorrindo e me dando um beijo no rosto.

— Claro, lembram-se do presente que sua mãe me deu? “Você vai se casar com a entregadora de pizzas? Deus!” pensei que ela tivesse passando mal enquanto falava. Eu disse lembrando do intrigante dia.

— Mas hoje ela lhe ama. Agora espere aqui, me chamam ali. Ele disse me dando um beijo nos lábios e indo.

Eu sorri fingindo tranquilidade e tinha que aceitar que ele era médico daquelas pessoas.  O mais engraçado era agora, eu era a senhora dele, mas não amava o meio da vida dele e para acabar com a minha tristeza ali naquela festa da Sony Music, meu amigo do coração.

Vitor nunca cortava aquele cabelo.

— Hei você veio. Eu disse me emocionando depois de vê-lo pela ultima vez dois anos atrás.

— Claro Tila, é uma festa do novo CD do nosso rei. E veja você. Ele disse me fazendo dar uma volta em sua frente.

— Nada meu tudo da loja e entreguei depois. Agora venha comigo. Você já viu como é linda a capa. Oh, eu estou arfando. Eu disse o arrastando para as fotos e CDs ali amostras.

Nós estávamos na festa da Sony, uma vez que nos infiltramos nela por pura maluquice.

— Veja onde estamos… Ninguém acreditará se contarmos que somos aqueles dois entrando aqui como dois loucos. Ele disse me fazendo abraçá-lo e lhe dar um beijo no rosto.

— Voltaria tudo de novo. Eu disse na frente de um grande quadro com foto do Michael Lindo Jackson e aquele ensaio de foto dele era o mesmo que tínhamos visto na porta da sala naquele dia da aventura.

— Ele ainda passa pra mim coragem juventude e muita genialidade. Queria tanto ter conhecido ele. Vitor disse com as mãos no bolso olhando Michael junto comigo.

Eu sorri por ver meu amigo já sendo um homem, mas mantinha seu coração de menino, um menino que sonhava em ser Michael assim como eu quando criança.

Sonhos saudáveis.

— Ah ia esquecendo veja o que recuperei. Vitor disse tirando do seu bolso minha corrente do MJ e aquilo me fez quase soltar em cima dele, chamando a atenção da burguesia de cristal ali diante de nós.

— Você a recuperou? Como cara? Eu disse contendo um grito e não parando de dar pulinhos enquanto ele colocava a corrente no meu pulso.

— Um amigo meu conhecia um amigo daquele guarda e conseguiu pegar dele e veja, esqueci esse tempo todo de te entregar. Desculpe. Ele disse rindo.

Lhe taquei um tapa na testa, como assim só me dá agora?

Aquilo nos fez sorrir.

A noite foi uma das melhores da minha ver meu amigo tão lindo e importante me fez ver que tudo que fizemos em nossas vidas valia a pena e depois que ele se foi eu me senti sozinha e nua diante de todos ali.

E ver os Jacksons não era mais nada para mim, uma vez que eles tinham aparecido ali e eu continuei admirando as faixas de Michael e as fotos inéditas até então. O CD sairia na segunda. E quando eu sozinha estava, algo caiu perto da borda do meu vestido.

— Oh, uma pequena bolsa. Eu disse me abaixando e pegando e quando levantei vi uma jovem senhora de vestido vermelho e um sorriso lindo olhando para mim.

— Me desculpe é que não consigo me abaixar com a mesma facilidade. Ela disse pegando da minha mão sua elegante bolsa. Ela estava grávida.

— Não foi nada… Senhora?

— Apenas Samanta se não se importa tire o “senhora”. Ela disse parecendo encabulada agora.

— Tudo bem. A senhora é fã dele também? Eu disse vendo ela olhar para a foto na nossa frente e sorriu como se eu tivesse dito algo obvio para ela.

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— Sim, até por demais. E você? Pelo visto o ama não é mesmo? Ela disse apontando para minha corrente. Eu escondi por instinto me sentindo sem jeito.

— Sim, ele é meu exemplo de pessoa. Sou fã mesmo. Se soubesse o que fiz para estar perto dele enquanto estava vivo ou mesmo só andar nos mesmos lugares que ele, se assustaria. Eu disse escondendo uma saudade nos meus olhos.

— Ele aprecia isso… E sua ousadia anos atrás fora impressionante.

E alguém a chamou.

Quando ela disse aquilo meus braços enfraqueceram e eu fiquei assustada com o que ela disse e meu coração disparou rapidamente e notei ela se sair para ir conversar com outra pessoa no salão, mas antes que eu fosse até ela para perguntar do que ela se referia e logo Rogério já estava ao meu lado perguntando se me sentia bem.

Não, eu não me sentia.

— Quem é ela? Eu disse apontando para ela, mas ela já parecia sair dali.

— Do que está falando? Tila quase caiu verde ao chão. Está passando mal? Sabia que não era boa ideia trazê-la isso já é fanatismo por esse homem. Ele disse segurando meu pulso e eu o empurrei.

Eu  não  olhei para os lados e nem para meu marido, eu apenas segui ela e abrindo minha bolsa eu peguei meu celular e comecei a discar o numero de Vitor, ele tinha que saber que além de nós dois, aquela senhora sabia do que tínhamos feito no passado não tão distante.

— Vitor… Ele sabe… Eu falei olhando ela atravessar a rua com um senhor alto e de paletó ao seu lado. Mais parecia um segurança.

— Tila é você? Ele disse sem entender nada.—Você está se sentindo bem? Onde está Rogério? Tila, responde! Ele disse alterado.

— Ele ainda está aqui…. Eu falei vendo ela entrar no carro e corri para ver a placa.

Mas me deparei com algo a mais do que simples pares de sapatos com brilhos e aquele tamanho perfeito que quem era MJFAM conhecia. Suas mãos grandes e perfeitas mãos fora a que puxou a porta do carro e aquela corrente vermelha fina como se fosse uma fina linha estava no braço dele e aqueles cabelos que deu para ver uns fios apenas….

Aquilo parou meu ser por completo.

— Tila você está bem sua louca me responde! Vitor gritava no telefone que notei que estava no chão e o peguei lentamente e olhei o carro luxuoso se ir.

— Lembra que eu disse que acontecesse o que acontecesse ele sempre estaria conosco? Eu disse sorrindo e ao mesmo tempo sentindo lagrimas nos olhos.

— Tila isso foi há tanto tempo… Vitor disse com uma doce voz como se o que eu falava naquele momento, fosse apenas uma vontade de voltar ao passado.

— Não Vitor o que vi agora não se refere há tanto. Bom, Baby Be Mine testando Who Is It o chama para uma nova aventura.

— Não acredito que farei isso…

Vitor parou de falar e ficou um pouco em silencio. Eu fui para o meio da rua e continuei vendo o carro lindo e longo passar pelo sinal lá longe e sumir na noite e na calada daquela escuridão das ruas de Los Angeles.

— Baby Be Mine copiou a mensagem de Who Is IT. Ele disse sorrindo e eu também.

Eu olhei para o céu estrelado e sorri chorando como uma tola e quando Rogério veio até mim disse que Vitor passaria um tempo conosco, bom ele não gostava muito, mas o segredo e o que faríamos ali depois daquela estranha presença daquela mulher era algo só meu e dele. E eu tinha certeza que eles queriam que os descobríssemos.

Talvez fosse nosso silencio mesmo tendo provas o suficiente dele, talvez fosse nós termos sidos achados depois de tanto baixar conteúdos exclusivos dos sites oficias e coisas restritas de Michael… Talvez fosse apenas alguém que estava quase se apagando que queria ascender-se de novo.

Tudo era possível uma vez que…

THE MAGIC IN THE MAGIC fosse você!!!

~FIM~

Source… Mila.

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