4. CAP. “Ser Visto”

 As luzes e a aglomeração de pessoas mais adiante indicavam que havíamos chegado afinal, não me sentia bem naquela roupa toda brilhosa e estranha.

Me parecia ser desconfortável demais, o simples tecido fino contornando o meu corpo me deixada desprotegida. E estar sem as minhas armas era como me sentir nua ali.

— Se não parar de se contorcer. Vou achar que esta tendo algo. Angeline falou se olhando no espelho.

Ela estava deslumbrante com aquelas vestes, um vestido elegante e de belo corte fazia sua pele morena reluzir e dava uma aparência angelical e sedutora a sua volta.

— Não me sinto bem com isso. Não tínhamos outra maneira de encontrá-lo? Tinha que ser vestida desta forma? Nem pude trazer nada comigo. Se eles aparecerem estamos perdidas. Eu disse chegando mais perto da entrada do evento.

Eu mal conseguia respirar de apreensão. Era como se algo me alertasse do perigo. Sempre tinha sido assim. A presença do lado oposto sempre era nítida para mim.

Por isso nunca era surpreendida nos campos de batalhas. Menos naquela vez que não pude sentir sua presença e aquilo quase me custou a existência.

Aquilo ainda me deixava insatisfeita.

— Fique calma. Vai dar tudo certo. Vamos fazer o reconhecimento da área, encontrá-lo e dar começo ao nosso plano de resgate. Angeline falou vendo eu estacionar o carro na frente do evento e olhar o manobrista vir pegar o carro com um sorriso contagiante.

— Achá-lo será o mais fácil a se fazer. É só olhar um humano cheio que pessoas a sua volta lhe paparicando. Eu disse vendo o homem abrir a porta esticar sua mão para me ajudar a descer e sorrir cortesmente.

— Deus nos ajude. Hoje você está impossível. Ela disse vendo o outro homem fazer o mesmo em sua porta.

— Não o coloque no meio disso. Se as criaturas que lhe ajudam fossem mais eficazes, não estaríamos aqui agora atrás desta alma. E quem sabe esta disputa insuportável já tivesse terminado. Eu disse dando a volta no carro e indo em sua direção e vendo os fleches das câmeras estalarem a nossa volta.

— Vamos fazer assim Aurora. Como não tem jeito mesmo, vamos fazer o nosso melhor. Sei que não esta a vontade nesta missão. Não é seu estilo de luta. E já faz milênios que não fica no meio dos homens. Mas a alma é importante. E vamos conseguir trazer ela para o nosso lado, eu acredito em você, jamais perdeu uma causa, e não vai ser agora que ira fraquejar. Ela falou me olhando no fundo dos meus olhos e me mostrando que conseguiríamos.

Eu não disse mais nada e entramos diante da mídia local. Eu tinha feito uma breve pesquisa sobre o século que estávamos, das falas mais modernas ao seu modo de vestir e agir. Não que eu fosse antiga, mas ficar afastadas da mais bela criação de Deus a séculos, tinha me deixado desatualizada.

Quando descíamos aqueles degraus gigantescos eu senti um arrepio me percorrer a espinha. E uma presença antiga e familiar parecia se fazes presente. Percorri sutilmente meus olhos mais atentos para os lados e não vi nada conhecido e logo a sensação se desfez.

— Sentiu isso? Eu perguntei olhando Angeline ver sutilmente o local.

Ela estava atenta em achar a nobre alma para podermos sair logo dali. Angeline também não gostava do que tínhamos que fazer.

— Sentir o que? Estou procurando a nossa alma. Há! Já achei! Olhe ela ali. Ela disse toda sorridente e me mostrando uma aglomeração de pessoas mais adiante.

— Então vamos acabar com isso. Eu disse dando um paço em sua direção e notei Angeline me segurar pelo braço.

— Hei! Espere Aurora. Veja. Ela apontou para duas pessoas do outro lado do salão e notei que não eram bem pessoas que estavam ali e percebi que a minha sensação era verdadeira.

Eu parei de imediato no lugar. Se resolvêssemos nos enfrentar ali aquilo seria uma tragédia. E tinha certeza que cairíamos no conceito angelical dos humanos.

— Eu sabia o que senti. Como eles o acharam tão rápido? Eu disse pegando algo que passou na bandeja do garçom e dando um gole e senti algo queimar na minha garganta.

— Eu sabia que eles viriam. Ariel já tinha dito que eles também o notaram. E devem estar aqui para a mesma finalidade que nós. O levar para o seu lado. Cabe a nos vencermos este cabo de guerra de uma forma não convencional. Angeline falou vendo eu os fitar a distancia e tocar em meu ombro com a cicatriz.

Eu tinha a sensação que já conhecia aquelas criaturas e algo antigo de tempos de batalhas me veio a mente, mas não disse nada.

— Você esta certa. Nem estamos armados. E pelo vestido que ela usa, sei que também não estão. Vamos fazer do seu jeito Angeline. Eu disse sentindo um leve toque no meu braço.

Quando me virei para trás não acreditei no que via. E tive a nítida impressão que Angeline sorria diante daquilo. Eu deveria estar mesmo com azar.

E desde que cheguei só tive problemas. Não parecia certo aquilo agora. O que ele fazia ali?

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“No meio de um salão cheio de pessoas e musica ambiente um casal nada normal circula fazendo-se ser notado”.

 

Como aquilo era diferente do que já tinha visto ultimamente. Não imaginava que o mundo do show business era assim. O glamour podia seduzir até as mais nobres almas. E podia sentir o ambiente carregado de promiscuidade e falsidade. Como era conhecida aquela sensação. Era como estar em casa 

— Sei o que sente senhora. É prazeroso não? Senis falou me entregando algo em uma taça.

— Sim. Como é que perdemos tanto tempo lutando para conseguir suas almas e o domínio se eles mesmos nos procuram? Veja em sua volta. O inferno é aqui! As pessoas mentem, manipulam, se prostituem, roubam, traem e até matam. E depois nós somos os demônios! Acho que tem alguns aqui que chega a ser mais perversos que nós. Eu disse tomando um gole do meu drink e olhando em volta.

Eu podia sentir a maldade nas pessoas. Apesar que tinha suas exceções ali também. Sempre haveria o equilíbrio entre o bem e o mal.

— Senhora. Acho que o seu objetivo foi satisfatoriamente alcançado. O amigo da nossa alma não para de olhar para a senhora. Senis falou ficando a minha frente sutilmente para não ser notado falando.

Discretamente olhei em sua direção e esbocei um leve sorriso, o meu alvo não era ele, mas se para chegar ao que eu queria tinha que começar ali, então começaria pelo homem de sorrisos largos.

— Vou pegar outro drink senhora. Senis falou retirando a taça de minhas mãos e se afastando sutilmente.

Eu sabia que o homem viria. Eles eram todos iguais, sempre previsíveis. Não tinham mudado nada em séculos.

— Olá! Vejo que se sente deslocada. De onde são? O homem falou cortesmente em minha frente.

Eu olhei em seus olhos e vi puro desejo neles ali.

— Meu amigo e eu somos do sul do país. De uma cidadezinha que creio que com sua elegância não saberia a onde fica. Eu disse vendo os seus olhos brilharem diante da voz doce e sedutora que fazia.

Eu começava a me divertir com aquilo. Ele seria fácil.

— Sei. Então o homem que está com você não é seu namorado ou marido? Fico feliz em saber. Meu nome é John Branca. Mas pode me chamar só de John. Ele falou me observando de perto e pude sentir o cheiro de luxuria vindo dele.

— Não John. Senis é meu assessor por assim dizer. Não sou casada e não tenho namorados. E meu nome é Liley. Eu disse vendo Senis nos observar de longe.

— Liley de que? Ele disse tomando um gole de sua bebida.

Eu não queria levantar suspeitas e dizer um sobrenome não seria o certo. Sabia que ele era um excelente advogado. E não queria ele nos investigando. Apesar que não acharia nada mesmo.

— Só Liley para você John. Eu disse dando um sorriso deslumbrante e notei alguém me olhar alem dele ali.

Eu tinha conseguido chama atenção da minha caça. Pude sentir seus olhos em mim. Ele parecia me desejar. Mas tinha algo em sua alma. E notei que ele era especial mesmo. Mas vi Senis se aproximar também.

— Precisamos ir. Senis falou me olhando nos olhos profundamente e notei um sinal de alerta ali.

— Mas já! Mal nos falamos! John falou parecendo aborrecido com a minha partida brusca.

— Creio que sim. Mas ficarei feliz de lhe encontrar novamente. Eu disse vendo Senis ficar atento.

— Vamos fazer assim. Tome meu telefone e me ligue. Tenho uma festa nos próximos dias na casa de um amigo. Quem sabe você gostaria de ir. John falou retirando um cartão do seu bolso e me entregando.

— Seu amigo ali quer dizer. Eu disse fazendo um sutil gesto em direção a alma que me sorria discretamente.

— Também. John falou sorrindo em minha direção depois de ver para onde eu mencionava.

Peguei o cartão me despedi e sai com Senis em direção do outro lado da sala longe das vistas da minha caça. E encarei o nosso adversário mais temido. E me surpreendi de ver quem era. Quem diria! Era ela mesma em carne e osso!

Eu podia sentir dali a sua vontade de me exterminar. Mas notei que ela também estava desarmada. Até que não ficou nada mal naqueles trajes. Sempre os vi com suas armaduras e espadas nas mãos tentando nos matar.

E chegar assim tão perto sem nos enfrentar era inédito a tempos.

Mas ela pareceu não me reconhecer de imediato. Mas com certeza se lembraria e seria mais mortal do que nunca.

Mas Já que eles nos tinham nos visto, então teríamos que ser mais prudentes em convencer a nossa alma que o nosso lado era o mais vantajoso.

Mas quando pensei que ela chegaria perto, vejo algo acontecer e notei que poderia usar aquilo como vantagem e sorri diante do desconhecido.

Enfim nos enfrentaríamos novamente, mas de uma outra forma.

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“ Dentro de um salão sufocante e com pessoas a todo tempo tentando chamar sua atenção um homem procura ser gentil”

 

Deus…….. No que me enfiei! Eu deveria estar em casa com meus filhos. E enfiado na biblioteca tecendo planos para me livrar daquelas acusações infames. Ou tentando descansar para as gravações de amanhã. Não aqui sendo alvo de olhares cheios de cobiças e interesses 

— Hei cara! De um sorriso sincero pelo menos. John falou me cutucando do lado das costelas e me fazendo olhar para ele com raiva.

Ele já estava abusando com aquilo.

— Se meus modos não lhe agradam, não posso fazer nada John. Eu disse o encarando repreensivamente, mas não pude deixar de fitar a dona do corpo mais adiante.

Era a mesma que havia descido do carro a nossa frente quando chegamos. E estava ali a poucos metros de mim.

— Não seja assim amigo. Só estou tentando lhe ajudar. John falou me olhando intrigado e seguiu os meus olhos.

Eu não pude deixar de admirá-la. Ela tinha algo diferente das outra ali. E exalava sensualidade e prazer. Seus gestos sexys chamavam atenção e notei que John havia percebido também.

— Nossa! Está ali aquela beldade! Que sorte cara! Mas tem um cara junto com ela. Será que ele é algo dela? Se for. Há cara de sorte. John falou se virando para ela e sorrindo mais do que deveria.

Eu não conseguia desviar a minha atenção da moça logo mais adiante e nem ouvia o que as pessoas insistiam em me perguntar.

— Creio que não. Olha como ela sorriu para o nosso lado. De onde ela será? Eu disse disfarçadamente e vendo o homem que a acompanhava sair de perto dela.

— Só pode ser um anjo. Olhe que mulher! John falou quase babando em minha frente e me senti de alguma forma ameaçado.

— Anjo ou não ela esta bem ali. Não posso sair daqui agora. Vá e veja o que descobre dela. Eu disse dando um empurrão discretamente em John, mas notei que nem precisava faze esforço.

 Ele só queria um pretexto para ir até ela. Que safado!

— Eu Estou indo cara. Mas é só para lhe ajudar. John falou quase correndo em sua direção e revirei os olhos de desagrado.

Era só o que me faltava. Disputar uma mulher com John, mas quando olhei ao redor notei que se não se apresasse não seria só com ele que eu teria trabalho. E sim com quase todo o evento.

Mas notei que o papo deles foi breve, pois o homem que a acompanhava logo voltou e ela me pareceu preocupada e dispensou John com rapidez e saiu com polidez.

Mas percebi que John foi esperto e deu seu cartão para ela e notei que ela sabia que era eu que me interessava por ela e sorri diante da astúcia do amigo.

Depois de algum tempo cumprimentando pessoas que me sorriam com sorrisos falsos, nos encaminhamos para a nossa mesa para apreciar a vista como dizia John e tentar achar uma que pudesse pelo menos ter algo que me desse mais vontade de cometer aquela loucura que era me comprometer com alguém.

Mas quando Chris chegou com suas belas acompanhantes eu quase cai de costas.

continue…. Kisses in your hearts

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