2. CAP. “ A chegada.”

Eu já tinha presenciado grandes acontecimentos e vividos grandes eventos através dos tempos. Cruzado imensa batalhas e tentado desesperadamente por um fim naquilo que para mim já não tinha mais propósito certo.

Mas nada se comparava a vinda a terra. Nunca mais tinha vindo ali desde que soube que era por eles que eu lutava até o fim. E mesmo assim só os via a distancia agora.

Eu não os entendia e os achava muito difíceis de compreender.

— Credo! Será que não tinha um meio mais fácil de vir aqui? Angeline falou se levantando e batendo o pó de suas roupas.

Eu a olhei toda descabelada e desalinhada e sabia que ela não gostaria de se ver em um espelho agora. Apesar de ser uma eximia espadachim, ela era bem vaidosa também.

— Não reclame. Já pensou se tivéssemos que ir até os pântanos da nova guiné! Ou o sol escaldante da África! Eu disse batendo a poeira da minha roupa.

— Nem morta! Já achei vir para este lugar encalorado de mais! Imagine cheia de lodo e mato. E aquela coisa horrenda de bichos rastejantes! Nem quando estávamos nos campos de batalhas, os demônios eram tão feios. E não desejo morrer torrada. Ela falou pegando algo no chão e abrindo.

Eu sabia do que ela se referia. Quem disse que anjos e demônios eram feios? Só dependia de como você os via.

— Não reclame tanto. Já não chega que tive que insistir com Ariel que a deixa-se vir comigo! Não sei nada de almas humanas. Então trate de achá-lo rápido. Quero sair logo daqui. Eu disse indo em direção a uma estrada a nossa frente.

Não aviamos chegado longe do destino, mas não estávamos no centro da cidade também. Angeline pegou uma mala que trousse com ela e ligou uma espécie de maquina.

— Bom. Estamos no caminho certo. Ele deve estar no evento daqui a algumas horas e vamos para lá. Ela disse caminhando do meu lado já na estrada.

Eu a olhei abismada. Como ela acharia que chegaríamos ao tal evento? A pé! E daquele jeito? Creio que a nossa aparência chamaria muita atenção.

— Se você não notou sua esperta. Creio que temos algo que não passaria despercebido se nos visem. E alem do mais. Como acha que vamos ir até lá sabe Deus a onde. Eu disse apontando para as nossas costas e parando no começo da estrada.

— Fácil querida amiga. Ariel me deu este computador moderno que tem todos os dados da nossa alma. São melhores e mais fáceis de carregar do que velhos pergaminhos empoeirados. E aqui está toda a nossa orientação de como agir e fazer as coisas. É só acessar. E como sou boa no que faço, já fiz a lição de casa. Ela disse me mostrando com alegria a sua proeza.

— Não me respondeu a pergunta Angeline. Eu falei cruzando os braços em sua frente.

Eu a vi revirar os olhos e tirar algo da tal mala.

— Tome um gole disto. Vai fazer elas se encolherem e ficarem invisíveis aos olhos humanos. Assim não saberão o que somos. E como vamos chegar lá! Está bem ali o nosso meio de locomoção. Ela disse me entregando um velho frasco com um liquido e mostrando um veículo moderno mais a diante.

Eu a olhei desconfiada, mas tomei um gole do liquido ruim e a vi fazer o mesmo.

Depois de alguns segundos se retorcendo com uma leve dor, nós nos olhamos e notamos que éramos iguais os humanos.

— Pronto. Até que não foi ruim. Ela falou se virando para ver suas costas.

— Vamos de uma vez. Quero terminar isso logo. Eu disse a pegando pelo braço e indo em direção ao veículo a nossa frente.

Como ligá-lo tinha sido uma aula rápida e já nos víamos na estrada indo em direção a cidade. A vantagem de ser algo não humano lhe dava a perspicácia e a rapidez em aprender rápido. E me parecia que Angeline sabia o que dizia.

Fomos direto ao local em que ficaríamos até a missão de resgate da alma ser concluída e iríamos em seguida ao tal evento fazer a nossa aproximação.

Tomara que a tal alma seja o que dizem. Por que não me agradava nem um pouco saber que de algum modo o outro lado também estaria a sua procura.

E nos enfrentar entre os humanos não seria nada agradável para ser visto.

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“Dentro de uma luxuosa suíte de um hotel alguém chegava também.”

 

Eu mal conseguia ver diante daquela fumaça toda. Por que daquilo afinal? Não éramos aquilo tudo que falavam de nós. Ser algo que o mundo tachou de perverso e medonho não parecia ser certo para mim.

E chegar assim, era dar mais margens a mais falatório.

— Por que isso? Faça isso parar! Eu disse tentando me livrar da fumaça ao meu redor.

Eu mal conseguia ver um palmo em minha frente e aquilo começava a me irritar.

— Calma senhora. É assim mesmo. Se tivéssemos chegado em um lugar aberto isso já tinha se dissipado. Senis falou abrindo as janela da suíte para nos livrarmos da fumaça.

— Okay. Só não quero chamar atenção. Não sei se eles já notaram a alma que vimos. Então se o fizeram, não desejo ser vista por eles ainda. Eu disse começando a enxergar melhor.

— Sim minha senhora. Senis falou vendo que a suíte ficava mais nítida aos nosso redor e notou que tínhamos vindo em grande estilo.

Até que não seria uma má idéia ficar ali por um tempo. Estar na terra era algo que a milênios eu não fazia. Nem me lembrava mais como era os humanos e seus aromas. E brincar com suas mentes era algo delirante.

Mas não podíamos mais fazer isso. Por causa de um imbecil acordo entre as potencias. Não podíamos interferir diretamente com os humanos. Então, não podíamos os manipular.

Eles tinham o tal famoso livre arbítrio. E era por isso que essa alma era tão poderosa. Ela tinha escolha.

— A que horas temos que ir ao encontro da tal alma? Eu disse me sentando no imenso sofá em minha frente cruzando os braços no alto da cabeça e olhando fixo para ele.

— Daqui a duas horas senhora. Não estamos longe do evento e creio que foi tudo providenciado para a nossa primeira aproximação. Ele falou se sentando na cadeira da mesa de centro e vendo algo em um aparelho portátil.

Eu o observei atentamente. Eu não tinha reparado nele antes. Estive tanto tempo em guerra que nem tinha percebido que meu cervo era belo. Ele tinha os traços marcantes e definidos, seus cabelos negros curtos e sedosos deixavam ele com um ar sexy e desejoso. Seus olhos negros brilhavam nas sombras da noite e se fosse considerado um humano, ele seria de tirar o fôlego.

— Algo errado senhora? Senis falou me tirando dos meus pensamentos.

— Não. Só estava pensando em que trajes vamos usar. Creio que armaduras e espadas não são desta época. Eu disse me levantando e indo em direção ao bar que tinha ali.

Pela primeira vez ser pega em devaneios não era do meu feitio. Teria que sair rápido daquele lugar. Ou temia viram um deles. E isso era o que eu não queria.

— Creio que se for aos seus aposentos senhora, vai encontrar seus trajes desta noite. Ele falou apontando para uma porta lateral.

Eu acompanhei seus gestos e foi na direção que ele me indicou e entrei. Quando entrei vi o mais deslumbrante traje. Não me lembrava de algo tão belo. Já fazia tempo que não usava nada alem de armaduras, luvas pesadas e elmos. E vestir algo tão macio e reluzente era interessante.

Não tinha noção de como aquilo iria combinar comigo. Eu era uma guerreira, não uma mulher humana. Mas afinal tinha que ser feito. Se fosse para conseguir a alma e partir. Assim o faria.

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“Olhando pela janela de seu jato particular um homem suspira triste”.

 

Deus…… Por que tudo isso? Por que não posso ter paz como tantos? Como eu desejo ser feliz com os meus. Tenho uma bela carreira. Sou amado e admirado por muitos. Mostrei o meu melhor e meu talento ao mundo. E mesmo assim as coisas desagradáveis acontecem.

Como algumas pessoas são perversas e distorcem tudo o que é feito com carinho. Só queria poder criar os meus filhos em paz. E se encontrar um amor verdadeiro nesta altura da vida, não seria de mal agrado. Enfim amaria amar de verdade.

— Hei amigo! Já estamos chegando. Desmanche essa cara de tédio. Como acha que vai encantar uma pretendente com essa cara? John falou cutucando o astro.

— Só tenho esta cara. Se não esta contente cancele tudo. Eu disse com vontade de voltar para casa e ver meus filhos.

Aquilo parecia um pesadelo. Tinha gravado o dia todo no estúdio, pegado um transito congestionado, um aeroporto cheio e um vôo cansativo até ali.

Escutado acusações ao seu respeito em um tribunal e ainda tinha este evento que me contrariava. O que queriam mais? Que eu estivesse sorrindo feliz!

— Tá bom. Sei que esta cansado. Mas vamos terminar com isso logo. Se não escolher uma hoje, pelo menos se esforce para deixar alguma em vista. Precisamos lançar alguma coisa a favor na mídia. John falou vendo o astro fazer uma careta e voltar a olhar a janela do jato.

Eu não disse mais nada, faria o que tinha que ser feito para que aquilo terminasse. Desta vez eu não cederia as chantagens. Encararia elas até o fim para provar a minha inocência. Quem sabe o sacrifício não seria em vão. Talvez ela soubesse pelo menos ser divertida um pouco.

Não tardou descemos em um aeroporto particular. Pelo menos isso. Não aguentaria aquela maratona de sempre. Fugir da mídia e dos paparazzis mais afoitos me tirava do sério. E estar já chateado e cansado me deixava irritado ainda mais.

Pegamos o carro e fomos em direção ao que para mim seria um tédio.

Estava vendo a cidade passar pelo vidro do carro quando o motorista freia bruscamente me fazendo ir direto para frente e quase bater com a cara no banco dele.

—- Que isso homem? Tá querendo nos matar? Tá certo que estamos em cima da hora, mas quero chegar vivo lá! John falou quase nos braços do segurança que sentava a sua frente.

— Desculpe senhor. É que um carro parou de soco na nossa frente. O motorista falou buzinando para o carro que parou repentinamente no sinaleiro aberto.

— Pois desvie dele. Esta porcaria deve estar estragada ou o motorista bêbado. John falou já se arrumando no banco.

Eu mal conseguia ver a nossa frente, a rua estava meia as escuras e naquela altura da noite o transito já havia diminuído bastante nas ruas de Los Angeles. Mas mesmo assim dava para ver o carro parado a nossa frente.

— Tudo bem senhor. Mas agora o sinal fechou. O motorista falou aguardando ele abrir.

Quem sabe o carro da frente não andava e ele não precisava fazer uma manobra para sair de trás do carro e seguir, pois quase havia batido nele.

— Não precisa correr Henrriy. O evento não vai fugir. Eu disse meio que sorrindo para John que me olhou desconfiado que me divertia com o atraso.

Mas naquilo desce do carro da frente algo que me chamou atenção e me deixou de olhos vidrados. E creio que não foi só a mim que ela deteve os olhares. A mulher era linda, dona de umas curvas sensacionais com aquela roupa de couro grudada em seu corpo e cheio de fivelas.

Até parecia as que eu usava na época da turnê história. Seus seios que se salientavam na parte da frente da roupa com um zíper meio aberto os mostrando sua superfície pareciam perfeitos ao toque.

Aquilo fez meu corpo reagir de uma maneira que se me levanta-se agora seria constrangedor. Notei mesmo na pouca luz que seu rosto era marcante e me parecia jovem também. Seus cabelos longos e negros pareciam flutuar quando um leve vento passou por ela, e me pareceu aborrecida com algo.

Mas naquilo o sinal abre e o som das buzinas começaram a soar alto.

— Vamos Henrriy! O meu guarda costa falou mostrando a lateral para desviarmos o carro parado e o motorista seguiu fazendo a manobra para sairmos dali.

— Hei! Pare para ajudar! Quem sabe ela precise de algo! Eu disse me virando para trás para ver ela parada no sinal aberto e os carros a desviando.

Mas ninguém pareceu me ouvir e olhei contrariado para John.

— Não olhe assim para mim. Quem mandou ficar enfurnado naquele estúdio! Já devíamos ter chegado a horas. E parar agora para ajudar aquela beldade só nos atrasaríamos mais. E pelo caro que ela tinha, ela teria ajuda logo, logo. Então sossegue ó grande benfeitor das mocinhas em apuros. John falou me vendo com a cara mais feia que já fiz.

Eu não disse uma só palavra, me afundei no banco do carro e ali fiquei em silencio até chegarmos. Já estava cheio daquilo e não parar para ajudar aquela moça me deixou mais irritado.

Então me seguraria ao máximo para não explodir de raiva e rezava que aquela noite que prometia ser infernal terminasse logo.

continue…. Kisses in your hearts….

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