9.CAP.

Eu me sentia cansada e exausta. Não imaginava que aquelas festas poderiam ser tão chatas. E eu que sai para não ficar sozinha. Deveria ter me ajuntados aos empregados e me enfiado no meio das suas canções malucas.

O sacolejar lento e calmo da carruagem era como um embalar dos braços da mamãe. Há…. Como eu sentia saudades dela.

As vezes em nosso jardim quando eu fechava os meus olhos, eu podia até sentir o seu perfume e sua presença ainda.

Como alguém tão puro e tão jovem pode se ir daquela forma? Eu ainda não havia me conformado com sua ausência e meu pai logo se foi em seguida por não suportar a solidão e me deixando sozinha neste mundo.

Dona de uma boa quantidade de terras agora era um grande partido para muitos. Mas o meu coração não desejava isso. Tinha perdido a maioria da juventude cuidando da saúde frágil da minha mãe e ter já seus vinte e seis anos, eu era considerada uma velha naquela sociedade hipócrita.

Mas eu não ligava. Não queria mesmo me envolver ou casar com alguém. Relembrar as noites de agonia e tristeza de meu pai pela ausência de minha mãe me levou a um pensamento que não queria ver o amor de perto.

Mas fui retirada dos meus pensamentos quando a carruagem deu um salto por passar em uma pedra e notei que a velocidade aumentava.

— Mas que diabos é isso? Eu disse abrindo as cortinas da carruagem e vendo o cocheiro açoitar os cavalos para irem mais depressa.

As arvores ao nosso redor passavam ligeiro, o caminho da cidade a minha casa era longo e passávamos pela estrada do lado de uma vasta floresta.

A noite de lua cheia deixava o caminho mais claro a nossa volta, mas o sacolejar da carruagem deve ter deixado a lanterna cair no chão deixando com um ar aterrador a paisagem.

Mas do que fugíamos? Não via cavalos atrás de nós?

— Do que cores homem de Deus? Vai nos matar assim! Diminua isso! Eu gritei para o cocheiro que açoitava e gritava com os cavalos mais ainda.

— Entre senhora. E por tudo que é mais sagrado. Reze a Deus. Peça a ele piedade por sua alma. Ele gritou em minha direção e açoitou mais os cavalos ainda.

Eu mal conseguia me segurar nas laterais, a carruagem corria como se estivesse desgovernada. Eu já podia ouvir os cavalos puxarem o ar com mais ênfase.

Eles estavam temendo algo. Mas logo pude ouvir um barulho enorme no teto com se algo caísse em cima dela.

Um grito abafado do meu cocheiro se fez audível e me pareceu que os cavalos diminuíam.

Meu coração disparava no peito, eu mal conseguia respirar por cauda do medo que me consumia. Deus o que era isso?  Só podia ser ladrões de estrada.

Não deveria ter me demorado na festa. Se papai estivesse vivo com certeza me repreenderia. Mas já fazia mais de um ano que não saia a parte alguma e achei que a festa de Natal na casa do lord Hughes fosse mais tranqüilizador. Pelo menos não me sentiria tão sozinha naquele castelo solitário.

Mas um novo estrondo se fez no teto e meu coração pulou novamente. Mas de onde vinha isso? Não tinha cavalos a nossa volta. Alguns barulhos e resmungos eram ouvidos e notei que algo foi jogado da carruagem.

Eu não conseguia ver nada a minha frente, os raios do luar só me revelavam uma estrada sombria em minha frente.

Mas aos poucos os cavalos mesmo agitados pararam diante de alguém que parecia estar calmo, e notei que não era meu cocheiro.

Me controlei para não gritar de pânico e respirei fundo. A pessoa desceu calmamente da carruagem e veio em minha direção. Eu não conseguia deter os meus pensamentos de sair correndo em disparada para algum lugar.

Mas com aquele vestido enorme jamais conseguiria correr muito. E logo seria apanhada.

A porta se abriu e notei com a respiração quase falha que alguém me estendia a mão para eu descer.

A exitação se fez presente, mas a mão continuava firme a me esperar. Então respirei firme e a toquei para descer.

— Espero que não tenha se ferido senhorita. Um rapaz vestindo o mais belo traje me perguntou olhando diretamente em meus olhos.

— Não senhor. Só estou um pouco assustada. O que ouve aqui? A onde está o meu cocheiro? Eu disse desviando dos seus olhos negros inebriantes e notei que meu cocheiro não estava.

Deveria ter sido ele a cair da carruagem em movimento.

— Sua carruagem foi vitima de ladrões de estrada. Creio que ele foi morto na emboscada. A sorte da senhorita que eu seguia logo em seguida. Eu notei o ataque e tentei da melhor forma ajudar. Mas creio que não cheguei a tempo de ajudá-lo. Ele falou me observando ainda assustada.

— Mas não escutei nenhum cavalo a nos seguir! De onde o senhor veio? Eu disse o fitando desconfiada.

Ele deu um sorriso deslumbrante e colocou a sua mão nos lábios para poder escondê-lo.

— Eu vim do outro lado. E com o barulho da carruagem não me viu abordar e jogar os maus feitores. Eles também não usavam cavalos. Estes ladrões vem das árvores. Por isso escolhem a floresta. Ficam sondando belas damas sozinhas. Correu um sério risco esta noite senhorita. Ele falou com a voz tão doce que cheguei a acreditar que estava sonhando.

— Fico feliz que ainda aja pessoas de bom coração. Obrigada senhorrrrr…. Eu disse esperando ele se apresentar.

— Que indelicadeza a minha. Sou Lord Jacks. Michael a seu dispor senhorita. Ele falou pegando a minha mão e levando aos lábios e a beijando com ternura.

O seu gesto me deixou ainda mais sem jeito e notei algo explodir em meu peito, seus olhos negros e profundos me encantavam e lhe davam um ar de mistério, seu sorriso quando terminou o beijo era devastador e quando o ar da noite voltou a entrar nos meus pulmões com mais serenidade, pude sentir um perfume doce e suave.

— Sou Lena Genomm. Eu disse vendo ele sorrir ainda mais.

— Sei disso. Eu a observei na festa de Natal de Lord Hughes. Mas não tive a chance de me apresentar. Saiu antes que eu fizesse tal tentativa. Por sorte estava vindo pelo mesmo caminho. Moro do lado leste de suas terras. Ele disse soltando a minha mão e me observando atentamente.

— Nas terras do Lord Sales? Mas ele morreu a um mês! E pelo que eu saiba, ele não tinha parentes. Eu disse procurando entender.

E notei que o dia se levantaria logo.

— Sim. Ele era meu tio por parte de mãe. E vim logo que soube da notícia. Agora estou morando ali até terminar os negócios que ele deixou para trás. Depois volto ao meu país. Ele disse me observando ficar intrigada.

Eu disfarcei o máximo que pude. Não queria que ele me achasse uma enxerida. Então, resolvi mudar de assunto. Afinal eu não o conhecia.

— Creio que os cavalos já se aclamaram. E o dia já chegara daqui alguns instantes. Obrigada por me salvar senhor. Creio que não saberia o que fazer sem um cocheiro e os cavalos a disparar. Eu disse sem jeito e sentido os seus olhos penetrantes em mim.

— Não tem de que. Sempre passeio nas margens do lago para ver o por do sol. Me sentiria honrado se me desse o prazer de sua companhia. Isso se não for ousadia a minha. Ele disse procurando os meus olhos ansiosos.

— Claro! Ficarei feliz em lhe fazer tal companhia. Amo ver o por do sol do lago. Eu disse vendo um homem e dois cavalos se aproximar.

— Dark vai lhe conduzir a sua casa. Eu seguirei daqui. E lhe espero amanhã para ver o por do sol comigo. Foi uma honra lhe conhecer. Ele disse pegando a minha mão novamente e a levando aos lábios e mais uma vez um beijo terno e suave se deu.

— A honra foi minha Lord Jacks. Eu disse sorrindo timidamente.

— Michael, por favor. Só Michael. Ele disse soltando a minha mão e pude ver seus olhos brilharem com o reflexo da lua.

— Okay. Michael. Eu pude falar sem poder desviar dos seus olhos e notei ele pegar a minha mão abrir a porta da carruagem me ajudar a entrar fechar a porta e fazer sinal ao homem que prontamente seguiu em frente.

Conforme a carruagem seguia seu caminho eu notei ele montar em seu cavalo me olhar por alguns segundos e seguir em direção as terras mais a diante.

Que homem misterioso era aquele para me salvar com tamanha destreza? E que olhos mais hipnotizantes! Eu não sabia o que iria acontecer com tal aproximação. Mas se era o que eu pensava o que ele queria. Iria cair logo de seu belo cavalo.

O restante do meu sono era conturbado com imagens de um passado que pensei ter esquecido e imagens de algo real agora.

Eu me acordei com um bater suave me minha porta e já imaginava que mais uma vez a noite reinava.

Continue…… Kisses in your hearts…..

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