28. CAP… “ Descobertas”

Passei os meus portões e segui a alta estrada até a onde eu deveria ir. Fui perdida em meus pensamentos olhando a paisagem e as ruas por detrás da janela escura do carro que nos conduzia.

John seguia do meu lado manipulando os seus papéis e parecendo revisar o que tinha que ser feito. Como disse, nem tudo todos precisavam saber. Manipular as informações era uma obra de arte, e uma dádiva quando era conseguida com êxito.

— Med isso aqui é o que tem que dizer. Eu já conversei com o advogado das crianças e eles chegaram depois de nós e saíram antes de nós. Como a mídia os vigia, eles não saberão que estamos ali e teremos um pouco de paz. É tudo discreto. Os seguranças como o motorista ficarão no carro até chamarmos. Vamos tentar segurar a bomba até onde pudemos, mas depois que vazar na mídia, segurem-se quem puder. John falou parecendo nervoso e com certeza ele estava.

Eu o olhei e respirei fundo. Não vou dizer que também não temia os resultados. Mas o que mais me incentivava eram os olhos de meu filho em mim. Eles me davam força para fazer esta loucura.

— Okay. Eu farei como você quer. Depois vamos aguentar a tempestade. Uma hora ela vai passar como todas que já enfrentamos. Assim certos boatos maldosos e certas certezas que alguns fãs de Michael pensam ter, irão a baixo. É constrangedor você abrir a net e ver que ainda veneram algo que pensam ser verdade. E o pior disto tudo, é que afirmam saber de seu ídolo. Isso se não bastasse certas pessoas que conhecemos se beneficiar disso para tal coisa. Será que ela ainda não percebeu que por mais que ele tenha tentado depois do acordo, ele não conseguiu amá-la? Eu disse me lembrando de um passado que não gostava de lembrar e John sabia de quem eu falava.

Ele guardou os papeis na sua maleta e me olhou sério.

— Mas você sabe que ela vai cair dura quando souber que você é a mãe de Blanket, e que você era a mulher que ele sempre protegeu de todos por amor. John falou vendo as minhas reações.

Eu não consegui reter um sorriso perverso em meus lábios. Enfim o mundo saberia que Michael Jackson era mais que humano do que muitos e que a fama de certas pessoas que ainda se considerava seu único amor, viria abaixo diante de uma imagem que muitos achavam que ela tinha.

Um ar de vingança realizada surgiu em seu ser, mas não disse nada. Só os meus olhos verdes brilhantes com tais pensamentos revelaram o que eu pensava a John.

— Eu vou amar ver isso. Enfim a vingança. Eu disse esboçando mais o meu sorriso e voltei ver as ruas que corriam pela janela lá fora.

John não disse mais nada, e foi em silencio até West Hollywood que descemos discretamente. John Branca era um homem conhecido publicamente, mas não era tão alvo assim da mídia.

Entramos pelos fundos do lugar e seguimos até a sala dos advogados depois que fomos anunciados. As crianças não tardariam a chegar e viriam sozinhas, pois sua avó já estava ciente do que aconteceria.

Mas antes de entrar na porta e ser oficialmente anuncia como mãe biológica de meu filho, John pegou a maçaneta da porta e me olhou apreensivo como se pedisse para desistir.

— Medlayne é isso mesmo que você quer? Ninguém a viu direito ainda. Ainda pode voltar e viver como sempre viveu. John falou retirando seus óculos escuros e me fitou com atenção.

Eu o olhei demoradamente e respirei fundo. E olhei a secretária do advogado nos olhar ao longe intrigada e voltei o meu olhar para John.

— Sim. Vamos em frente. Eu disse tocando no ombro de John e ele assentiu abrindo a porta e entramos.

As apresentações foram feitas e começamos a conversar, John expos quem eu era para a total perplexidade dos advogados.

Naquilo as crianças já chegaram e a reunião transcorreu normalmente. Demoramos um pouco para explicar a todos o que seria feito, mas as crianças ficaram cientes do que aconteceria.

A segurança deles seria reforçada e meu filho tinha ordens de não sair da mansão até a explosão diminuir.

Mas foi na saída deles que meu coração quase parou quando meu filho antes de passar a porta me olhou nos olhos e veio até mim diante de todos.

— Agora todos vão saber que tenho mãe? Que você é minha mãe? Que eu não sou sozinho no mundo? Meu filho falou esperando a minha resposta diante de todos.

Eu segurei as lágrimas que com certeza cairiam depois me abaixei para ficar do seu tamanho e notei a emoção tomar conta de todos.

— Sim meu amor. Todos saberão. E saiba de uma coisa. Você nunca foi sozinho. Eu sempre estive com você. Aqui. Bem guardada em seu coração. Se antes o mundo não sabia que você era meu. Agora saberão. E não ligue para o que vão dizer de mim. Só saiba que faço isso, por você. Eu disse vendo algumas lágrimas serem derramadas inclusive as dele.

— Eu a amo muito mamãe. Ele falou me envolvendo em seus braços e notei que ele respirou fundo o meu perfume.

— E eu sempre o amei. Agora vá e seja forte. Mostre para mim e seu pai que você é nosso filho. Eu disse dando um beijo demorado em seu rosto e notei ele me beijar também e sair em direção aos seus irmãos que me sorrirão de leve e saiu porta fora.

John me ajudou a sentar de volta, pois notou um leve mal estar a me dominar. Eu estava translucida como ele dizia, e atribui isso a emoção do que acontecia.

Depois do choque dos advogados em saber que as crianças sabiam da história junto com a carta da mãe de Michael e de sua amiga Diana Ross afirmando quem eu era. Eles não tinham meios de contestarem a veracidade dos fatos, então só que restava era prosseguir com tudo aquilo.

Quando os últimos detalhes foram resolvidos saímos do escritório como entramos, discretamente e sem fazer alarde.

Mas mal entrei no carro, eu escutei mais uma vez o celular gritar alto em minha bolsa. Com certeza era Michael mais uma vez. Ele estava mais ansioso e temeroso do que eu.

— Até que enfim Medlayne Jackson você atendeu este celular! A onde está? Você fugiu para a lua? Quer me matar de aflição. E cadê John? Nem ele me atende a porcaria daquele celular! Michael gritava do outro lado da linha.

Eu afastei o celular do meu ouvido enquanto escutava ele resmungar alto do outro lado da linha e olhei John verificar as chamadas.

— Deus! Ele não muda nunca. John falou vendo as chamadas perdidas do seu celular.

 Eu respirei fundo e voltei a minha atenção para as ruas lá fora.

— Está tudo bem Michael. Estamos voltando para casa. Quando eu chegar eu lhe explico tudo. Só me deixe chegar. Eu disse me sentindo cansada agora.

— Okay Medlayne. Eu quero mesmo ouvir as suas explicações. Nós temos muito o que conversar. Eu estou bem aqui quietinho a lhe esperar. Michael falou se despedindo e desligou.

Eu desliguei o celular e olhei para John intrigada. Algo acontecia, e o modo como Michael me falou me indicava que eu estava com sérios problemas. Mas qual?

— O que foi Med? Aquele mal educado e mimado homem foi rude com você? Se ele foi, não ligue. Ele é assim mesmo, você sabe. Veja só como ele me trata. Nem queira saber o que ele diz nas mensagens que ele me mandou só neste tempo que estivemos fora. John falou ainda verificando o seu celular abismado.

— Não John. Michael só é ele mesmo conosco. Sem máscara e sem mistério. E eu prefiro assim. Eu disse sem desviar os meus olhos do que via e fui perdida em meus pensamentos até em casa.

Mas quando cruzei a porta da sala principal eu dou de cara com um astro pop com sua face mais feia para mim e com um envelope nas mãos.

O que será que tinha causado tal olhar enfurecido? E tinha certeza que descobriria já, já.

continue…. Kisses in your hearts…..

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