6.CAP.

Deitada inerte em lindos lençóis de ceda pura, em uma imensa cama de estilo vitoriano do século XV com suas colunas de carvalho trabalhadas em madeira envelhecida com cortinas de um veludo grosso adornando em toda a sua extensão e com lindas rendas francesas, eu adormecia profundamente.

O quarto era totalmente escuro e silencioso. Não havia uma fresta que pudesse entrar a luz do dia. Por mais que ele fosse o mais luxuoso e o mais alto daquela mansão.

Éramos antigos, mas não éramos múmias.

O tempo quando adormecíamos era sombrio. Velhas lembranças do passado antigo se misturavam a lembranças dos atuais tempos. Nossos atos mais profundos submergia em uma velocidade nada generosas as vezes. E uma confusão se formava em sua mente.

Mas a tempos eu tinha o mesmo sonho.

Acordar assustada e sem entender o que fazia sozinha em um mausoléu a noite na velha Rússia me assustava ainda. Eu não conseguia me lembrar de nada antes deste tempo.

Não me recordava como fui parar ali e nem como tinha ficado daquela forma. Mas uma sede me consumia as entranhas. A boca seca e uma vontade insana de saciá-la percorria a minhas veias, os sons ficavam mais altos a ponto de me causar fortes dores de ouvido, um cheiro insuportável de carne em decomposição me causava náuseas, a os meus olhos ardiam com algumas poucas luzes fracas vinda de algumas tochas mais adiante da vila a minha frente.

Me levantei com dificuldade, me sentei na beirada do velho túmulo e senti uma forte dor no meu pescoço. Coloquei a minha mão e constatei que havia uma leve atadura com um lenço de seda que continha um perfume forte e doce.

O que eu fazia ali? E daquela forma? Não conseguia me lembrar de nada por mais que me esforça-se. Era como se eu não existisse antes daquela noite.

Escutei algumas vozes mais adiantes vinda de uma estrada ao norte. Alguém se aproximava. Olhei para os lados e não via ninguém naquele breu todo.

Mas um cheiro forte e que parecia saboroso e muito irresistível me atingiu em cheio como jamais visto.

Me levantei sem almenos tropeçar e segui o cheiro e as vozes entre os túmulos mal cheirosos que existiam ali. Aquilo me atraia. Conforme eu chegava mais perto dos sons eu podia ouvir seus corações bater mais fortes e firmes.

O som de suas respirações em excitação e até o suor que brotava de suas peles eu podia sentir.

Mas algo me assustou ainda mais quando estava quase a alguns passos daquele casal que se acariciava encostado na parede do velho cemitério.

O cheiro daquilo era irresistível, e me deixou paralisada em pé diante das sombras a observar o casal que pareceu não notar a minha presença.

Eu podia ouvir nitidamente o sangue fresco percorrer as suas veias. E com ele sendo bombeado pelos seus corpos ainda jovens.

Deus o que era aquilo que sentia? Eu mal conseguia me conter no lugar. Era como um manjar oferecido aos velhos deuses antigos.

O mais puro doce. E minha garganta ardeu.

Dei mais alguns passos adiante na escuridão e sem perceber um galho deu um estalo e denunciou a minha presença.

— Quem está ai? A voz do rapaz pareceu grave quando olhou em minha direção nas sombras perto da porta do cemitério.

Mas não havia me visto. Meu vestido sofisticado e escuro para aquela época, me ocultava de sua visão.

— Vamos em borá Dimitre. Aqui não é um bom lugar. Estou com medo. A moça que se arrumava rapidamente fez seu coração disparar e seu sangue correr mais rápido.

Eu mal conseguia me segurar no lugar de volta. Mas temia o que poderia fazer.

— Esqueça Bert. Deve ser uma coruja atrás de caça. Vamos voltar ao que nos interessa. O rapaz que estava totalmente excitado voltou a investir com vigor a moça a sua frente.

Mas ele não teve tempo de concluir o ato, eu investi de uma forma rápida e mortal nos dois e só parei quando a sede parou um instante os deixando sem vida inerte aos meus pés.

Eu me afastei incrédula com o que tinha feito e limpei a minha boca e minhas mãos toda suja de sangue na barra do meu vestido vitoriano.

Mas a sede não havia passado. Deus! O que eu era agora? Por que fiz aquilo? Jamais cometi tal atrocidade. Deus só podia ter me castigado. Eu era um monstro.

Mas quando me virei para sair dali dei de cara com alguém a me observar.

— Mas que coisa feia. E que porquice é essa? Deve ser mais discreta. Não deixamos rastro mon cher. E não precisa estraçalhar seu jantar. Tem que ter classe. Não queremos chamar atenção. Não! Um homem todo elegante e com uma capa negra veio em minha direção pegou os dois corpos e jogou a uma boa distancia no meio da floresta.

— Quem é você? Eu disse sentindo um cheiro estranho e algo como se fosse um sistema de alerta gritar em meu peito.

Eu o temia, e não sabia o por que.

— Que coisa deselegante da minha parte. Eu sou Audrey mon Cher. Seu tutor. Ele falou chegando a centímetros do meu rosto e sorriu com um sorriso devastador.

Eu dei um passo para trás em minha defensiva, mas ele pegou a minha mão numa rapidez impressionante e a beijou com graciosidade.

— Não tema. Sei que esta confusa. Mas vou explicar tudo o que desejar. Mas agora vamos a primeira lição. Vamos nos alimentar sem deixar rastro. Ele disse me abraçando e me conduzindo a primeira de muitas lições a se aprender quando já não se é mais humana.

O tempo passou devagar e dolorosamente. Audrey me ensinou com uma certa paciência a ser o que eu era agora. Do seu modo Frances e sedutor me ensinou a jamais ser vista, pega e manter a minha cabeça no lugar e não virar pó. Me ensinou a manusear a espada que mandou fazer para mim e a me defender de todos.

O sol nos levava a morte como a remoção da nossa bela cabeça. Cruzes, água benta e estacas eram mitos antigos. Mas sua fé poderia nos ferir como a arma que havia me atingido no beco. Mas sarávamos com uma rapidez espantosa.

Éramos mais que ágeis. Sentíamos a presença de longe de outros seres como nós. Podíamos usar a hipnose em outros seres, menos os da nossa própria espécie.

Tínhamos uma força fora do comum. Mas éramos exentos de sentimentos humanos. Como amor e ódio. Agíamos por instinto de predador. Como o mais terrível caçador, a nossa sede por sangue era devastadora.

Mas aprendi a controlar e conter até poder me saciar sem chamar atenção. Audrey me ensinou a nunca matar, e sim só se alimentar do necessário.

Não envelhecíamos. O nosso corpo parava no tempo exato em que fomos criados. Então, eu seria para sempre uma bela jovem com seus vinte seis anos.

Durante sáculos aprendi tudo que ele havia me ensinado. Audrey tinha me dito que era meu criador. Mas algo me dizia que ele me escondia informações. Quando resolvi que já havia chegado a hora de ter as respostas exatas.

Ele simplesmente sumiu sem deixar rastros.

Procurei por ele durante anos sozinha. Até me cansar e desistir. Ele havia feito a sua parte. Me gerou, me ensinou a sobreviver e jamais morrer.

Continue…. Kisses in your hearts…

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