Matéria e entrevista de Michael Jackson à Ebony 2007

 

Sentado a um sofá, Michael Jackson, pode-se ver rapidamente a luz do
enigmático ícone da pele translúcida e dar-se conta de que esta lenda
afro-americana é mais que superficial. Mais que um artista, mais que um
cantor e bailarino, o pai adulto de três filhos revela um homem
confiante, controlado e maduro que ainda tem muita criatividade por
dentro.

Michael Joseph Jackson estremeceu o mundo em dezembro de 1982,
quando rompeu a cena da música pop com “Thriller”, o rico, enigmático,
pegajoso álbum que introduziu muitos objetivos a um talento que a
maioria dos negros sabia há décadas, e lançou pela terra quase todos os
records da indústria discográfica do planeta. O histórico projeto foi
outro passo em uma carreira musical que começou 18 anos antes, à idade
de 6, com seus irmãos os Jackson 5.

Em sua primeira grande entrevista a uma revista norte-americana em
uma década e ao 25° aniversário de “Thriller”, Jackson reuniu-se com a
Ebony para uma íntima e exclusiva conversa sobre “Thriller”, a
histórica atuação no Motown 25, ser pai, o estado da indústria musical
e a força por trás de sua criatividade.

Aqui está Michael Jackson, em suas próprias palavras…

Ebony: como tudo começou?

MJ.: Motown estava preparando-se para fazer um filme chamado The
Wiz… E Quincy seria o homem que faria a música. Eu sabia disso antes
dele. Quando eu, ainda criança, estava em Indiana, meu pai normalmente
saía para comprar álbuns de jazz, portanto ele era conhecido como
músico de jazz. Então, depois de fazer o filme ? durante a rodagem
fizemos muitos amigos, também; ele ajudou-me a compreender certas
palavras, era realmente como um pai ? chamei-o depois do filme, sendo
totalmente sincero, porque sou uma pessoa tímida, especialmente então,
nem sequer olhava as pessoas quando falavam. E eu lhe disse: ‘estou
preparado para fazer um álbum. Creio… você poderia me recomendar
alguém que esteja interessado em produzi-lo ou que trabalhe comigo?’.
Ele deu uma pausa e disse: ‘porque você não me permite fazê-lo?’, e eu
disse a mim mesmo: ‘não sei por que não pensei nisso antes’.
Possivelmente porque pensava que era mais que um pai, mais jazzístico.
Assim quando disse isso, pensei ‘Wow, isso seria fantástico’. Seria
genial trabalhar com Quincy, ele deixa você fazer suas coisas. Não se
mete no caminho. Portanto, a primeira coisa que fiz com ele foi ‘Off
The Wal’, o nosso primeiro álbum, e Rod Temperton entrou em estúdio, e
veio com este tema – … ‘doop, dakka doop, dakka dakka dakka doop’,
toda esta melodia e os coros, ‘Rock With You’. Eu disse: ‘Wow!’, assim
que escutei aquilo pensei, ‘Ok, realmente tenho que trabalhar agora’. A
cada vez que Rod me apresentava algo, eu apresentava algo e ambos
formamos uma pequena e amigável competição. Gosto de trabalhar assim.
Ele normalmente fazia como fazia Walt Disney: se estavam trabalhando em
Bambi, ou em um filme animado, eles colocavam um cervo no meio da sala
e faziam os animadores competirem-se com diferentes estilos de desenho.
Aquele que realizava o efeito mais estilizado que Walt gostou, é o
escolhido. Era como uma competição, algo amistoso, mas era uma
competição, porque precisava de um maior esforço. Assim quando Rod
trazia algo, eu também trazia, e continuava assim. Criamos maravilhas.

Ebony: Então, depois de “Off The Wall”, na primavera de 82, você voltou ao estúdio para trabalhar em “Thriller”?

MJ.: Depois de ‘Off The Wall’, tínhamos todos esse números 1 ?
‘Dont Stop ‘Til You Get Enough’, ‘Rock With You’, ‘She’s Out Of My
Life’, ‘Workin’ Day And Night’ ? e fomos nomeados ao Grammy, mas eu não
estava contente por como ocorreu tudo, porque queria fazer muito mais,
apresentar muito mais, por mais de minha alma e coração nele.

Enony: Foi um ponto de transição para você?

MJ.: Uma completa transição. Desde que era um garoto, estudava
composição. E foi Tchaikovsky que mais me influenciou. Se você toma um
álbum como o Suite do quebra-nozes, todos os temas serão ótimos, cada
um. Portanto disse a mim mesmo, ‘porque não fazemos um álbum pop onde
cada…’ ? a gente faz discos onde há um bom tema e o resto são como
caras B. As chamam de ‘canções de álbum’ ? e disse a mim mesmo, ‘porque
cada uma das canções não pode ser um êxito? Porque cada música não pode
ser tão boa quanto para as pessoas que as compram se editarmos como
single?’ É desse jeito que tento fazer. Esse era meu propósito para o
próximo disco. Essa era a idéia principal. Queria sacar todas as que
quisermos. Trabalharei duro para ele.

Ebony: Então, o processo criativo, você o delibera ou ele simplesmente acontece?

MJ.: Não, fui bastante deliberado. Até por tudo que vem junto de
alguma forma, conscientemente, se cria no universo, mas, uma vez a
química adequada dentro na sala, a mágica acontece. Tem que fazê-lo. É
como por certos elementos em um extremo e isso produz magia em outro. É
ciência. E chegando lá com as melhores pessoas, é simplesmente
maravilhoso.

Quincy me chamava de ‘Smelly’ (Cheiroso). Smelly vinha de ? e Spielberg
também me chamava assim. Então especialmente ? Agora digo algumas
palavras de juras ? mas especialmente então, não dizia nenhuma palavra.
Assim que dizia, ‘Esta é uma canção ‘cheirosa”. Isso significava, ‘é
genial’. Portanto me chamavam de ‘Smelly’.

Mas se, trabalhar com Quincy era algo maravilhoso. Ele te deixava
experimentar, fazer suas coisas, e era tão gênio que ficava fora do
caminho da música, e se houvesse algum elemento para adicionar, ele o
adicionava. E escutava esses pequenos detalhes. Como, por exemplo, em
‘Billie Jean’, eu tive de conseguir o som do baixo, e a melodia e toda
a composição, Mas, escutando-o, ele acrescentou outra frase musical
muito bonita…

Trabalhamos em uma canção e logo nos juntávamos em sua casa,
colocávamos o que tínhamos trabalhado, e ele dizia ‘Smelly deixa que
ela fale’. Eu lhe dizia ‘Ok’. Respondia-me, ‘Se a canção necessita de
algo, ela te dirá’. Aprendi a fazê-lo. A chave para ser um compositor
maravilhoso não é compor. É só você sair do caminho. Deixar o lugar
para que Deus entre na sala. E quando escrevo algo que sei que é bom,
ajoelho-me e dou graças. Obrigado Jeová!

Ebony: Qual foi a última vez que você teve esse sentimento?

MJ.: Bom, recentemente. Sempre estou compondo. Quando você sabe que
é bom, às vezes sente algo que está se aproximando, uma gestação que é
quase como uma gravidez ou algo do tipo. Você se emociona, e começa a
sentir que algo está em gestação e, magia, aí está! É uma explosão de
algo que é tão bonita, você diz Wow! Aí está. Assim é como flui. É algo
bonito. É um universo do qual se pode entrar, com essas 12 notas… O
que faço quando estou compondo é uma versão avulsa, desnuda, só para
ouvir os coros, só para ver o quanto gosto deles. Se eu gosto desta
versão primitiva, então sei que funcionará… Ouvi-lo, isso é em casa.
Janet, Randy, e eu… Janet e eu fazemos: ‘Whoo, whoo… whoo,
whoo…’, é o que faço, o mesmo processo para cada canção. É a melodia,
a melodia é o mais importante. Se ela entra em mim, se eu gostar, então
vou para o passo seguinte. Se soar bem em minha cabeça, logo soará
melhor quando eu acabar. A idéia é transcrever o que está em sua mente
a uma fita. Se você pegar uma música como ‘Billie Jean’, onde a linha
de baixo é a parte proeminente e dominante, o protagonista da canção, é
a frase principal que você escuta e conseguir o caráter desta frase,
fazer com ela seja o que quiser, é algo que leva muito tempo. Escute,
você está ouvindo quatro baixos, fazendo quatro personalidades
diferentes, e isso lhe dá personalidade. Mas requer muito trabalho.

Ebony: Outro grande momento foi a apresentação no Motown 25…

MJ.: Eu estava em estúdio editando ‘Beat It’, e por alguma razão
resultou que eu estava fazendo nos estúdios da Motown ? e fazia muito
tempo que eu havia abandonado a companhia. Eles estavam preparando algo
para eu fazer no aniversário da Motown, e Berry Gordy me perguntou se
eu queria performar no show, e lhe disse ‘NÃO’. Disse-lhe que não.
Disse-lhe que não porque ‘Thriller’ eu estava construindo e criando
algo que eu queria fazer, e ele respondeu ‘Mas é o aniversário…’,
assim que me disse isso eu respondi, ‘O farei, mas a única forma para
que eu aceite é se me deixar cantar uma canção que não seja da Motown’.
Ele me disse ‘Qual é?’, ‘Billie Jean’, respondi. Ele concordou. E eu
disse ‘De verdade, me deixará cantar ‘Billie Jean’?’, ele disse ‘Sim’.
Assim, ensaiei e criei a coreografia e vesti a meus irmãos e escolhi as
canções e escolhi o medley. E não só isso, tem que trabalhar com os
ângulos da câmera. Dirijo e edito tudo. Cada plano que vê é meu.

Ebony: Quanto tempo você leva criando esses elementos?

MJ.: Desde que eu era um garoto, com meu irmãos. Meu pai dizia: ‘ensina-os, Michael, ensina-os’.

Ebony: Alguma vez eles sentiram ciúmes?

MJ.: Eles nunca admitiram em seus dias, mas devia ser duro, porque a
mim nunca me pegaram durante as práticas ou ensaios (risos). Mas depois
é quando me encontrava em problemas (risos). É certo, então é quando eu
recebia. Meu pai normalmente passava o ensaio com o cinturão na mão.
Você não podia errar. Meu pai era um gênio na hora de nos ensinar como
se comportar no cenário, como trabalhar com o público, antecipando o
seguinte que tínhamos que fazer, ou não deixando nunca o público notar
se estávamos sofrendo, ou se algo ia mal. Para isso era incrível.

Ebony: Quando ele pensava que não só você tinha um grande sentido para o negócio, como controlar o pacote inteiro?

MJ.: Absolutamente. Do meu pai, a experiência; mas aprendi muito do
meu pai. Ele tinha um grupo chamado The Falcons. Eles vinham e tocavam
música, sempre, portanto sempre tivemos a música e a dança. Ele é este
aspecto cultural que tem as pessoas negras. Separamos toda a mobília,
aumentamos a música… Quando chega a gente, o mundo inteiro está em
meio do piso, você tem de fazer algo. Eu amava.

Ebony: O que as suas crianças fazem agora?

MJ.: Eles fazem-no, mas são tímidos. Porém às vezes eles fazem-no pra mim.

Ebony: Falando de ser um artista: a MTV não exibia nada de tipos negros. Como isso te afetou?

MJ.: Diziam que não podiam (artistas negros). Partia-me o coração, mas
ao mesmo tempo acendeu algo em mim. Eu dizia a mim mesmo: ‘Tenho que
fazer algo que eles…’ Simplesmente ignorei. E ‘Billie Jean’,
disseram, ‘não podemos’. Mas quando colocaram, conseguiram um recorde
mundial. Logo começaram a me pedir tudo que tínhamos. Chamaram na nossa
porta. Logo chegou Prince, abriu a porta para Prince e o resto dos
artistas negros. Eram 24 horas de heavy metal, um simples poutporri de
imagens loucas… Vieram a mim muitas vezes no passado e disseram,
‘Michael, se não fosse você, não existiria a MTV’. Isso me disseram,
uma e outra vez, pessoalmente. Suponho que eles não foram escutados
nesse momento… Mas estou seguro que não o faziam com pura malícia
(risos).

Ebony: Isso deu a luz para a era moderna do vídeo…

MJ.: Ele normalmente assistia a MTV. Meu irmão (Jackie), nunca me
esquecerei, ele me disse: ‘Michael, você precisa ver este canal. Meu
Deus é a melhor idéia. Colocam música 24 horas… 24 horas ao dia!’, e
eu respondi: ‘Deixe-me ver’. E estou vendo-o, vendo tudo que eles
colocavam e o que diziam ‘se só eles dessem um pouco mais de
entretenimento, história, um pouco mais de dança, estou seguro de que a
gente gostaria mais’. Portanto eu disse a mim, quando vou fazer algo,
ele tem que ter uma história ? um começo, meio e um fim ? par que eles
possam continuar como um argumento linear; tem de haver um sentido.
Assim enquanto você está vendo o valor que proporciona ao
entretenimento, você se pergunta o que vai acontecer. Foi assim que
comecei a experimentar com ‘Thriller’, ‘The Way You Make Me Feel’,
‘Bad’ e ‘Smooth Criminal’, e dirigindo e escrevendo.

Ebony: O que você pensa sobre o estado da música e dos vídeos de hoje?

MJ.: A indústria está em uma encruzilhada. Está acontecendo uma
transformação. As pessoas estão confusas, o que vai acontecer, como
distribuir e vender música. Creio que a internet lançou pessoas de
alguma forma a um giro real. Porque é muito poderoso, as crianças
adoram. Todo o mundo está em seus dedos, em seu colo. Tudo que querem
saber, com quem quiser se comunicar, qualquer música, qualquer filme…
Isto concedeu a todo o mundo um grande giro. Agora mesmo, todos esses
acordos com Starbucks, com Wal-Mart, diretamente com o artista, não sei
se esta é a solução. Acredito que a solução é simplesmente a música
fenomenal, a grande música. Chegar às massas. Creio que a gente segue
buscando. Tampouco há uma evolução real da música funcionando
atualmente. Mas quando chega, a pessoa romperá as barreiras para
consegui-la. Quero dizer, porque antes de ‘Thriller’, estava um pouco
igual. As pessoas não compravam música. Ele ajudou as pessoas voltarem
às lojas. Assim quando acontece, acontecerá.

Ebony: Quem te impressiona?

MJ.: Quanto a ser artista, creio que o Ne-Yo está fazendo
maravilhosamente. Mas tem um sentimento muito Michael Jackson, também.
Porém isso é o que eu gosto nele. Posso dizer que é um jovem que
compreende a composição.

Ebony: Você trabalha com esses jovens artistas?

MJ.: Claro. Se for uma grande canção, é uma grande canção. Muita
das idéias mais geniosas vem das pessoas comuns, que simplesmente
dizem: ‘porque você não prova isso?’, Podia ser uma grande, portanto
você deve tentá-lo. Chris Brown é maravilhoso. Akon é um artista
maravilhoso. Sempre quero fazer música que inspire ou influencie outra
geração. O que você cria tem que ter vida, seja uma escultura ou um
quadro ou música. Como disse Michelangelo, ‘sei que o criador vai, mas
seu trabalho sobreviverá. Por isso há de escapar da morte, eu tento
unir minha alma a meu trabalho’. E assim é como me sinto. Dou tudo para
meu trabalho.

Ebony: Como você se sente sabendo que mudou a história? Você pensa muito nisso?

MJ.: Se, eu o fizer, realmente o faço. Estou muito orgulhoso de ter
aberto portas, isso ajudou a puxar muitas coisas. Viajando ao redor do
mundo, fazendo turnês, em estádios, você vê a influência da música.
Quando olha desde o cenário, até onde aonde a vista alcança você vê as
pessoas. E isso é um sentimento maravilhoso, mas chega com muita dor,
com muita dor.

Ebony: Porque diz isso?

MJ.: Quando você está no mais alto nível de seu jogo, quando é o
pioneiro, as pessoas vão até você. Está lá, quem está no mais alto?
Você quer ir por ele. Mas me sinto agradecido, todos esses records
superados, desde os maiores álbuns até todos esses números 1, e ainda
sou agradecido. Sou um tipo que se sentava em um salão para ouvir Ray
Charles quando o meu pai o colocava. Minha mãe só me despertava às 3 da
manhã, ‘Michael, está na TV, está na TV!’ Eu corria e ali estava James
Brown na televisão. Eu dizia: ‘Isso é o que eu quero fazer’.

Ebony: Podemos esperar mais de Michael Jackson?

MJ.: Estou compondo muito material agora mesmo. Vou ao estúdio
diariamente. Creio que agora é o momento do rap, quando saiu a
princípio, sempre senti que ele tinha que tomar uma estrutura mais
melódica para fazer mais universal, porque nem todo o mundo fala inglês
(risos). E você está limitado ao seu país. Porém quando você tem uma
melodia, e todo o mundo pode cantarolá-la, é quando chega à França, ao
Oriente Médio, a todas as partes! Agora está em todo o mundo porque há
melodia, uma estrutura linear. Você tem de ser capaz de cantarolar,
desde um agricultor da Irlanda a senhora que limpa os banheiros em
Harlem. Você tem de ser capaz de cantarolá-la.

Ebony: Então, você está quase aos 50 anos. Você crê que estará fazendo isto aos 80?

MJ: A verdade é que, hummm, não. Não da forma que fizeram James
Brown e Jackie Wilson. Eles sempre saiam, correndo, matando-se. Em
minha opinião, ele desejava (Brown) ter baixado o ritmo e relaxado e
desfrutado de seu árduo trabalho.

Ebony: Você voltará a sair em turnê?

MJ.: Não quero turnês longas. Mas o que eu gosto das turnês é que
afinam com beleza a arte de um. Isso é o que eu gosto da Broadway, por
isso os atores vão a Broadway, para polir suas habilidades. Assim se
consegue. Porque leva anos para chegar a ser um grande artista. Anos.
Você não pode sacar simplesmente a um tipo de nada e lançar-se aí fora
e esperar que esta pessoa compita com outra pessoa. Não funcionará
jamais. E o público sabe; podem vê-lo. A forma em que gesticulam suas
mãos, a moção do corpo, a forma em que maneja o micro, ou a forma em
que se inclinam. Podem vê-lo diretamente. Por exemplo, Stevie Wonder é
um profeta da música. É outra das pessoas as quais devo dar crédito.
Sempre disse a mim mesmo: ‘Tenho que compor mais’. Eu só via o (os
produtores) Gamble, Huff, Hal Davis e The Corporation escrevendo todos
esses êxitos para os Jackson 5 e realmente eu queria estudar a
anatomia. O que fazíamos era só cantar a canção quando a terminavam.
Enfadava-me, pois eu queria vê-los fazerem à canção. Logo me deram
‘ABC’ quando estava pronta. Ou ‘I Want You Back’ ou ‘The Love You
Save’. Eu queria experimentar todos. Então Stevie Wonder me deixava
sentar ali como uma mosca na parede. Vi como compunha ‘Songs In The Key
Of Life’, um de seus trabalhos dourados. Sentava-me com Marvin Gaye
e… E esse podia ser daqueles que ia a nossa casa jogar uma partida de
basquetebol com meus irmãos durante o fim de semana. Sempre tínhamos
essas pessoas ao redor. Assim que quando realmente você pode ver a
ciência, a anatomia e a estrutura de como funciona tudo, é simplesmente
maravilhoso.

Ebony: Então, você joga em um cenário musical. Como você vê a forma do mundo atual?

MJ.: Estou muito preocupado pelo grave impacto do fenômeno do
aquecimento global. Eu sabia que chagaria, mas desejava que ele
recebesse antes o interesse das pessoas. Mas nunca é tarde. Eu o
descrevo como um trem incontrolado; se não o pararmos, ele não voltará
atrás. Portanto é necessário pará-lo. Agora. Isso é o que eu tentava
fazer com ‘Earth Song’, ‘Heal The World’, ‘We Are The World’,
escrevendo essas canções para abrir a consciência das pessoas. Eu
gostaria que eles escutassem cada palavra.

Ebony: Qual sua opinião sobre a nova corrida presidencial? Hillary, Barack?

MJ.: Vou dizer a verdade, não acompanho essas coisas. Fomos criados
para não… não buscarmos qual homem ficará com os problemas do mundo,
não o fazemos. Eles não podem. É como eu o vejo. Está acima de nós.
Veja, não podemos controlar os mares, eles podem converter-se em
tsunamis. Não podemos controlar os céus, aí estão os temporais. Estamos
nas mãos de Deus. Creio que o homem deveria tomar isto em consideração.
Só desejo que possam fazer mais pelos bebês e as crianças, ajudá-las
mais. Isso seria genial, não?

Ebony: Falando de bebês, agora como pai, voltando 25 anos. Qual é a diferença entre aquele Michael e o Michael de hoje?

MJ.: Esse Michael é provavelmente o mesmo Michael que viu. Só
queria primeiramente conseguir certas coisas. Mas sempre tive esse
impulso atrás da cabeça, as coisas que queria fazer, criar os meus
filhos, ter filhos. Estou desfrutando muitos.

Ebony: O que você pensa sobre tudo que dizem por aí sobre sua pessoa?

MJ.: Não presto atenção. Em minha opinião, é ignorância.
Normalmente não está baseado em verdades. Está baseado em mitos. O tipo
que você não pode ver. Cada comunidade tem o tipo que não pode ver,
portanto você cria rumores sobre ele. Você ouve todas essas histórias
sobre ele, há um mito sobre isso ou aquilo. As pessoas estão loucas! Eu
só quero fazer música maravilhosa.

Mas voltando a Motown 25, uma das coisas que mais me comoveu foi
que, depois de terminar a atuação. Estavam Marvin Gaye nas laterais, os
Temptations, Smokey Robinson e meus irmãos, me abraçaram me beijaram e
me agarraram. Richard Pryor se aproximou e me disse (com a voz
tranqüila): ‘esta é a melhor atuação que já vi em minha vida’. Esse foi
meu prêmio. Essas eram as pessoas que, quando eu era criança em
Indiana, só escutava a Marvin Gaye, The Temptations, e tê-los me dando
esse tipo de aprecio, me senti honrado. Logo, no dia seguinte, Fred
Astaire me chamou e disse: ‘te vi a noite, e eu gravei, e voltarei a
vê-lo está manhã. Você é um demônio de bailarino. Você bateu fundo no
seu público ontem à noite!’ Mais tarde quando vi Fred Astaire, ele me
fez com os dedos (Michael imita com dois de seus dedos um moonwalk
sobre a palma de sua outra mão). Recordo a atuação claramente, e me
lembro que estava muito enfadado comigo mesmo porque não era o que eu
queria. Eu queria fazer mais. Havia um garoto no backstage vestido com
um pequeno smoking, ele me olhou e me disse (com uma voz de assombro);
‘quem te ensinou a mover-se assim?’ (risos) E eu lhe disse: ‘suponho
que Deus… e os ensaios’.

MITOS, RUMORES E INSINUAÇÕES

Desde que Michael Jackson pisou no cenário do mundo, foi perseguido
por rumores e lendas urbanas, algumas verdadeiras, a maioria falsas.
Desde a história de que dormia em uma câmara hiperbárica (falsa), até
os recentes rumores de que se mudará para o Oriente Médio (também
falso), a equipe do Rei do Pop tem estado ocupada derrubando mitos.
Aqui estão alguns dos últimos rumores que assolam pela internet:

RUMOR: Michael Jackson se casou secretamente com a babá de seus filhos. (National Enquirer)

O FATO: Não é certo, segundo sua porta-voz. Os documentos
imobiliários que o apresentam como “homem casado” foram classificados
como “falsos”. Ele já casou e divorciou-se duas vezes, uma com Lisa
Marie Presley e outra com Debbie Rowe, a mãe de dois dos seus filhos.

RUMOR: Michael Jackson estava de mudança para Dubai e Bahrein e estava vivendo em Dubai.

O FATO: Falso. Entretanto Jackson visitou Dubai e Bahrein muitas
vezes, antes, estava hospedado em um grande terreno próximo a Dublin,
Irlanda, durante um ano e meio (acredita-se que a Irlanda tem leis
favoráveis sobre impostos). Recentemente ele voltou aos Estados Unidos
e está vivendo na Costa Leste, segundo sua porta-voz, e procura por uma
propriedade de verão em Maryland. Também esteve olhando casas em Las
Vegas.

RUMOR: Michael Jackson está dependente de álcool e de
tranqüilizantes, o que requereu “intervenção” de sua família (People
Magazine).

O FATO: Falso. Em uma carta aberta, a mãe de Jackson, Katherine e
seus irmãos Tito, Jermaine, Marlon e Jackie, emitiram o seguinte
comunicado: “Negamos categoricamente ter planejado, participado ou tido
conhecimento de qualquer tipo de intervenção. Acreditamos firmemente
que essas ‘fontes’ e outras, não importa de onde venham, estão fazendo
essas acusações falsas e difamatórias por razões financeiras”.

RUMOR: Vai ser lançado um novo disco.

O FATO: Possivelmente certo. Enquanto sua equipe não confirma uma
data de lançamento, Jackson diz estar escrevendo muito e trabalhando
intensamente em estúdio. O produtor will.i.am gravou com ele na Irlanda
e acredita-se que Kanye West e Akon também.

RUMOR: Ele e sua irmã Janet Jackson planejam uma turnê mundial juntos.

O FATO: Não está claro, mas seguramente seja falso. Ele disse a
Ebony que não quer fazer uma grande turnê, e não se vê envelhecendo em
carreira durante os próximos 20 anos. “Não quero fazer turnês
grandes… Ele desejou (Brown) ter baixado o ritmo e ter relaxado e
desfrutado de seu duro trabalho”.

EBONY 2007:

MICHAEL JACKSON 25 YEARS AFTER THRILLER

EXCLUSIVO: O REI DO POP FALA SOBRE DEUS, CRIATIVIDADE, PATERNIDADE E MÚSICA

Source….portalmichaelbr.blogspot.com

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