5.CAP.

A mansão que eu morava era enorme e antiga. Afastada das demais propriedades luxuosas daquela cidade, dava a ela um ar de mansão mal assombrada.

E eu tinha certeza que não era incluída no cronograma das agencias de viagens que faziam suas idas e vindas na frente das casas dos famosos que ali tinha.

Alem dela eu tinha várias outras nos quatro cantos do mundo. Viver por muito tempo exigia algumas manobras para não chamarmos atenção.

Então de tempos em tempos eu me mudava de lugar, mudava de nome e mudava de aparência as vezes. Mas jamais de pensamento.

Só evoluíamos com o mundo. De uma simples camponesa, agora tinha me tornado uma bela herdeira excêntrica.

— Já o encontrou senhora? Dragos falou me olhando a entrar no holl retirando o casaco.

— Sim. Mas infelizmente ele morreu sem revelar seu criador. Eu disse lhe entregando o casaco e deixando ele ver a minha camisa suja de sangue em mim.

— Senhora! Se feriu! Está sangrando! Ele falou dando um passo em minha direção e pareceu preocupado.

— Sim. Ele me pegou desprevenida. Este recém criado era ágil. Preciso achar seu criador. Ele já existindo, mostra que o desequilíbrio pode ocorrer. Não se cria algo sem responsabilidade. Quem o fez não se importou em ensiná-lo. E isso é perigoso a nossa existência. Eu disse passando a mão e retirando as ataduras.

O corte já havia se recuperado, só uma leve mancha avermelhada existia ali e uma leve dor também.

— Vou providenciar um banho quente e roupas limpas. O dia se aproxima. Ele disse pegando as ataduras e as levando com ele.

— Eu sei. Serei breve. Eu disse passando a mão no ferimento.

Eu o observei subir as imensas escadas que davam ao andar superior e ao meu quarto. Dragos estava comigo a vários anos. Para não dizer séculos.

O meu sangue dado a ele uma vez por mês em uma taça pequena garantia a sua meia imortalidade, ele envelhecia com o tempo. Mas, muito lentamente.

Dragos dependia do meu sangue para seguir comigo, e com ele vinha a sua fidelidade. Não que eu precisasse impor isso a ele.

Tinha certeza que Dragos me amava de uma certa forma. Eu o havia encontrado quase morto no meio do incêndio da velha Paris quando eu procurava alvos fáceis para me alimentar.

A peste tinha devastado quase a metade da Europa naquele tempo e ele lutava por sua vida. Me suplicou ajuda e não pude resistir aos seus lindos olhos azuis.

Ele foi o meu único sinal de humanidade e sentimentos depois de séculos sozinha e acordar em uma cripta no sul da distante Rússia.

Esbocei um leve sorriso e segui direto para a biblioteca. O dia nasceria logo e eu precisava me recolher.

Depois de algum tempo enfiada naquela imensidão de livros espalhados por toda parte, me senti frustrada. Não havia encontrado nada sobre a resistência que o astro tinha tido a mim. Mas eu queria saber por que. Aquilo martelava em minha mente agora.

— Senhora. Seu banho está pronto. Precisa se recolher. O dia nasce daqui a pouco. Dragos falou entrando pela porta da imensa biblioteca.

— Sim. Estou indo. Há Dragos! Quero que ache tudo o que for possível sobre esta pessoa. Quando acordar desejo ver tudo sobre ele. Eu disse anotando algo em um pedaço de papel me levantando e entregando a ele.

Dragos pegou o papel leu o que estava escrito e me olhou intrigado.

— Mas este não é?…… Ele mal terminou de falar e me viu indo em direção a porta da biblioteca.

— Sim. O próprio. O considerado rei do pop. O senhor astro Michael Jackson. Eu disse saindo porta fora sem olhar para trás e indo em direção ao meu quarto pelos corredores com sua pouca luz fraca.

Eu sabia que a hora que eu levanta-se ele estaria com sua tarefa feita. Dragos não era como eu. Ele podia andar de dia e fazer o que a luz do sol não me permitia. Por isso ele estava ali. Cuidava de mim enquanto eu adormecia e das necessidades que era preciso.

Eu jamais criei outro ser como eu. Eu fui ensinada pelo meu criador que quando se fazia isso éramos como pais deste ser. Tínhamos que ensinar a sobreviver, a saciar a sua sede, e não serem vistos ou percebidos pelos humanos. Então jamais o fiz.

Mas Dragos era a minha companhia durante séculos, ele sabia o que eu era e sabia das minhas necessidades. Pois nem sempre somos passados despercebidos.

Ser sozinha rica e bela pode chamar atenção de alguns curiosos. Então, Dragos entrava em ação.

Entrei em meu quarto retirei a roupa e me enfiei em uma banheira com algumas ervas antigas. A imersão nela por alguns minutos me fariam relaxar a tenção e curar mais rápido os ferimentos obtidos.

Nem sempre combater a mesma espécie era fácil. Ferimentos antigos podiam ser visto sutilmente pelo meu corpo.

E velhas marcas por lutar pela sobrevivência e sanidade me doía a mente. O descontrole no começo me rendeu algumas delas. Meu criador tinha paciência, mas nem sempre.

Depois de algum tempo tendo velhas recordações me levantei me sequei me vesti e fui me deitar em algo que não se via mais.

continue…. Kisses in your hearts…..

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