BILLIE JEAN…………..

 

(Escrita, arranjada e composta por Michael Jackson. Produzida por Michael Jackson e Quincy Jones. Arranjos vocálicos, rítmico e

sintetizadores por Michael Jackson. Arranjo de cordas por Jerry Hey.

Cordas conduzidas por Jeremy Lubbock. Programação de

sintetizador por Bill Wolfer. Engenharia e mixagem por Bruce

Swedien. Vocais guias e backgrounds por Michael Jackson. Bateria:

Leon Ndugu Chancler. Guitarra baixo: Louis Johnson. Guitarra:

David Williams. Emulador: Michael Boddicker. Piano de Rhodes:

Greg Phillinganes. Sintetizador: Greg Phillinganes, Greg Smith e

Bill Wolfer)

Se alguém tivesse que escolher uma única música para definir Michael

Jackson como um artista, teria que ser “Billie Jean”. Com a instantaneamente

identificável e sombria linha de baixo e narrativa misteriosa dela, ela contém

toda a fascinante tensão e paradoxo do criador dela. Ela é intrigante e

perturbadora, explícita e enigmática, confissão e dissimulação. A

interpretação visual de Jackson – primeiro na forma do apaixonante vídeo

musical e, segundo, através da legendária performance, “Motown 25”, dele –

somente aumentou a aura artística dela.

Assim como outros “clássicos” populares, no entanto, há uma

tendência a elogiar a “grandeza” dela sem prestar muita atenção ao por que e

como ela alcançou esse status. “Mas deixe tocar”, escreveu o crítico musical Mark Fisher, “e você logo estará enfeitiçado pelo drama dela, seduzido para

dentro do espaço sonoramente ficcional dela.” Fisher continua, afirmando

que uma escuta atenciosa irá revelar que “Billie Jean não é apenas uma das

melhores músicas já gravadas, é uma das maiores obras de arte do século

vinte, uma multe-nivelada escultura sonora, cujo furtivo, sintético brilho de

pantera, ainda produz detalhes e nuances não percebidos anteriormente, trinta

anos depois”.

Fisher não está sozinho nesta declaração dele. A BBC proclamou a

faixa a “mais incrível gravação de dança de todos os tempos.” Em 2005, em

uma lista compilada pela Blander do top 55 singles de nosso tempo, “Billie

Jean” conquistou o primeiro lugar. O Guardian a chamou de “uma das

músicas mais revolucionárias da história da música popular”.

“Isto foi dito antes”, reafirmou a Rolling Stone, em 2009, “mas não

custa repetir: ‘Billie Jean’ é uma obra de arte, e uma que não perde o poder

estranho e sombrio dela, não importa quantas vezes você a escuta… Sinuosa,

paranoica e onipresente [ela é] o single que fez de Jackson a maior estrela

desde Elvis”.

Jackson primeiro concebeu a música em 1981, enquanto dirigia na

autoestrada Ventura, em Los Angeles. “Eu queria escrever uma música com

uma incrível linha de baixo”, ele recorda, “e poucos dias depois, essa linha

de baixo e esta melodia caiu em mim”. De acordo com Jackson, ele estava

tão consumido pela construção da música que ele nem mesmo notou que

fumaça estava saindo do carro dele até que um motociclista se aproximasse e

dissesse que o carro dele estava pegando fogo. “Mesmo quando nós estávamos conseguindo ajuda e encontrando um caminho alternativo para ir

onde nós estávamos indo”, Jackson se lembra, “eu estava silenciosamente

compondo material adicional”.

Jackson, rapidamente, colocou a música em fita, vocalmente ditando

os instrumentos, cordas e partes (o que tinha se tornado uma prática padrão

dele), antes de gravar uma demo mais concretizada no estúdio caseiro dele,

em Hayvenhurst. A criação de “Billie Jean” é uma perfeita demonstração de

como Jackson produzia, não apenas como cantor, mas também como um

compositor, arranjador e produtor.

Demos anteriores da música revelam um

jovem de vinte e quatro anos com um espantoso instinto musical, criatividade

e habilidade. Alguém pode escutar Jackson fazendo letras enquanto ele

acompanha a música e experimentar com ad-libs, mas todas as partes

estavam no lugar, antes mesmo de ela ser levada a Quincy Jones e Bruce

Swedien.

Quando Jackson trouxe a música para Quincy Jones, em 1982, ele

também demonstrou uma recém-descoberta independência e confiança na

visão criativa dele. Quando Jones pressionou para cortar a extensa linha de

baixo na introdução e para renomear a música “Not My Lover” (para não ser

confundido coma jogadora de tênis, Billie Jean King), Jackson sacou as

armas dele. “A introdução para ‘Billie Jean’ era tão longa, que você poderia

se barbear durante ela”, recorda Quincy Jones. “Eu disse que nós

precisávamos entrar com a melodia logo, mas Michael disse que era o que o

fazia querer dançar. E quando Michael diz que algo o faz ter vontade de

dançar, você não discute, portanto, ele ganhou.”

Da demo ao produto final, no entanto, a música passou por uma

fascinante colaboração evolutiva. Jackson e o time dele estavam

determinados a criar uma faixa “com a personalidade sonora mais única” que

eles já tinham gravado. No fim, eles foram a elaboradas distancias para

alcançar a polidez e a nuance que os ouvintes desfrutam agora. O engenheiro

de gravação, Bruce Swedien, teve Jackson cantando vocais overdubs, através

de um papelão de cinco pés de comprimento.

Quincy Jones trouxe o

saxofonista de jazz, Tom Scott, para tocar um instrumento “muito incomum,

o lyricon, um sintetizador analógico controlado pelo vento, cujas linhas

semelhantes ao trompete são, subitamente, tecidas ao longo da faixa”. As

sombrias cordas da música foram arranjadas por Jerry Hey, enquanto o

contrabaixista, Louis Johnson, “passou pela parte dele com todas as guitarras

que ele possuía, antes que Jackson decidisse por um baixo Yamaha, com um

som idealmente espesso e agitado”.

Depois de receber instruções de Quincy e Jackson sobre o som que

eles queriam da linha de baixo, Swedien foi ao trabalho, tentando capturar

“baterias com sons tão fechados e poderosos quanto eu poderia apresentar”.

Não era tão fácil como pode ser hoje, porém. Isso foi antes da tecnologia de

samplers e circuitos. Ndugu Chancler, por outro lado, tocou a bateria dele

para todo o take, em vez de amostragens de um par de barras. “Michael

sempre soube como ele queria que soasse”, lembra Chancler. “Havia,

originalmente, apenas uma faixa de bateria nela. Eu vim e toquei uma faixa de

bateria de overdubs ao vivo.” Swedien, então, tinha uma plataforma de

madeira compensada para bateria, construída com um bumbo, com o

microfone fechado, para capturar a totalidade do som. Finalmente, usando um consolo de mixagem de doze canais, ele gravou a seção rítmica.

“Eu

gravei o baixo e a bateria no meu analógico de 16 faixas”, Swedien recorda

“sem equipamento redutor de ruídos no caminho deste som fantástico”.

Porém, a música não estava completamente pronta. “Eu estive

mixando ‘Billie Jean’ por apenas dois dias”, recorda Swedien. “Eu estava lá

fazendo a segunda e pensei que aquilo era de arrasar! Eu chamei Michael,

Quincy e Rod para a sala de controle e (a) toquei para eles. Eles amaram!

Eles estavam todos dançando e dançando como loucos.

Então, Michael

deslizou para fora da sala de controles, voltou e disse que eu o

acompanhasse. Daí ele me disse, ‘Por favor, Bruce, está perfeito, mas

aumente o baixo só mais um pouquinho e faça apenas mais uma mixagem,

por favor. ’ Eu disse a ele: ‘OK, Smelly, sem problemas. ’”

“Então, eu voltei para a sala de controle para acrescentar esse pouco

mais de baixo na minha mixagem. Quincy me levou para o canto e disse,

‘Adicione um pouco de sal de alho para o laço e o chute. Agora eu estava

mixando ‘Billie Jean’ pela vigésima vez. Bem, isso durou cerca de uma

semana. Logo eu estaria mixando a nongentésima primeira vez! Eu (a) toquei

para os garotos e todos sorriram. Mas Quincy disse, ‘sabe, apenas pela graça

nisso, poderíamos escutar a sua primeira mixagem? ’ Meu coração pulou,

porque eu sabia que a primeira mixagem era dinamite.

Nós escutamos a

segunda mixagem e ela estava batendo! Todo mundo estava se mexendo e

dançando. A segunda mixagem foi a decisão final e esta é exatamente o que

você escuta no álbum… Veja, se você puder pensar em qualquer outra parte

da música, onde você pode escutar as primeiras três batidas de bateria e

saber o que a música é”, Swedien diz, “isso é o que eu chamo de

personalidade sonora”.

O resultado do comprometimento e a habilidade do time de Jackson foi uma, espantosamente original, excursão de forças, que recompensaram

próximos (e repetidos) itens. “Se você puder conseguir se manter focado,

enquanto as faixas erguem sua espinha e cai nos seus pés”, escreveu Mark

Fisher, “cheque o modo que a primeira corda apunhala a sombra da faixa,

como passos de um caçador, desaparecendo no vento, como névoa e

boatos. Sinta a tensão crescendo nos seus dentes, enquanto a ponte se

precipita em direção ao refrão, começando por uma liberação (“ o cheiro do

doce perfume/Isso aconteceu muito de pressa”), que você sabe que terminará

apenas em lamento, recriminação e humilhação, mas que você não pode

evitar, mas quer de qualquer maneira, deseja tão intensamente, que isso

ameaça fragmentar a psique ou expor a forma como a psique está sempre

pronta para partir dentro de organismos antagônicos: ‘sempre se lembre de

pensar duas vezes’”.

Colegas músicos são tão amáveis quanto os críticos. “‘Billie Jean’ é

quente em todos os níveis”, diz o tecladista Greg Phillinganes, (quem tocou

piano Rhodes e sintetizador na faixa). “É quente ritmicamente. É quente

sonoramente, porque o instrumental é tão mínimo, você pode realmente

escutar tudo. É quente melodicamente. É quente liricamente. É quente

vocalmente. Ela o afeta psicologicamente, emocionalmente, até mesmo,

espiritualmente.”

Após o lançamento, é claro, “Billie Jean” tornou-se um super hit

(especialmente depois da performance “Motown 25”). Porém, de muitas

formas, ela era uma música estranha para dominar os charts pop. Blender

descreveu-a como “uma das coisas mais sonoramente excêntricas,

psicologicamente carregadas, absolutamente bizarras, que já chegou ao Top

40 do rádio”. Na verdade, “Billie Jean” está à milhas de distancia das

prototípicas músicas de amor, que geralmente permeiam as ondas do rádio e

boates (em 1983, “All Night Long”, de Lionel Richie e Patti Austin, e “Come

To Me”, de James Ingram, eram representativas do que alguém poderia

escutar próximo à obra de Jackson).

A música conta a história de uma mulher que persegue o narrador

com acusações de paternidade. “Billie Jean não é minha amante”, ele insiste

no refrão, “Ela é apenas uma garota que alega que eu sou o único/ Mas o

garoto não é meu filho.” Jackson tem dito que a música foi inspirada por

“groupies” obsessivas, incluindo várias que fizeram, na verdade, alegações de

que ele era o pai dos filhos delas. Uma garota, aparentemente, até ameaçou se

matar, e o futuro filho, se Jackson não se casasse com ela. Para Jackson,

portanto, parte da energia emocional da música emana dessas, muitos

pessoais – e muito perturbadoras –, experiências.

No entanto, além da narrativa literal e background, “Billie Jean” é um

símbolo de muitas coisas: ela representa medo, desconfiança, e decepção; ela

representa a sedução, armadilhas da fama; ela representa “mentiras se

tornando verdades”.

Tanto na interpretação vocálica quanto na dança de Jackson, ele

justapõe dor, raiva, paixão e negação. A música é um tipo de exorcismo, uma

liberação dos demônios que o perseguem. No fim, não há solução; ele

continua preso em um estado vulnerável. “Isso aconteceu muito depressa”,

ele canta. “Ela me chamou para o quarto dela.” Ele atendeu? Ele entrou no

quarto? Ela está falando a verdade? Como ela conseguiu consumir a atenção

(e a vida) dele? Todas essas dúvidas são deixadas sem respostas, pairando,

provocativamente, para que os ouvintes as desembaracem. “Vinte e quatro

anos depois” escreveu Richard Cromelin, “a câmara central de Thriller não

tem perdido nada do mistério febril dela.

Isso está onde o mundo material do

álbum oferece um caminho para um interior assombrado… Jackson encontrou

uma nova voz aqui, uma voz de vítima, que estremece nas sobras deste

extraordinário espaço sonoro, atacando a própria ingenuidade dele e os

falsos acusadores, que estavam apenas começando a se reunir à porta dele”.

A obra prima de Jackson continua uma das mais populares músicas

de dança no mundo, além de ser uma das mais aclamadas criticamente.

Source…..themaninthemusic.blogspot.com.br

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