34.CAP…

Eu fiquei sem ação pelo estado que ele se apresentava e senti meu coração bater na garganta de tanto nervoso. Eu não sabia o que dizer em vê-lo ali a me observar escondendo certos soluços e me mostrando lagrimas insistentes a cair naquele lindo rosto que tanto me encantava como me assustava agora.

Me atrevi a esticar os olhos para dentro da sala e tomei um susto mais ainda. John estava com as mãos cruzadas na cabeça me observando atarantado e sem palavras.
Eram vasos, cortinas, papeis, cadeiras e até a mesa estava mexida.

— O que tem Michael? Eu disse olhando nos olhos escuros como a noite e que me davam medo agora.

E segurei minha barriga, meu bebê estava agitado.

—John saia da sala! Ele mal tirava os olhos de mim e notei John me olhar com medo por detrás dele.

— Michael eu acho melhor ficarmos juntos e conversamos. John tentou sem sucesso dialogar.
Mas Michael estava horrível.

— John! Eu disse sai da sala! Ele repetiu se virando para John e foi esse momento que nossos olhos se cruzaram e pareciam que pela primeira vez John Branca estava preocupado comigo.

John saiu da sala e Michael entrou nela e eu fechei a porta. Com medo, aflição eu estralava meus dedos que se faziam eco na sala e Michael continuou de costas para mim.

— Michael eu acho que devo explicações a você…Eu mal podia continuar a falar.

Ele deu um murro na mesa ainda sem olhar para mim e eu dei dois passos para trás.

Ele estava indignado e não sabia se aquilo era pelo carinho que ele tinha por mim ou pelo o ocorrido. E eu temia que ele tivesse visto o ocorrido com Terry.

Ele se virou para mim bem devagar e me olhou dos pés a cabeça. Seus olhos ainda choravam e eu comecei a perder o ar com ele ali sem falar nada.

— Droga! Diz alguma coisa! Eu disse em alto tom e ele descruzou os braços.

— Me diga você Miranda! Achou que eu ia ser um fantoche para você? Ele disse gritando mais alto que eu, e eu senti que não era só a raiva por eu ter mentindo com quem me encontraria.

E sim. Ele tinha visto Terry.

— Do que esta falando? Se esta falando do paparazzi é o mesmo que sempre me persegue. Ele é um chato de galocha que vem me atormentando. Eu disse tão indefesa que minhas mãos tremiam.

— E por isso resolveu lhe beija intimamente para que saísse de sua cola? É assim que age? Ele disse esperando um argumento meu.

Mais quando ele disse aquilo, quase eu cai diante dele.

— Michael o que viu foi…. Eu falei mal conseguindo respirar ali.

Ele não me deixou terminar.

— Eu vi! Ninguém me contou! Você estava lá com o cara. Vocês se beijavam na boca Miranda. Na boca! Ele disse gritando em minha direção e eu fechei meus olhos com medo dele fazer algo e toquei na minha barriga.

— Não é o que esta pensando seu imbecil! Ele me forçou a tal coisa. Eu não… Não tinha coragem de dizer a ele o que realmente acontecia.

— Vamos Miranda! A quem queremos enganar? Você conhecia o cara, estava lá conversando com ele como se ele fosse um conhecido há anos. E o que mais me dói é que me dediquei inteiramente a você. Quando ele disse isso eu o vi virar o rosto para esconder o choro.

— Michael me deixe explicar. Eu sei que o beijei. Eu disse indo em direção a ele para tocá-lo mais ele tirou seus braços de mim com violência.

— Não toque em mim! Ele falou gritando mais alto e eu com o susto de novo, pôs as mãos na boca.

Ele estava sem dó ali e eu temia o que ele ia fazer.

— Então fique com suas duvidas. É um incompressível mesmo. Nunca escuta ninguém! Eu disse me enfurecendo de vez e notei ele me fuzilar com os olhos.

— Eu sou incompreensivo? Ele disse apontando no próprio peito.

— Esta sendo! Eu sei o que parece. Não deveria ter mentindo. Mais não é o que parece! Eu tentava buscar as palavras mais me faltavam assim como o ar agora. Eu ainda não tinha coragem.

— Ah agora sou um cego? Depois de gay sou um cego? Eu deveria ter acabado com isso tudo antes que fosse tarde demais. Agora veja onde me encontro! Com uma mulher grávida de mim e que me trai pelas costas! É isso Miranda? Suas acusações me fizeram chorar finalmente diante dele.

— Não sabe do que esta falando. Todos tem razão. É mimado e acha que o mundo gira em sua volta. Eu disse chorando ainda mais e limpando minhas lagrimas.

— Não Miranda. Eu sou Michael Jackson. O homem que não deve amar e nem cultivar carinhos. Muito menos imaginar viver como um homem e uma mulher com alguém que ele achou que pudesse forma uma família. Ele disse chorando também e notei que sua raiva era incontrolável.

— Ainda somos. Eu amo você Michael. Eu disse quase implorando suas desculpas.

— Deus! Ele falou e olhou para o teto e limpou o rosto cheio de lágrimas e continuou.

— Era por isso sua distancia. Seu modo de agir, seus toques, seu modo de me olhar. Me deu todos os sinais o tempo todo. Como fui tolo! Ele disse parecendo brigar com ele mesmo.

— Não. Isso tem a ver com outra coisa do meu passado. Algo que não queria que você soubesse. Eu estou aqui Michael por que amo você e esta criança! Eu disse iquerendo chegar perto dele por que vi ele baixar a guarda.

— Por que não me disse que tinha outro Miranda? Droga! Por que não disse que eu não era o único muito menos o que estava em seu coração? Por que mentiu para mim e me fez acreditar que eu poderia ser amado garota? Por que? É bom magoar Michael Jackson? É bom ver se ele chora e sangra? Pois bingo minha querida. Ele sim esta sangrando e chora. E você é a culpada disso. Ele disse tudo de uma vez andando em minha direção e eu só fiz recuar dando passos para trás.

Ele não era mais quem eu tinha conhecido. Mas não podia condená-lo.

— Eu não trai você. O cara que você viu comigo é…. Eu ia dizer tudo de uma vez agora e que fosse para o inferno o meu passado e o que Terry representava. Mas mais uma vez ele se enfureceu.

Jogou um vaso que estava na mesa a parede e eu me calei por completo. Estava para sair correndo dali.

— Não ouse a falar deste sujeito diante de mim! Você não é nada! Não tem um pingo de direito de falar dele aqui. É um infeliz, um inútil. Que esta rindo de mim agora. Escute algo Miranda… Michael falou me fulminando com os olhos.

Eu notei ele perder a consciência e o grau dos fatos. Ele ia me tirar meu filho.

— Michael vamos conversar. Eu entendo sua revolta. Você me ama, é compreensivo. Eu disse tentando tocar novamente nele mais ele se desviava e continuava a andar contra mim.

— Compreensivo? Você traiu a minha confiança algo que jamais me dou o luxo de dar. Meus sentimentos. Eu amei você. Deitou em minha cama, partilhamos os mesmos momentos. A tive em meus braços, lhe prometi coisas que achei que nunca prometeria a uma mulher. Diante de ti jurei promessas que nunca achei que o mundo pudesse me dar a oportunidade de jurar. Coisas que para você com certeza são insignificantes. Mas que para mim eram as mais importantes. Eu apenas vivi o que aconteceu conosco Miranda. E você? Ele falou tão baixo que eu só entendi por que ele estava com a sua face assustadora perto da minha.

— Eu juro que não foi minha intenção te magoar Michael. Eu falei segurando um choro e um grito e senti meu filho mexer como nunca. Ele estava me assustando.

Mas estava com tanto medo dele que mal me mexia.

— O que nos resta agora é essa criança. Que Deus! Eu tenho medo de pensar que não possa ser minha. Ele disse me encarando como se eu fosse uma qualquer.

Eu não me contive e com os olhos cheios de lagrimas dei-lhe um tapa tão forte que minha mão ardeu no mesmo estante.

Ele virou seu rosto e ficou com ele parado do jeito que o tapa tinha deixado e eu me enfureci pela tal acusação.

— Nunca. Nunca mais em sua vida diga isso! De todos posso ouvir. De todos posso agüentar suas duvidas indagações. De todos Michael. Menos de você. Eu sei que este filho é seu e você sabe que é seu. Tire ele desta conversa. Ele é apenas uma criança. Um bebê. Eu disse apertando meu punho contra o tecido do meu vestido por que ainda ardia.

Michael virou pra mim com o seu rosto vermelho e notei que tremia. Puro ódio e raiva.

—- E quem me garante isso? Ele disse olhando para mim e depois para minha barriga foi quando eu senti o baque de sua acusação.

— Maldito seja! Com que direito diz isso? Perdeu o juízo? Sabe o que esta me dizendo? É do seu filho que esta negando paternidade Michael? É isso? Eu disse dando-lhe murros e ele segurava minhas mãos.

— Um exame é o mais apropriado. E pode ter certeza Miranda. Se der positivo ele estará longe de você assim que nascer. Michael falou tão inreconhessível que agora entendia o que Rita avia me dito.

E o meu mundo caiu. Ele tinha algo ruim nos olhos e eu temi suas palavras. Ele era rico, famoso e com uma pose de gentil e honesto para o mundo lá fora.
E eu o que eu era? Ninguém diante dele. Mas meu filho ninguém ia tirar.

— Não seria capaz de tal atrocidade! Eu disse gritando e tentando tirar meus braços das mãos dele que apertavam devagar.

— É um direito meu. Se for meu ele ficará comigo. Ele disse soltando meus braços enquanto eu caia no abismo que ele me jogava.

— Não pode fazer isso Michael. Ele é seu filho mais é em mim que ele esta. Eu sou a mãe dele. É comigo que ele tem que ficar. Eu disse tocando na minha barriga e na minha cabeça.

Aquela discussão estava me matando. Ele limpou seu rosto com a camisa que vestia, respirou fundo e tornou a me olhar.

— Você vai embora hoje mesmo. Pegará tudo que é seu e o que lhe dei não precisa me devolver. Estará em segurança até esta criança nascer. Alan vai com você. Leve aquele seu monstro de minha casa e por favor não ouse a falar com meus filhos. Ele disse me encarando friamente como se não me conhecesse mais.

— Perdeu o juízo? O rumo das coisas? Não posso ficar ali sozinha. Eu estou grávida! Eu disse gritando com ele e notei baterem na porta.

— Que seja! Ele disse gritando e mostrando para mim que ele não existia mais.

Eu cai em choro diante dele e me e senti uma dor aguda que me fez fazer uma careta. Ele me olhou com rejeição e ficou ali parado me vendo chorar.

— Eu odeio você! Eu disse pegando um abajur e com toda força que tinha taquei em direção a ele, mais ele se desviou com os olhos arregalados.

— Não tanto quando eu odeio ter deixado você entrar na minha vida. Pode ver uma lagrima cair dos olhos dele pela ultima vez, mais ele a limpou com rapidez.

Aquilo foi o fim para mim. Eu me segurei na cadeira e sentia uma dor terrível.

Com o barulho do abajur e com os nossos gritos Rita com John não esperaram mais. Entraram na sala e se depararam comigo passando mal e Michael parado no mesmo lugar.
Sem se mexer sem falar nada sem mostrar uma expressão se quer. Eu o tinha ferido muito.

— O que sente menina? Rita disse me pegando em seus braços e eu a abracei fraca e com dor.

— Deus Michael! Enlouqueceu de vez? John disse o sacolejando, mais ele ainda mantinha os olhos em mim.

— Você ouviu. Essa criança nascendo e no mesmo ato o exame. Não tolerarei mais que me enganem John. Não serei mais piada para ninguém. Ele disse saindo do transe e se segurando na mesa.

— Você é sua própria piada. Você é culpado por que eles lhe titulam! Eu disse segurando minha barriga e sentindo mais dores.

— Quero que retirem as coisas dela daqui imediatamente. Ele disse me olhando pela ultima vez.

Eu sai dos braços de Rita e fiz um esforço para ficar em pé. Alan que estava observando ficou ao meu lado esperando para me amparar se eu caísse. E vi John me olhar assustado pelo estado que estava.

— Não preciso de nada seu. Nem eu e nem meu filho vamos lhe procurar Michael. Morreu para mim. Eu sairei daqui como entrei. Eu disse me segurando nas paredes e de vez em quando nos braços de Rita e de Alan e pode ver suas faces assustadas.

— Eu que farei o favor de lhe esquecer Miranda. Ele disse aquilo falando devagar cada silaba e eu deixei uma droga de uma lagrima cair.

Eu virei de costas e notei todos os empregados estarem do lado de fora. Todos com os olhos arregalados.

Eu respirei fundo e segui o grande corredor que tinha a minha frente. Michael, John, Rita e Alan ficaram me observando.

Cheguei em um certo momento que senti tudo ficar escuro. Mas me segurei na parede e vi o susto de Rita de longe. Logo Alan veio até mim, mais continuei sem a ajuda dele.

Sai da mansão de Michael com meu cachorro ao lado. Fui andando até a portaria e não aceitei o carro dele.

Não vi as crianças e era o que mais me matava agora. Eu andei tudo aquilo lembrando de tudo que tinha passado e notando agora o quanto eu o amava.

Só de pensar em ter aquela criança sozinha e sem ele perto de mim me fazia chorar mais e muito mais. Eu segurei minha barriga e sai pela portaria acompanhada pelos olhos atentos dos seguranças e vigias.

— Eu estou com ela. Alan disse atrás de mim segurando minha mala.

— Um carro. Chamem um carro. Um dos seguranças gritou.

— Não é preciso. Que enfie seus carros lá naquele lugar. Não quero nem os sapatos que calço. Eu disse tirando eles e seguindo para a imensa rua descalça.
Alan me acompanhou todo o tempo. Não via Rita nem John. Acho que Michael deveria ter os proibido de falar comigo.

Junto com Max e Alan eu estava descalça na parada de ônibus. As pessoas me olhavam como se eu tivesse sido jogada. E era o que tinha me acontecido.

E eu pensei comigo enquanto eu via minha antiga rua aparecer na janela do ônibus e me trazer velhas lembranças e sensações.

Se eu tivesse dito sobre Terry e suas ameaças se ele soubesse que eu tinha feito tudo aquilo por ele e por seus adoráveis filhos?

Ele notaria e veria que eu simplesmente o amava.

 
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