23. CAP…..

— Quem tanto liga filha? Minha mãe disse intrigada olhando eu observar o telefone em minha mão.

Eu olhei para Lucas que esperava a resposta e minha mãe notou que eu fiquei com receio de dizer realmente quem era.

Ela captou a mensagem que mandava pelos olhos e dispensou Lucas.

— Lucas vá fazer um favor para mim. Ela disse indo no seu armário antigo e pegando dinheiro que estava escondido no interior do pote de biscoitos.

— Sim tia o que quiser. Ele disse sorrindo para mim e notei que seus interesses afloravam.

— Vá ao armazém para mim e compre muito fermento. Farei vários tipos de bolos para minha querida filha. Assim quem sabe ela ganha uns quilinhos. Ela disse piscando para mim enquanto eu sorria com aquele jeito dela guardar o meu segredo.

— Claro! Me esperem hein! E você não suma! Ele disse me dando um beijo no rosto.

Eu me assustei com aquilo. Fazia meses que só mesmo Michael me tocava e eu ficava até meia sem jeito com a aproximação dele.

Claro que não era toda hora que vivíamos de amores um com outro. Eu ainda brigava muito com Michael e ele vivia saindo para resolver coisas de sua arte como ele dizia.

Mais ele era o homem que estava ao meu lado. O meu homem. Eu acho.

Esperamos Lucas desaparecer no fim da rua e entrei as carreiras. Minha mãe veio atrás de mim e ficou olhando eu pegar o telefone.

— É ele não é? Como não me disse que ele viria? Ela falou baixinho notando que eu discava o numero.
Eu ia tranqüilizá-lo antes que ele me mata-se por telefone.

— Mamãe, eu acabei de chegar, eu não sabia que ele seria tão rápido assim! Eu disse andando de um lado para o outro, nervosa.

Uma ele tinha descoberto, duas John iria me matar, três Alex me repreenderia a vida toda e quatro todos pagariam caro pela minha saída repentina.

Eu disquei o numero varias vezes mais ele não me respondia parecia que estava furioso a me rastrear.

Na mansão…

— Eu sinto muito senhor Branca eu não a vi sair. A menina é mais esperta do que pensei. Eu juro que a horas atrás ela estava aqui. Bem aqui! Rita dizia agoniada e olhando fixamente para John.

Michael havia ligado para as crianças antes de irem para escola e falado com Blanket do jeito que seu pai deve ter dito o quanto era perigoso para mim e para o bebê, logo, ele dissera que eu tinha ido ver minha mãe.

— Tome! É ele de novo! Rita disse fazendo careta e entregando o celular para Branca que procurava uma estratégia para acalmar o dono do mundo ali.

Que já começou a berra.

— Alô? Ele disse quase inaudível como se não quisesse falar.

— Onde ela está? Já a localizou? Sei que é no Brasil. Ela mencionou isso. Se algo acontecer com ela vocês irão pagar caro John Branca! Todos vocês! Michael disse aos berros fazendo John afastar o celular dos ouvidos.

— Michael calma. Eu sei que ela deve estar lá. Blanket falou isso para mim. Então vamos conseguir localizá-la! John disse vendo Roger entrar com vários papéis.

— E ainda por cima aquela louca usou meu filho para lhe encobrir nisso John! Eu disse para ela não fazer isso, disse para ela não ir para aquele lugar. E a proibi de sair de minha casa. Aquela desequilibrada esta com meu filho dentro dela. A localize já! Ele disse desligando o telefone.

Branca pegou os papeis das mãos de Roger e suspirou firme.

— O carro já lhe espera senhor. Roger disse olhando Branca ler os papeis.

— Ok. Vamos atrás daquele maluco e depois pegar a doida dele. Uma família de loucos é para acabar comigo de vez. John disse parecendo cançado.
— A traga de volta senhor. As crianças sentem falta dela. Rita disse acompanhando John até a porta.

— Eu sei. E esses gritos e manhas de Michael é o que eu menos esperasse que fosse Rita. Ele disse colocando os óculos e saindo dali.

— Será senhor? Ela o olhou abismada.

— Amor Rita. O puro e perigoso amor. Ele disse fechando a porta do carro e seguindo.

John depois de algumas horas no voo saindo de Nova York se encontrou com Michael no aeroporto de Los Angeles enquanto ele saia disfarçado de Bucharest.

Em casa…

— Não vai atender? Minha mãe estava sentando ao meu lado quando eu vi mais uma ligação.

Era de Michael. E pela primeira vez fiquei com muito medo de falar com ele. Sabe lá qual seria a loucura que ele ia fazer dessa vez.

Eu respirei fundo e olhei no fundo dos olhos de minha mãe e ela ficou me observando a falar. Ela amava quando eu falava inglês.

— Alô. Michael? Eu disse em uma voz mais que meiga para que ele não me acabasse em sermões ou colocasse o mundo abaixo.

— O que pensa que esta fazendo sua louca? Eu não mandei ficar aqui? Onde é que você acha que vai chegar com este seu comportamento Miranda? Pelo amor de Deus! Ele dizia gritando e eu fiz uma careta para minha mãe que foi buscar água para mim.
Viu que eu fiquei nervosa.

— Michael eu estou na casa de minha mãe. Lhe disse que não ficaria aí e não venha gritar comigo. Essa sua casa parece um monstro! Eu disse ressentida e o vi suspirar forte do outro lado da linha.

— Não interessa Miranda! Esta me desobedecendo coisa que sabe que é prejudicial para o nosso bebê. E como conseguiu entrar neste país? Como tinha passagem? John não me deu nenhum relatório de agencia de viagem! Ele disse gritando ainda mais e parecia que andava de um lado para o outro.

Eu olhei minha mãe por uns estantes e vi que ela fazia um copo de água com açúcar. Furiosa eu esbravejei no telefone.

— Escute aqui seu grande imbecil! Eu não vou ficar ai ao seu dispor. Me deixou sozinha Michael, onde pedi para que não fosse. Não dá valor ao pedido de seus filhos o que dirá os meus. E pode parar com essa sua pose de rei seu contozinho de meia tigela, que comigo não cola tá? Eu disse gritando no telefone fazendo minha mãe me olhar com atenção.

— Miranda Morgan. Eu dou um dia para estar pronta para eu lhe buscar aí de malas e tudo. Não ficará aí. É meu filho que carrega. Vai se arrepender por ter me desobedecido em minha ausência. Está me entendo? Sua voz grave me fez sentir saudades dele mais resisti a mimos por telefone.

— Desculpe o que disse? Eu disse aquilo de birra.

— Sei qual é o seu plano sua doida. Mais não vai fazer isso! Ele disse parecendo chegar em algum lugar e andar mais rápido ainda.

— O que esta insinuando seu safado? Eu me levantei sabendo do que ele insinuava.

—Se pensa que vai sair mundo a fora escondendo meu filho esta enganada garota, não sabe do que sou capaz para proteger quem amo! Ele disse com mais calma mais não menos furioso agora.

Eu olhei para o teto e respirei fundo. Era só que me faltava.

— Tome isso querida. Pare de falar assim deixe-o gritar. Homens são assim mesmo! Minha mãe dizia me dando o copo de água com açúcar na outra mão enquanto eu buscava ar.

O bebê se mexia demais parecia até que adivinhava que eu falava com o seu pai perturbado!

Eu afastei o telefone e o ouvi gritar meu nome. Minha mãe arregalou os olhos com a altura daquela voz grave e com raiva.

— Não disse que ele era um homem comum e normal? Ah mamãe eu mato esse presunçoso artista pop de quinta! Eu disse tomando a água e passando a mão na minha barriga.

— Miranda? Miranda? Ele berrava no telefone.

— Eu estou aqui pare de gritar seu idiota. Já me fez sentir um lixo se quer saber. Eu falei sentando de novo sentindo umas pontadas violentas do bebê.

— Vá agora arrumar suas coisas que eu estou a ponto de me encontrar com Branca. Vamos estar em um ou dois dias no máximo. A quero salva e com meu filho na barriga. Esta me entendo? Ele falou aos berros ainda.

Como a mídia era mentirosa. Cadê o doce gentil e frágil senhor Michael Jackson. Agora sabia que Michael não era nada do que as pessoas espalhavam.

— Você não manda em mim tá ligado? Seu estranho filho da m…Quando eu ia terminar de gritar com ele, o bebê deu um chute que me incomodou demais.

Pela primeira vez aquele chute me incomodou de verdade.

— Miranda? Miranda por Deus me diz o que se passa! Não me deixe agoniado aqui. Miranda? Ele gritava e falava rapidamente.

— Ai! Seu, seu egoísta Michael. Não venha aqui, que eu não voltarei com você. Só quando meu filho nascer. Ai… Eu disse fazendo careta e me sentindo sozinha ali.

Ele não estava ali. E os olhos de minha mãe arregalados para mim com ternura e um pingo de compreensão não valeram de nada naquela hora.

— O que esta sentindo? É o bebê? Oh Deus! Chame alguém vá a um hospital mais próximo depois resolveremos as despesas. Vá logo vá! Ele disse agoniado e parecendo estar bastante preocupado.

— Ele esta agitado desde que saímos dai. Ele mexeu Michael. Seu filho mexeu várias vezes. Eu disse querendo chorar por ele esta longe.

Eu ouvi um grito misturado com uma gargalhada gostosa vindo do telefone e vi minha mãe fazer careta e sem entender a mudança de humor daquele perturbado que eu tinha deixando entrar na minha vida.

— Uhul… Haha… Meu filho mexeu? Meu filho mexeu! O meu bebê mexeu em você?Que demais! Ele disse todo bobo e eu me rendi a um sorriso enquanto passava a mão onde parecia que o bebê estava encostado.

— É. E parece com você quando esta dançando. Mexe esses pezinhos aqui como ninguém. Eu disse sentindo mais uma fisgada e Michael notou pelo meu gemido.

— Oh Deus. Como eu daria tudo para sentir isso. Garota você quer me matar? Como me priva disso? Por que se foi e insiste em me desafiar? Você vai me deixar louco! Louco Miranda! Nunca ninguém desacata uma ordem minha. Ele disse parecendo estar bem perto de mim.

Sua voz começava a ficar doce de novo e eu sentia mais saudades dele. Mais uma raiva me tomou quando ele disse aquilo. Mentiroso!

— Não me venha se fazer de santinho Michael Jackson. Você não estaria ai se ele mexesse. Até parece que chegaria em cinco minutos desta porcaria de lugar que foi fazer esses shows. Eu disse levantando e andando até a sala de minha casa.

—Ora não jogue isso na minha cara agora. Falou bem Michael Jackson minha querida, isso te lembra algo? Sou o artista mais famoso mais importante do mundo! Preciso trabalhar! Preciso sustentar meus filhos e mais um agora. Ele disse parecendo ficar novamente furioso.

— Sabe de uma coisa? Não vou voltar porcaria alguma seu nojento. E quer saber mais? Aqui tem uma mãe muito melhor que aqueles seus empregados com cara de dor. E que vou alimentar a imagem de gay que ela tem de você. Ah vou! Passar bem Michael! Eu disse me despedindo e sentindo meu coração bater forte nas veias.

— Sua prepotente não seria capaz de uma loucura dessas. Vá arrumar suas coisas e não direi de novo! Ele falou mais que zangado agora.

Quando ele disse isso eu vi Lucas entrar e me encontrar furiosa e inquieta com as danadas pisadas do bebê dentro de mim.

— Esta tudo bem Mira? O que aconteceu? Ele veio em minha direção deixando os fermentos no sofá e me ajudando a sentar em uma cadeira de balanço.

— É o pai do meu filho. Ele me odeia! Eu disse me rendendo aos seus cuidados e me segurando nele para sentar.

— E o bebê esta bem? Ele disse fazendo carinho na minha barriga.

— Está. Está sim. Me deixe acabar com essa conversa. Eu disse vendo ele me olhar fixo e sorri.

— Okay já volto! Ele saiu para a cozinha e notei que cochichou algo com minha mãe.

— Michael? O chamei, estava calado na linha.

— Não sabia que sua mãe tinha voz de homem. Pelo que sei seu pai é falecido. O que esta fazendo perto de um homem Miranda? Quem é esse sujeito? Ele não tocou em você não né? Muito menos se atreveu a tocar na sua barriga não é? Michael mudou a voz mais do que das outras vezes, eu vi o quanto ele era ciumento.

— Lucas é meu primo. É muito cortes gentil e educado. Adoro seu corpo moreno. Senti falta de uma pele bronzeada. Até pegarei um sol se der. Aqui ele sempre brilha. Eu disse só para reforçar aquela raiva dele.

Michael me fazia desejá-lo quando estava daquele jeito. Deus como eu o queria agora.

— Como é que é mocinha? Que diabos de nome é esse? Lucas! E ele mora com sua mãe? Você não me disse nada disso. Quer por favor de me explicar isso direito? Ele disse novamente gritando.

— E. Ele sempre me ajuda quando quero algo e não preciso fazer nada por aqui. Sabe ele é bem presente. Eu disse escondendo um sorriso e vendo ele perder o rumo da sanidade, ou o pingo que restava dela.

Eu não via Lucas a anos, mas dizia como se conhece-se intimamente. Mas Michael não sabia da verdade.

— Não acredito que esta falando isso para mim. A voz dele parecia estar triste e notei que tinha o magoado.

Ele ficou calado por alguns segundos e eu me senti mal. Na verdade ele tinha razão. Ele tinha que trabalhar. Michael era um homem do mundo.

— Michael eu… Eu procurava palavras para tentar consertar a minha burrice agora.

— Esquece! Estarei ai o mais rápido que eu puder. Avise a mamãe Mirandinha. Eu vou acabar com seu sossego. E trarei você de volta mesmo que seja arrastada esta me ouvindo? Ele disse novamente parecendo querer medir forçar.

— Vamos ver se me leva daqui! Eu quero valer com você se me tira daqui seu tarado! Imagino, isso tudo por que não tirou esse seu atraso. Use as mãos lindinho. Eu disse rindo e atiçando ele.

— Sabe que me deixa louco não é? Adorava fazer isso! Pois bem. Vai me dá tudo que é meu por direito quando eu chegar ai. E voltará comigo. Ele falou me espantando com seu linguajar.

— Não vou, não vou e não vou! Resolva-se com as mãos como já disse. O meu corpinho aqui meu bem. Não mais! Eu disse vendo Lucas retornar e me comportei.

— Você não tem esse direito Miranda. Você é… Você é… Eu o vi ficar perdido da mesma forma que eu quando o assunto era casamento ou amor de verdade ali.

— Sou o que? Me diz? Isso mesmo Michael. Não sou nada. Só mais uma mãe para um filho seu. Eu falei olhando pela janela a tarde virar noite.

— Não vou discutir com você sobre isso. Estou a caminho e não quero armações. Acho você nem que esteja no fim do mundo! Ele disse parecendo que ia agora e eu sentia uma vontade enorme de chorar.

— Já disse. Não volto! Passar bem Michael. Eu falei e desliguei.

Ele ligou de novo e eu não atendi. Sabia que ele viria e me preparei para a briga que seria.

Com certeza agora todos tinham ouvido por conta de mim. Branca ia me odiar para sempre e Michael me prender naquela mansão dos horrores dele.

Então, eu ia aproveitar esses dois dias que ele levaria para chegar. E sim, tentar amenizar a imagem dele para Lucas e minha mãe.

Que pela suas caras não gostaram dele nenhum pouco.

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