7. CAP….

Eu fiquei ali andando por aquele quarto e vi que as coisas ali eram de primeira. Os móveis as cortinas e até mesmo os tapetes.
A chuva ainda caia forte lá fora então voltei a cama e me deitei olhando aquele luxo todo. Tinha que confessar bom gosto o palerma tinha.
Ainda processava na minha cabeça aquela idéia de passar a minha recuperação com aquela coisa maluca, mais não estar na minha casa me fez querer ter vontade de chorar.
Tinha coisas a resolver.
Eu estava quase pegando no sono quando notei que na porta tinha uns pés que andavam e passavam por varias vezes. Eu me levantei um pouco e mais uma vez os pés passaram pela frente da porta.
Me enfureci.
Será que só por que aqui era a casa daquele metido arrogante ele teria que passar toda hora na porta de meu quarto?
Levantei com raiva e arrumando aquela camisa enorme no meu corpo que ficava um pouco grande e folgada e abri a porta com rispidez.

— Quanto você quer para parar de me vigiar seu tarado? Eu disse abrindo a porta e me deparando com o nada.

— É a nova babá? Uma voz doce mais firme me falou e eu ainda procurei o dono daquela curiosidade.

Quando o vi sorri de imediato. Era um lindo menino.

— Olá. Me desculpe achei que fosse seu pai perturbado. O que faz aqui pequeno? Falei me abaixando e sorrindo para ele.

— Procuro por meu papai. Sabe onde ele esta? Ele disse olhando para o fim do corredor.

— Eu não! E nem quero saber. Me levantei e olhei para os lados. Procurava por alguém que o levasse para seus aposentos.

Não conhecia aquele lugar ainda. Para falar a verdade, nada alem da porta do quarto.

— Por que usa as roupas do meu pai? Ele lhe deu para não ter pesadelos? Ele falou com um olhar curioso e o olhar do menino parecia familiar.

— Ora! É essa mentira que ele cria em vocês? Deveria saber desde o principio. Eu disse imaginado nas loucuras que ele contava aquelas pobres crianças.

Quando olhei de novo para o inicio do corredor lá vinha àquele infeliz estranho com uma rapidez exagerada.

— Oh meu Deus! Por que esta fora da cama? O que já conversamos? Ele o pegou no colo e me olhou como se o tivesse tirado do quarto.

— O que é! O que ta olhando estranho? Eu disse me virei e me olhei.

Eu poderia esta sangrando e não sabia. Ele sorriu de canto de boca e disse de olhos serrados.

— Não tirou minha camisa ainda? Interessante! Ele disse sorrindo agora.
Eu olhei para a camisa branca dele em minha pele e vi que era curta e o peguei olhando para minhas pernas.

— Eu a tirarei assim que achar as minhas roupas. Disse me sentindo ultrajada e me esconde por detrás da porta.

— É surda? Já disse que esta nas cômodas. Agora se gostou do tecido dela, pode ficar. Lhe dou. Ele disse vendo seu filho me olhar intrigado e depois olhar para o pai.

— Seu maldito e arrogante. Vai me pagar por essa situação ridícula que me faz passar. Vai pedir a Deus que eu vá embora. Eu disse sentindo o meu sangue ferver de raiva.

— E deixar você fazer minha caveira para a mídia? Não. Eu prefiro cuidar desse seu corte e depois lhe mandar para fora de minha vida. Ele disse quase gritando e eu respirava fundo furiosa na porta daquele quarto.

— Está bem! Disse dando-lhe as costas.

— Está bem! Ele retrucou e saiu andando com seu lindo menino nos braços e eu fechei a porta.

Como ele podia fazer aquilo? Me manter como uma prisioneira naquela casa que eu só conhecia o quarto e o corredor?

Estava quase tendo um ataque de raiva quando tudo aquilo me caiu com força na realidade. Ele não ia me deixar sair dali e nem tão pouco entrar em sua casa e sair assim do nada.

Ele era Michael Jackson o cara dos filhos cujo o rosto ninguém poderia ver. E eu já tinha visto demais. Seu jeito verdadeiro, sua arrogância e seu filho mais novo. E pior ainda. Estava em sua casa sobre sua supervisão! Porcaria!

Revoltada eu procurei deitar de novo naquela cama quente e cheirosa e me embrulhei.
Fiquei de lado olhando para a janela um pouco sem jeito e sentindo os pontos latejar ainda, peguei a blusa dele e cheirei.
Era cheirosa e confortável. Miserável. Como ele podia me irritar tanto e ser tão cheiroso?

— Mais ele ainda vai me pagar! Estranho, mentiroso! Disse fechando meus olhos e rezando para que aquilo fosse um pesadelo.

Com o tempo, o cansaço me venceu e eu adormeci.

No dia seguinte eu acordei com um sol quente na cara e me perguntei se era tão tarde assim. Sem abrir os olhos, me espreguicei como se fosse a primeira coisa que fazia na vida e senti o ar entrar nos meus pulmões.

— Max meu garoto. Como está meu lindo? Disse sendo abordada por ele e uma grande lambida ele me dava no rosto.

— Se ele continuar pulando na cama vai dormi nela com pegadas de lama. É indisciplinada até com seu cachorro. Ele disse se sentando na poltrona e me olhando como se fosse o rei que tanto se titulava.

— AAAhhhh! Meu Deus! Eu disse assustada e colocando as mãos no peito.

— Quer me matar aparecendo para mim assim pela manhã? Será julgado por assassinato. Inferno! Disse me recuperando do susto e vendo-o levantar todo metido e ir para um criado mudo.

— É incrível essa sua falta de classe logo pela manhã. Mais só estou aqui fazendo minha parte. Ele falou levantando uma de suas sobrancelhas e me olhando de lado.

Eu o vi pegar uns algodões e umas bandagens junto com soro e pastas cicatrizantes. E ao lado estava os comprimidos que o doutor Alex tinha me receitado.

— O que esta fazendo? Falei vendo ele pegar o soro e molhar no algodão.

— Tem que limpar isso, não lembra o que Alex disse? Duas vezes ao dia? Ele falava me encarando.

— Nem pensar seu doido. Não tocará em mim de novo. Nem mesmo neste corte que dói o tempo todo. Sai de perto hein? Eu disse me levantando e sentando na cama.

O astro levantou uma e suas sobrancelhas e me fitou nos olhos.

— Vamos. Não tenho o tempo todo e mande esse monstro sair de cima da cama. Ele falou vindo em minha direção com uma cara de mal.

— Max pega amigão. Pega! Eu disse atiçando a guarda de Max e Michael recuou de olhos arregalados.

— Sua maluca! Pare com isso já! Estou aqui para limpar esse seu desleixo e só isso! O tranqüilize já! Ele gritou comigo e me assustei por um estante.

Mais sabia de uma coisa! Não ia deixar barato. Não ia ser nada fácil para aquele rico metido.

— Pega Max… sicsicisc… Pega! Eu disse mais alto e ele correu atrás de Michael que ligeiramente saiu porta fora do quarto com Max quase abocanhando seu traseiro.

— Eu vou matar você garota! Ele disse berrando lá de fora.

Eu levantei devagar sorrindo para fechar a porta. Mais quando eu ia trancá-la ele veio correndo em minha direção e eu sai em disparada para cima da cama sentindo os repuxões arderem.

— Sai daqui! Disse pegando um jarro qualquer ali daquele móvel.

Ele segurava a porta respirando fundo e parecia ter corrido uma maratona. Se virou e a trancou.

— Você já esta me dando mais trabalho que meus filhos sua louca. Desça dessa cama. Já! Ele pisava duro e falava alto.

Olhei diretamente nos olhos dele e notei que eram encantadores quando estavam com raiva. Mais não me deixei levar por aqueles olhos de tubarão e cruzei os braços.

— Não! Eu disse na maior cara de pau.

— Como é? Ele parecia se estressar mais.

— É isso mesmo. Não vai me fazer curativo nenhum. Se quiser chame alguma senhora por ai. Já li que tem mais empregados do que fios de cabelo. Disse fazendo bico e olhando para o lado ignorando a presença dele.

— Estou sem empregados. Os dispensei por conta de uma doida escandalosa. Agora venha até aqui! Ele falou me encarando com raiva.

— Não obrigado! Eu falei na mesma posição.

Eu virei a cara fazendo manhã, mais quando dei por mim ele já vinha em minha direção e me pegou pelos braços me fazendo descer contra a minha vontade.

— Ai! Esta me machucando seu grosso. Rude! Eu disse descendo da cama e ele nem ligava para minha raiva e protesto.

— Ora feche a boca que é melhor. Assim para de falar tanta besteira. Venha! Deite aqui! Ele disse segurando minhas mãos com força e sentando na cama.

— Só pode esta brincando né? Falei olhando para os olhos dele de novo e vi que ele fitou os meus.

Eu senti por um momento as coisas ao nosso redor ficar como se fosse em câmera lenta. Mais sacudi minha mão em revolta e ele segurou com firmeza.

— Vamos! Ele falou rispidamente e me fez deitar por conta de sua força.

Ele era mais forte e aquilo me irritou.

— Não quero, me larga! Disse me batendo em suas pernas e lhe dava murros nas cochas.

— Aiii… Esta me machucando! Ele falou segurando minhas pernas que eu as sacudia o tempo todo.

Ele impulsionou seu corpo para cima de mim e me apertou mais.

— Me solte se não eu farei uma loucura aqui! Eu falei alto e continuava me mexendo furiosa.

— Pare com isso! Assim não consigo acertar o corte e vai abrir seus pontos maluca! Pára! Ele gritou comigo e eu tentava puxar os cabelos dele.

Mais o infeliz era forte e não me deixava arranhá-lo.

— Eu vou matar você. Me larga seu… Seu.. Aaahhh!… Eu dei um grito alto que até Max começou a latir do lado de fora do quarto.

— Shiiii… Só mais uma vez. Ele disse com a voz que parecia sorri e eu já queria chorar ali de dor.

— Não… Aí não… Dói muito! Ah desgraçado! Eu disse apertando suas pernas e sentindo uma dor insuportável.

— Se com essa picadinha de formiga chora. Imagine se fizesse shows e shows por esse mundo. Estaria morta. Ele disse e novamente ele pingou aquele liquido em cima de meu curativo.

— Aiii seu filho da mãe! Graças a Deus que não. Se não, eu estaria em uma grande casa sozinho e com uma aparecia de gênero discutível. Eu falei e sacudia minhas pernas e ele intensificava mais a limpeza passando com mais cuidado e arrastando com tudo o algodão.

— Pronto! Não foi tão ruim foi? Ele falou e liberou minhas pernas.

Eu fiquei em soluços escondidos e segurando o tecido da calça dele por alguns momentos.

— Você quer me matar é isso que quer! Eu berrei em tom de choro e ouvi um sorrir alto.

— É você que é escandalosa. Se não tivesse se debatido toda como um peixe fora d’água não estaria ardendo tanto! Ele falou calmamente e eu vi sua sombra no chão e percebi que me olhava.

— Já acabou? Me deixe levantar seu tarado. Sinto seu animo seu pervertido. Disse procurando esconder o choro na minha face.

Ele ficou em silencio e eu esperei ele me levantar dali. A dor do corte ainda estava forte e sentia ela formigar toda vez que queria levantar.

Para minha surpresa ele deslizou suas mãos para debaixo do curativo e assoprou com carinho onde estavam os pontos.
Eu fiquei encarando o chão e senti algo mudar e me dar uma quentura de novo no corpo. Será se a febre voltava?

— Está passando? Ele disse com uma voz serena e rouca, e passava as mãos ao redor do meu corte.

— O que esta fazendo? Eu falei revoltada.

— Assoprando. Sempre melhora quando faço isso com meus pequenos. Ele falou e de novo ele assoprou com o ar quente de seus lábios que eu podia jurar que pode senti-los perto dos meus.

Eu me espantei com o devaneio e me levantei rápido fazendo ele me encarar totalmente intrigado e sem jeito.

— Saia. Eu preciso tomar um banho e me vestir. Disse sem olhar para ele que me olhou profundo e sorriu encantadoramente.

Aquilo fez meu coração acelerar e me sentir estranha.

— Okay. Peso que não molhe muito o banheiro e as toalhas. Calcinhas e sutiãs espalhados por ai eu não sou acostumado. Espero que respeite. Ele disse saindo de perto de mim e indo em direção ao criado mudo guardar o soro.

— Não tenho culpa se nunca esteve no mesmo ambiente que uma mulher. Ah! Como poderia mesmo ter tido essa ocasião. É Michael Jackson. Eu falei tentando afastar os devaneios de minha mente.

— Eu não vou ficar aqui ouvindo isso de você sua prepotente. A casa esta a sua disposição. Qualquer coisa chame Roger. E por favor, comporte-se na frente dos meus filhos. Eles não são criados com gente de comportamento baixo. Ele disse indo em direção a porta.

— Não se preocupe. Eu não vou sair daqui. Eu me recuso a me deparar com você por ai. Eu disse tocando no meu bumbum e sentido a dor.

— Como quiser. Vamos ver se agüenta ficar aqui esse tempo todo. Ele falou e abriu a porta para sair.

— Uma coisa seu estranho. Falei antes dele sair e o vi voltar e me encarar feio.

— Quem trocou minhas vestes? Eu falei o encarando e ele sorriu com um sorriso safado acompanhando com seus olhos que me miravam das minhas pernas aos meus seios que só agora tinha notado que estava a mostra demais.

— Minha babá. Passar bem! Ele falou e abriu a porta e Max entrou como uma bala.

Eu fiquei pensando nas palavras dele e deixei uma fúria me consumir diante do que tinha dito. Mais ainda, quando lembrei que ele tinha dito que tinha dispensado todos os empregados.

— Maldito! Ele mesmo o tinha feito! Eu falei alto e peguei uma almofada e abafei meu grito diante da atitude dele.

Eu ouvi ele sorrir alto antes de dobrar o corredor e com ódio taquei o travesseiro na porta e sentei na cama contrariada.

Tinha perdido dessa vez, mais era só o primeiro dia que eu passaria ali. Ainda tinha dias pela frente para atormentar aquele homem que se achava o máximo.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Advertisements