3.CAP….

O caminho para minha casa tinha sido mais rápido. Ele já deveria ter ido para outro lugar ou até mesmo uma casa ali não sei.

Seu motorista de cara de bobão abriu a porta para mim e quando desci, tive que tirar o vestido que ficou preso entre os pontos que tinha tomado e aquilo ganhou de novo os olhos tarados daqueles homens.

— Esse é o cartão do médico senhorita. Meu senhor disse que se precisar, é por conta dele. O segurança disse levantando os óculos escuros e me olhando andar pela grama que tinha na frente de minha singela casa.

— Não precisarei de nada que venha de seu patrão maluco e estranho. Tenho muito bem como me cuidar. Obrigada. Disse fazendo um esforço a mais nos braços e nas pernas.
Pois ainda carregava minhas coisas. Não deixaria naquele carro enorme.

— Estou apenas mandando o recado senhorita. Esta aqui o cartão. Ele veio de longos passos e já estava perto e eu peguei o que me trazia.

Suspirei e o olhei contrariada.

— Alem de tudo é um cartão sem criatividade. Vá embora já disse. E não pise na minha grama! Não vê que esse seu pé de gigante da montanha esta as matando? Disse jogando o cartão que rodopiou e caiu no chão.

Com um rebolado digno de arfadas fui andando até chegar na minha porta. Só virei para rua quando vi que o carro dobrava a esquina e me surpreendia com Max já me cheirando o bumbum.

— Max meu garoto, já esta aqui? Onde esta Angélica? Eu disse acarinhando a sua cabeça.

Ele como um bom cachorro Labrador e bem treinado me trouxe um papel babado que estava perto da tigela de comida dele.

—“Mira levei Max por que o hotel de cães fechou cedo esta tarde. Ele já esta alimentado. Angélica.”

Depois de ler o bilhete abri minha porta e deixe os livros e minha caixa na cômoda de entrada. E a imagem do cantor pop maluco e pirado me vinha a mente.

Nunca tinha sido desafiada daquela forma e nem imagina que aquele santo de cara de pau era daquele jeito.

O que o mundo diria se soubesse que me fizera sentir sua excitação em minhas pernas e ainda sorrir com uma cara cínica e sedutora?

— Ora Miranda. Pare com isso já! Nunca se encantou por seqüelados. Não é agora que se permitira a isso. Esqueceu de Terry? Falei comigo mesma e desliguei as luzes da sala e subi na companhia de Max.

Terry tinha sido uma decepção de quase dez anos e ainda me tinha feridas no coração. Mais não me rendia a lagrimas que insistiam vir quando ele me vinha vagar a mente.

— O que foi amigão? Eu via Max no canto do quarto me ignorando.

Eu procurei alguém pelos lados e fiquei com medo por um estante.

— É alguém aqui Max? Perguntei olhando para os lados intrigada.

Eu lá sabia, vivia ali sozinha desde que sai do Brasil e ainda não confiava naqueles gringos metidos. Max veio até mim receoso e cheirou meu colo e braços. Parou na barriga e espirrou rosnando.

— Ora seu mal educado. Não estou tão fedorenta assim! Disse puxando o tecido do vestido e notei que era o cheiro do tarado maluco.

— Era só o que me faltava. O cheiro daquele metido a besta impregnado aqui. Só pode ser gay mesmo. Nem eu agüento algo tão doce. Eu disse fazendo uma careta quando cheirei mais profundamente.

Fui ao banheiro e tirei a roupa e me banhei com raiva e lembrando do sorriso sem vergonha que ele me dava quando tentava sair do colo dele.

— Estúpido! Joguei a toalha no canto do quarto e me deitei sem roupa mesmo.
Tinha que descansar e dormi nua as vezes. Não consegui dormi logo de imediato e quando me virar os pontos me beliscavam. E aí me vinha aquela figura estranha e desengonçada que tinha me abordado.

No dia seguinte levantei cedo. Era fim de semana e para pagar o aluguel de minha casa eu tinha que fazer uns bicos. E o museu era o lugar perfeito.

Ninguém ia lá muito no fim de semana, então eu não ia me preocupar com aqueles velhos safados que me olhavam com desejo.

Tomei um café rápido e sai correndo para pegar o ônibus que passava no outro lado da rua em frente da minha casa. Max veio correndo e me acompanhou, como era um belo cão ele ia comigo a maioria das vezes para me proteger.

— Para o museu Miranda? O motorista que me tecia lindas falas e sonhos, me perguntava sempre a mesma coisa.

— E para onde mais? Não seja idiota. Pego esse ônibus todo o sábado! Está ficando cansativa essa sua tentativa de ter algo comigo. Disse sentando na cadeira mais atrás e o via me encarar no espelho.

Max latia para ele sempre e sabia que o odiava. Era sempre uma correria, tinha que chegar correr pegar os panfletos sorri e parecer uma miss idiota.

Estava no meu posto e tranqüila. Afinal não era tão mal educada como aquele ridículo tinha falado e me dava bem com as crianças. Então fiquei ali esperando os visitantes do museu.

— Bom dia! Seja bem vindo ao nosso museu de Historia Natural querido. Eu disse sorrindo para a criança a minha frente.
Mas notei que a criança de longos cabelos se assustou com minha aproximação e notei que um homem grande e mal encarado o pegou com rispidez.

— Hei! Não deveria pegar o pequeno desse jeito. Mexe com alguém do seu tamanho! Eu falei o empurrando em um impulso de defesa para com a criança que me observava atenta.

— Senhora me desculpe. Isso é coisa particular e restrita. Venha menino! Seu pai vai me matar. O segurança falou o pegando no colo e fez ele deitar em seu ombro e saiu dali.

Eu fiquei olhando aquilo e achei o cumulo e fui atrás.

— Max! Vem garoto! Eu disse fazendo um gesto para ele que me olhou e deu um latido alto.
Ele veio correndo e fomos atrás daquele marmanjo mal encarado que tratou o pequeno de olhos grandes e enormes com rispidez. Que me fazia lembrava de alguém e não me lembrava de quem era.

Quando cheguei na outra sala de exposições vi umas três crianças se despedindo dos seguranças em sorrisos e falando alto.

E achei estranho quando eles lhes colocaram lenços. Eu fiquei escondida ali esperando ver quem eu temia se fosse ele, e assim foi feito.
Max começou a latir e eu tentei pegá-lo mais longe, mas ele já corria e assustou todos e vi as crianças gritarem chamando por aquele tarado cínico.

— Deus! De onde veio esse demônio? O pop mimado disse se escondendo atrás de um dos caras enormes que estava com ele.

— Não sei senhor. E está bravo! Saia! Xô pulguento! O segurança disse quase chutando o focinho de Max e eu me enfureci e sai de trás da coluna.

— Pulga tem nos seu cabelo seu imoral! O que pensa que ia fazer? Disse pegando Max pela coleira e o detinha para não pular neles.

— Controle seu cachorro senhora ou algo ruim acontecerá com ele. O segurança que defendia o astro pop disse com medo de Max.

O tal de Michael Jackson saiu de trás do seu armário humano e me olhou de olhos estreitos e todo se achando. E depois olhou reprovando a atitude de Max.

— AH não! Você! Ele disse mostrando totalmente um desgosto.

Mais notei seus olhos correrem para minhas pernas. Estava eu de vestido curto florido e leve de volta.

— Pronto. Meu dia esta perfeito! Pode pedir que seus seguranças não me sigam. Por que acho que isso que esta fazendo! Eu disse contendo Max que latia ferozmente para ele.

— Ora por favor sua mal educada e boca suja. Eu estou aqui no museu com meus filhos e muito me admira ver você por aqui. Nem todos tem a capacidade de apreciar a bela arte! Ele disse parecendo querer mostrar coragem para as crianças que de longe estavam olhando para nós.

— O que! Revoltada eu soltei Max que rosnou com veracidade perto das pernas dele.

— Socorro! Tirem esse mostro daqui. Agooooora! O astro gritou se encolhendo todo.

—Senhora! Controle seu cachorro. Outro segurança vinha mostrando guarda e que ia deter Max.

Eu olhei para ele com cara de soslaio e notei que as três crianças que tinha saído as pressas eram seus filhos. Os mascaradinhos. Coitados daquelas crianças com um pai maluco feito aquele.

— Monstro é você! Veja sua própria cara! Eu disse retribuindo o insulto.

Sabia que ele ia pirar diante de mim. Já tinha lido que ele odiava que falasse de sua aparência.
Os seguranças dele arregalaram os olhos e olharam para o patrão diante de mim.

— Não me segurem! Não me segurem. Que eu vou pegar essa garota e lhe encher de boas palmadas! O astro se enfureceu e regaçou as mangas de seu casaco todo enfeitado.

— É bem seu tipo mesmo. Ser mimado, arrogante e pensar que o mundo gira em sua volta. Rico metido a besta. Max… fiu,fiu… . Eu disse vendo ele ser segurado pelos seus seguranças.

Max veio correndo para perto de mim e ficou ao meu lado. O astro arrumou sua jaqueta e os cabelos, parecia que nunca tinha se descontrolado daquela forma.

— Deveria me agradecer pelo que fiz ontem sua ingrata. Poderia deixá-la sozinha naquela rua e com o traseiro sangrando. Não merece nenhum pingo de compaixão. O astro falou ainda com muita raiva na voz.

— Acho que não pedi ajuda alguma. Afinal não sou eu que ando por ai em luz alta e como se corresse do mundo. Parece um bicho do mato, de caverna! Falei olhando minhas unhas e o vi andar de passos largos até mim.

Mais quando chegou perto Max rosnou e ele se limitou.

— Eu deveria… Eu… Ele segurou o grito e mordeu o punho fechado evitando o grito.

— Vai morrer assim. Tá parecendo uma maçã de tão vermelho. Além de chato, tarado é sem controle. Que pena que sinto de você. Eu disse não me importando para os demais que nos olhavam abismados.

— Deus! Você me tira do sério menina! Poderia lhe pegar agora e lhe dar uma lição e fazer desse seu cachorro sabão. Ele falou com uma vontade enorme de me estrangular ali diante dele.

Eu me enfureci o encarei.

— Nem se atreva a tocar em mim de novo. Está me entendo? Eu disse chegando mais perto dele e notei que meu dedo estava perto do nariz dele e continuei.

— Não me mete medo astro pop falido. Ninguém mais escuta você. Eu disse revirando os olhos e virei de costas e sai andado.

— Esta enganada. Eu sou o melhor artista que esse mundo já viu. E por mais que tenham me feito de fantoche para maldade humana, sei que fiz o meu melhor. E você! Quem é você? Ele andava ao meu lado gritando no meu ouvido.

— Sou uma bibliotecária e cuido da entrada do museu nos fins de semana. Obrigada! Eu disse o empurrando para passar, por que ele me impedia.

— Deveria se portar como uma dama. Por que insiste em me desafiar? Ele parou na minha frente e respirando fundo me encarou.

Eu notei uma certa aglomeração de gente entrar na sala em que estávamos e notei que tinham fotógrafos e muitas mulheres. Era o que queria para acabar com a pose de lorde dele.

— Deveria ir e me deixar em paz! Ou se arrependerá. Eu disse o encarando e depois olhei mais alem dele.

Eu via o grupo de gente chegar mais rápido ainda e seus seguranças o chamavam, mais seus olhos em mim e até quando os pegava nos meus seios eram cheio de raiva.

— Pode ser pelo menos grata? Ele disse sorrindo de canto de lábio e eu senti meu corpo enfraquecer diante daquele gesto normal e banal.

— Não tenho culpa arrogante. Você com seu carro do ano me pegaram desprevenida. Eu disse ainda o encarando.

— Senhor Jackson é a mídia. Alguém soube que veio. O segurança falou se colocando ao lado dele e outros dois a frente.

— Oh não! Isso é coisa sua não é? Ele falou olhando para a sombra no corredor e constatando que eram fãs.

— Antes fosse. Adoro sua cara de bobão e sem noção. É irritantemente desprevenido e estranho! Aberração! Eu disse mostrando que amei a sua aflição agora.

Eu sorri para ele com um tom de vingança e o vi quase me apertar o pescoço. Mais desfez a raiva quando ouviu os passos mais pertos.

E eu aproveitei para me vingar.

— Noooossa! Vejam é Michael Jackson! O próprio… Michael Jackson o rei do pop! Falei alto mais que pode e o grupo de pessoas veio correndo.

— Senhor alerta. Vamos sair logo daqui!O segurança tentava tirar ele da minha frente, mais sua fúria o fazia petrificar diante de mim.

— Ainda vai me pagar por isso sua indigente e mal educada! Ele falou quase cuspindo as palavras em mim.

— Uuuu… Estou morrendo de medo. Acho que nem dormirei com medo do monstro do armário me pegar na calada da noite. Te enxerga cara! Eu disse vendo as pessoas chegarem mais perto dele.

— Mexeu com o homem errado garota. Não sabe nada sobre mim, não sou o que pensa. Vai se arrepender! Ele apontava para mim mais furioso que nunca.

Seus seguranças o arrastaram para fora dali no meio daquela multidão que corria diante de mim e Max e eu só sorria com o que tinha causado a ele.

E por um estante, amei ter o visto de novo. Mais ainda era um sem noção e sem escrúpulos!

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