Ela aumenta devagar a musica e estava com um copo na mão. Parece suco algo que gosta, toma um pouco e se sente confortável com uma camisa masculina que usa.

É dele.

Anda devagar ate onde esta o homem sentando ali na frente da janela, pensando em algo. É preocupado e fica concentrado. A musica esta ralando devagar e um pouco alta. Em tom ambiente. Ela toma mais uma vez o suco.

E deixa o copo em algum móvel. Esta tudo escuro e o quarto aparentava ser grande e muito aconchegante. As cortinas tocam nos braços dela enquanto ela observa o moço lá sentando ainda concentrado.

Ela sorri para si mesma e por um instante se sentiu bem em estar ali. Ele era lindo para ela, se resumia em todo o mundo e felicidade que ela precisava.

Era único.

Abraçou ele por trás tocando em seu peito que respirava tranqüilo. Não sabia de fato nem ao certo o que deixava ele assim a noite pensando. Era muita coisa para ele? Nem ela sabia.

O carinho que estava sendo feito no peito dele tirou aquela cara preocupada e o fez sorri. Um sorriso bom e sem esforço. Tocou nas mãos dela com leveza e a levou para sua frente.

Sorriram para ambos e ele ficou olhando para ela naquele quarto escuro só com a lua brilhando entre eles e que refletia nos olhos cintilantes dele.

Ah… aqueles olhos. Ela se sentia assim, podia sentir o peito assobiar quando ele e a tocava, mais não era um assobio como os de passarinhos.

Era um assobio de rogo e desejo, e sempre acaba em amor para sempre.

Delicadamente ele a fez entender que era para se juntar a ele na espreguiçadeira. Ela o olhou surpresa, não era a primeira vez aquilo. Mais parecia que era sempre a primeira vez quando faziam.

Quem sabe e quem entende o que o amor entre duas pessoas fazem sentir?

O rosto dele mudou, de um tom bom e honesto ficou para um tom de voracidade e desejo a flor da pele.

E ela sabia o que se esperava ali.

A tensão a vontade que gritava a cada poro de seu braço, a cada cabelo que arrepiava, só cessaria se ela o tivesse. O amor que se seguia ali era forte e fraco, completo e incompleto.

Aquela coisa que deve sempre conservar e proteger… Como uma rosa, que todo o dia tem que surpreendê-la. Com água, sol, palavras e amor.

E nem mais queria saber de manter sua conduta de mulher meiga ou apaixonada. Às vezes o amor quando se dava entre eles era coisa assim, pura de guerra, coisa de mostrar e provar como queriam ser amados.

Não pode mais se conter em ver a tal imagem viva ali na sua frente e o beijou. A porta para a inconsciência, para o topo do pecado permitido e a derrota do amor sentido, tinha sido aberta.

Concentrava-se nas mãos quentes e preguiçosas que a matava por não passear em seu corpo de uma vez só. O doce sabor da boca dele na dela era como um alimento para a mais faminta das fomes.

Perigoso.

Mais não ia conter-se, não era mais necessário, a musica fazia ambos relaxar e o animo aumentar. Era muito fina e sedutora as notas podiam lhe levar aos céus e com o amor que eles faziam ali era como uma flauta de anjos nos ouvidos dos que buscavam o céu.

Um abraço e puxando para si era assim que ele a convertia mais uma noite. Nem precisava falar alguma coisa ou tentar mostrar a ela ali que era a mais importante agora.

Era só sentir que saberia. Ouvir o coração.

A cabeça inclinava para trás e os beijos eram dados no pescoço, as mãos se entrelaçavam para que pudessem se equilibrar naquela mais nova traquinagem dos dois.

Na mente era alto e gritante as palavras que ele queria dizer a ela em seus ouvidos. Mais quando tentava, o amor o calava e o que se restava era respirar fundo e amá-la mais uma vez.

Eram como ondas, como quando elas batem em sua costa e lhe inclinam para frente e a trazem para trás. Em movimento devagar e sedoso, algo lento e carinhoso. Era assim que se seguia a vontade de corpos.

Certas letras e linhas da musica se fundia em suas mentes e em um momento sutil e viril um olhou para o outro e sorriu. Era um sorriso realizado e o mais aliviado de todos.

Como quando tem algo que sempre quis e consegue.

That’s for all time…

Ele pode ver os lábios dela dizer isso e só a abraçou. No auge de tudo aquilo, ele pode sentir o desespero que estava vindo por entre suas caricias e suas danadas idas e vindas.

Ele não estava sozinho na brincadeira, estava com ela que se mostrava mais interessante a cada dia. Era difícil explicar ou tentar raciocinar nessas horas.

Aquela dor reclamante palpitante que lhe agoniava o peito e lhe prendia o coração e esmagava nas costelas e fazia seu pulmão derreter, era para ser evitada. Mais essa era a única dor que Deus tinha dado para não ser dolorida. Sim, realizada.

Os olhos se encontraram de novo nos últimos refrões da musica. O jeito dela ajeitar seus cabelos e ele de lhe acariciar as costas, era gratificante.

A cortina passou por cima deles em um vento forte e frio. Foi um momento descontraído depois do amor que se deu na frente da janela.

O vento contornava suas peles nuas e o jeito que encontraram de ficar ali sem morrer de frio foi se abraçarem. Um no outro. Contaram as estrelas e competiram, quem achava mais.

Ela contou uma grande quantidade deitada em seu peito. Ele a segurando para que não saísse dali por nada contou a mesma quantidade.

Empate?

Mais ele completou e disse.

– tenho mais estrelas que você. Sorrindo ela disse.
– eu tenho mais. As contei e tenho uma que não tens. Você.

Só posso ver as cortinas brancas na minha mente voarem e as notas da musica tocarem na minha alma. Não sei de onde vem e quem são, mais sei que o amor existe até onde eles puderem se amar.

 

~ Por Mila ~

 

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