16.CAP. “Surpresas.”

Eu me acordei com um gosto amargo em minha boca. Olhei para o lado e Michael já não estava. Peguei o relógio da mesinha e observei as horas. Já eram dez da manhã.

Com certeza as crianças já tinham acordado e Anny estava com eles lá fora para a dose diária de sol de Matt e Michael deveria estar enfurnado em seu estúdio. Ele jamais deixava de trabalhar.

Eu me levantei me sentindo um pouco zonza e me lembrei do episódio desagradável da noite anterior no banheiro.

— Droga! Preciso pedir a Sara fazer aquele chá de ervas que ela faz para o meu estomago. Eu acho que preciso mudar os remédios para dormir. E para isso eu preciso ir ao doutor e pedir outra receita. Mas como fazer isso sem Michael perceber? Eu preciso pensar. Eu disse me levantando com uma certa dificuldade e indo tomar o meu banho para descer.

Depois de algum tempo me recompondo desço as escadas de moletom e tênis. Eu queria dar uma volta pelos jardins mais ao norte da mansão.

Ali tinha um bosque e planejava fazer uma tarde de piqueniques com as crianças e Michael. Já que não podíamos fazer como todo mundo. O improviso era a alma do negócio.

Mas quando mal coloco os pés na entrada da sala principal que me levaria ao estúdio e a Michael. Eu escuto passos vindo em minha direção e parei.

— Bom dia senhora. Temos um pequeno problema no portão principal. Booby falou me olhando preocupado.

Eu olhei em seus olhos castanhos e gelei na hora. O que era agora?

— Bom dia Booby. O que é já cedo? Pelo que sei não anunciamos que estávamos de volta. Então não deveríamos ter problemas no portão. Eu disse sentindo uma leve dor de cabeça chegar e fiquei intrigada.

E aquilo não era nada bom. O dia nem havia começado e os problemas já nos batia os portões.

— Há um carro estacionado na frente dos portões e solicitando ser recebido. Há três pessoas dentro dele pelo que o segurança do portão me falou. Booby falou parecendo receosos agora.

Eu levantei uma de minhas sobrancelhas e me voltei inteiramente para ele.

— Quem eles são? Eu disse temendo a resposta.

— O motorista se identificou como Tito Jackson Janet e o senhor Joe Jackson. Ele falou me fazendo estalar os olhos em sua direção e empalidecer.

Eu quase cairia ao chão se não fosse o sofá nas minhas costas. Deus! Eles nos acharam!

— Senhora! A senhora está bem? Sara! Senhor Jackson! Booby gritou alto vindo em minha direção e o eco se fez presente na sala toda.

Eu não acreditava naquilo. John havia me dito que eles sabiam que tínhamos voltado. Mas para nos achar seria um pouco difícil.

Como eles nos acharam?  E tão rápido! Eu detestava como eles faziam para conseguir as coisas. Confiar nas pessoas estava mesmo difícil.

Se alguém os reconhece-se entrando ali. Com certeza as coisas começariam a fugir do controle. E isso nós não queríamos.

— Senhora! A senhora está bem. O segurança repetia a pergunta alarmado me olhando de perto.

— Sim. Eu estou bem Booby. Eu disse olhando para ele e vendo Sara e Michael entrarem correndo de lados opostos.

— O que está havendo aqui? Por que está gritando? Michael falou parecendo assustado.

Mas quando me viu pálida no sofá sentada, seus olhos se arregalaram para mim.

— Senhora o que tem? Sara falou vindo em minha direção aflita.

Eu deveria estar mesmo assustadora pela face de todos para mim.

— Med! Você está transparente. O que tem? Está passando mal meu amor? Deus! Não fique parado ai Booby. Chame o médico dela, agora! Michael falou alto largando algumas folhas de suas mãos no chão e veio sentar do meu lado.

Eu respirei fundo fazendo o tremor que consumia o meu corpo diminuir e olhei para Michael que me olhava aflito.

— Eu estou bem, só foi o susto. Michael. O seu pai e seu dois irmãos estão pedindo para serem recebidos nos portão. Eu disse o olhando fixo.

E o susto tomou conta de sua face também. Ele também não contava que eles nos achassem assim tão cedo. A esperança era que nunca nos achassem.

Mas, eu sabia que se eles soubessem quem eu era. Chegar a Michael era fácil, e temi aquilo agora.

— Mas como? Michael falou parecendo se recobrar do susto.

—É fácil Michael. Se alguns deles me reconheceram naquele dia da reunião. E sabem do meu passado. É só pensar. Não é um sobrenome falso que os deteriam. Eu disse sabendo que por mais que eu me esconde-se, velhos fantasmas voltariam a tona para nos assombrar.

— Droga! O que eles querem? Michael falou se levantando andando de um lado para o outro passando a mão em sua cabeça.

— Eu não sei ao exato. Mas desconfio. Booby diga para os seguranças deixarem eles entrarem. E vamos enfrentar o problema de vez. Eu disse vendo Michael me olhar desnorteado.

Tanto eu como ele sabíamos que boa coisa não viria desta visita de surpresa.

— Eu não quero falar com eles Med. Depois de tudo o que eles fizeram eu não quero. Michael falou enfurecido comigo quando refletiu o que viria.

— Mas fugir do problema também não resolve. Se não os receber agora. Eles iram voltar e com mais ênfase. Então vamos já conhecer os seus termos. Assim sabemos como lutar esta guerra. Eu disse vendo ele me olhar fixamente.

Michael pareceu pensar por alguns momentos no que eu dizia e fiz um sinal ao Booby para fazer o que mandei. Michael respirou fundo e veio se sentar do meu lado de volta.

— Okay meu amor. Vamos fazer do seu jeito. Mas se eles me enfurecerem. Eu não respondo por mim. Michael falou me abraçando apertado.

Eu sabia dos seus temores. Por mais que Michael pudesse enfrentar o mundo, a sua família ainda era o seu maior pesadelo.

Os monstros criados por eles eram fortes. E agora entendia o receio que Michael tinha deles. Eles metiam medo em qualquer um. 

continue…. Kisses in your hearts….

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