8. CAP.. “ Velhos costumes.”

Aquele dia foi triste. Michael se trancou no quarto e não queria ver ninguém. Mal falou com seus filhos.

Matt já compreendia que seu pai estava triste, mas não sabia o por que. E na sua forma de ajudar o pai, ele ficaria quieto e procuraria entreter a sua irmã para que seu pai não se a borre-se mais.

Eu liguei para John e mandei ele fazer aquilo que eu mais detestava. Marcar uma reunião de família para o outro dia pela manhã.

A noite foi como a muito tempo não via. Michael não dormiu um só segundo. Ficou andando de um lado para outro e me pareceu exausto.

Quando o dia amanheceu ele pareceu adormecer de exaustão e já imaginei com que ajuda ele pegou no sono, e aquilo me deixou furiosa.

Quando percebi o que ele tinha feito quando olhei os frascos na mesinha, os peguei todos e desci em direção a ala da segurança antes mesmos dos funcionários levantarem.

Fui a passos largos pelo corredor e entrei no quarto sem nenhuma delicadeza e sem bater antes.

— Qual de você entregou isso ao meu marido? Eu disse vendo três homens acordar num pulo e se assustarem comigo ali de pé em sua frente.

— Senhora! O que ouve? Peter falou já de pé só de calção e camiseta regata.

Os outros dois estavam da mesma forma com suas faces desnorteadas de me ver ali gritando com eles e com uma face nada gentil.

— Eu quero saber como isso chegou a Michael? Qual de vocês três passou por minhas ordens? Sabem a quanto tempo ele largou disso? Sabem o quanto isso foi difícil de ser feito? Eu só quero saber como ele conseguiu isso aqui? Eu gritei para os três na minha frente de raiva.

Cada um se entreolhou e me olharam sem entender nada.

— Senhora. Nós sabemos das restrições sobre isso com o senhor Jackson. E não passaríamos por suas ordens. Se ele os tem, não foi por nós que ele os conseguiu. Ramires falou me olhando fixamente.

Eu respirei fundo e me sentei na beirada de uma das camas. Os três parecerem desconcertados diante de mim. Eu me fazia de dura como podia, mas as vezes me sentia tão indefesa que mal conseguia pensar.

Michael era esperto. Quando ele queria algo ele simplesmente conseguia.

— Me desculpem rapazes. Eu só não queria viver aquilo de volta. Se não foram você que com certeza não seriam tolos o suficiente para fazer isso. Me tragam Jacks. Só ele poderia ter entregue esta porcaria a ele. Eu sei que Michael pode intimidar quando quer. Eu disse sem olhar para eles e notei um momento de silencio e logo uma movimentação no quarto.

— Sim senhora. Se a senhora quiser aguardar um momento na sala. Eu vou chamá-lo. Peter falou parecendo envergonhado com seus trajes e dos outros.

Afinal eu era a sua patroa e a mulher do homem que eles deveriam proteger com suas vidas.

— Okay. Me desculpem. Mas me tragam ele agora. Eu tenho uma reunião com os Jackson daqui a pouco, e não quero deixar isso para depois. E você Ramires. Fique de olho em Michael. Não podemos deixar ele fazer nenhuma besteira por causa desta família descontrolada dele. Não quero que meus filhos vivam aquele inferno. Eu disse me levantando e olhando os três na minha frente.

— Sim senhora. Ramires falou já indo pegar suas roupas.

Eu sai dali e fui em direção a sala esperar Jacks. No caminho encontrei Sara que se assustou comigo vindo da ala dos seguranças. Ela sabia que eu jamais ia atrás deles se não fosse algo sério.

— Senhora! Bom dia. Aconteceu algo? Sara perguntou me vendo ir com ela até a cozinha.

— Bom dia Sara. Michael teve uma péssima noite. Ele adormeceu agora e creio que não vai levantar tão cedo. E nem me pergunte como ele dormiu. Creio que velhos fantasmas estão tentando voltar. Eu vou sair agora para uma reunião. Ramires ficará de olho nele. E você nas crianças com Anny. Eu creio que não irei demorar, e se der tudo certo volto antes dele acordar. Eu disse pegando algo da geladeira.

— Sim senhora. Eu vou providenciar o seu café e já servirei. Ela falou com uma voz triste e pensativa e foi fazer os seus afazeres.

Ela tinha vivido aquele inferno com ele depois que tudo foi feito. Michael teve momentos difíceis para poder se acostumar com o que tinha feito.

Para um homem que viveu a vida todo sobre os holofotes e câmeras, viver escondido e como morto não era nada fácil.

— Senhora. Jacks a espera na sala. Peter falou já todo arrumado quando entrou na porta da cozinha.

— Okay. Vamos lá. Eu disse depositando o copo com água que peguei na mesa e sai junto com ele.

Sara nos observou sair e ela já sabia que ali viria bronca.

Encontrei Jacks na sala de pé e todo arrumado com sua roupa de trabalho, eu fiz sinal para os outros saírem e ali tive um conversa séria e definitiva com ele.

Jacks estava conosco desde o começo de tudo aquilo começar, e eu confiava nele plenamente. Eu sabia que ele não tinha feito por mal. Afinal quem recusava aqueles olhos negros lhe pedindo algo? As vezes nem eu!

Todos que sabiam daquele grande segredo estavam ali por amor a Michael, e lógico. Pelo um belo salário que jamais ganhariam em lugar algum.

Jacks confessou ter conseguido os remédios antes de virmos para Los Angeles e que Michael implorou por eles. Mas, que ele prometeu só fazer uso quando não aguentasse mais.

E eu sabia que Michael estava no seu limite a dias, como eu. Mas eu ainda resistia.

Depois de Jacks me prometer que nem com aqueles olhos negros brilhantes ele cederia mais, eu levantei e fui me arrumar.  

Tomei um café contra gosto e sai em direção aos Jackson.

 continue…. Kisses in your hearts…..

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