6.CAP….

Os portões de sua adorável e tão falada Neverland me renderão olhos atentos. O seu mundo era mesmo encantador.

Pelo que via enquanto o carro seguia em frente, era que por mais que ele ostentasse o que ele parecia ser para muitos, os seus olhos escondiam o que ele era de verdade e só um tolo não via isso.

E eu pude ver isso nos seus olhos no cassino e no camarim. O senhor Michael Jackson seria um delicioso mistério a se desvendar.

— Lindo não! A voz de John me fez o olhar por detrás de meus óculos escuros.

— Magnífico. A sua casa é isso mesmo que dizem. Ela é um sonho. Eu disse sorrindo para ele.

— Michael se orgulha dela. Aqui ele pode ser ele mesmo. Não precisa disfarçar diante de câmeras e mídia. Eu creio que sabe que a privacidade dele é mais que desejada. John falou me olhando fixo enquanto o carro seguia.

— Eu sei ler John. E não se preocupe. Não sou de ficar falando o que faço com meus clientes. Se me procurou sabe disso. Eu falei mostrando que não era tola.

— Eu sei disso. É por isso que Michael aceitou isso tudo. John falou colocando uma de suas mãos em minha perna.

Eu olhei a sua mão acariciar a minha cocha e retirei os meus óculos escuros e o fitei em seus olhos enquanto o carro dava a volta no jardim para estacionar.

— Escute bem John Branca. O meu cliente é seu patrão. E não li no meu contrato que eu tinha adicionais. Se deseja desfrutar algo de mim alem de uma bela amizade enquanto nos vemos. Pague o que se deve, e espere eu terminar com o senhor Jackson, daí conversamos. Eu falei vendo ele retirar a mão de minha perna quando o carro parou.

— Desculpe. Espero que não diga isso a Michael. John falou ajeitando a sua gravata desconfortavelmente.

— Sem problemas querido. Agora vamos ver o mundo encantado de seu patrão. Eu falei vendo o motorista descer e abrir a porta.

John me ajudou a descer do carro e o perfume das flores daquele lugar me invadiu. O sopro suave da brisa logo pela manhã era deliciosa e já me imaginei correndo por ali como uma criança que um dia eu fui. Mamãe amaria este lugar, ela adora flores e girassóis.

Uma brisa soprou com mais força fazendo o meu chapéu quase sair de minha cabeça e a saia do meu vestido rodado quase levantar toda deixando as minhas pernas mais que amostras.

— Nossa! Eu falei meio que aflita com tudo aquilo.

— Deus como você é justo. John falou com seus olhos fixos em mim e eu me virei para ele o fulminando com os olhos.

Eu segurei a saia com as mãos enquanto o meu chapéu sai de minha cabeça deixando os meus cabelos caírem sobre meus ombros enquanto ele rolava na grama a minha frente.

— Deixe que eu o pego senhorita. O motorista falou seguindo o chapéu na grama.

Mas ele parou nos pés do astro que o pegou e o trousse até a mim.

— Mil perdões. Está para chover. E o tempo muda rápido aqui. O astro falou me entregando o chapéu.

— Sem problemas. Sorte que eu não fiquei nua. É um prazer revelo senhor Jackson. Eu falei vendo ele ficar vermelho com meu comentário e desviar os olhos de mim e mirar em seu amigo.

— Feche a boca John. Está ridículo. O astro falou repreendendo o seu amigo.

— Desculpe. Se me dão licença por um momento. John falou pigarreando e foi até o motorista falar algo.

— Como está senhorita Clark? Espero que tenha feito uma boa viagem e que John tenha lhe dito sobre o contrato. Ele falou tentando recuperar o seu rubror.

— Há! Claro que sim. E aceito os termos. Quando começamos? Eu falei olhando ao redor e percebi nuvem negras mais ao leste.

— Vamos entrar. Quero mostrar a minha casa primeiro. Os meus filhos não estão hoje, mas irá conhecê-los em breve. Eu reservei este dia para nos conhecer melhor. Se quisermos ser convincente, temos que não cometer falhas. A imprensa é mentirosa, mas não é tola. O astro falou me mostrando a entrada de sua casa.

— Como queira senhor Jackson. Eu falei seguindo ao seu lado.

— E sou Michael. Ele falou me corrigindo.

— E eu sou Ava. Eu falei vendo ele sorrir disfarçadamente.

Naquele meio tempo John voltava com o seu celular nas mãos. Ele parecia preocupado.

— Bom, eu já a trousse. Eu vou lhes deixar sozinhos para que se conheçam direito. Eu voltarei depois Michael. Tenha um belo dia senhorita Clark. John falou para nós dois.

— Para o senhor também. Eu disse sorrindo para ele quando ele me olhou sem jeito.

— Okay John. Eu lhe aguardo mais a noitinha. Michael falou o vendo entrar no mesmo carro que nos trousse.

Nós o vimos partir seguindo a estrada de pedras e percebi o astro me olhar sutilmente.

— Okay Ava. Vamos começar? Ele falou vendo um funcionário abrir a porta e adentramos em seu mundo mágico.

— Vamos Michael. Eu falei concordando com ele e ele sorriu com um sorriso estonteante e tímido ao mesmo tempo.

Neverland era tudo que eu lia nos jornais e muito mais, um mundo aparte do nosso, um mundo onde o maior astro da terra se refugiava dos demais, com o tempo ali eu notava o por que ele construiu aquilo tudo.

Eu sabia e percebi em seus olhos que apesar dele ser quem era, uma solidão o assolava.

E reconheci que ele era muito parecido comigo em certos termos.

— Eu posso perguntar algo pessoal Michael? Eu disse pegando a minha frasqueira e acendendo um cigarro.

— Não gosto de perguntas pessoais. E muito menos cigarros. Ele falou me repreendendo.

— Okay. Sem cigarros. Mas ainda preciso saber de algo para que sua mentira de certo. Eu falei me levantando apagando o cigarro com o meu sapato e fui caminhando até ele devagar.

O astro seguiu os meus gestos em silencio e percebi ele se agitar na cadeira. Ele parecia nervoso agora com a minha presença.

— O que quer saber? Ele falou me vendo passar por detrás dele e sentiu o meu dedo indicador tocar o seu corpo por cima da roupa.

Eu senti o seu corpo vibrar ao meu toque quando eu passava o meu dedo em toda extensão de seus ombros largos, eu sorri diante daquilo, ele resistia a mim bravamente. Mas até quando isso iria ser feito?

— Por que? Eu falei me encostando na mesinha a sua frente e fui fazendo o contorno de sua face com meu dedo e erguendo o seu queixo para mim e o fitando em seus olhos negros.

— Por que, o que? Eu não compreendo você. O astro falou com seus olhos fixos em mim.

Eu sorri para ele com um sorriso que sabia que seduzia e percebi seus olhos brilharem ainda mais para mim. Ele podia ser resistente, mas ainda era um homem.

— Olhe ao seu redor Michael. O seu mundo por detrás destes portões é mágico. Mas o que lhe assusta e lhe magoa e o mundo lá fora que por sinal, você também reina. Não deveria deixar eles lhe atingir tanto. Eu sei o que tenta preservar. Mas a sua mentira não irá lhe ajudar. Por que simplesmente não os manda para o inferno? Eu falei descendo o meu dedo de seu queixo e fui descendo ele pela fenda de sua camisa aberta e senti na ponta de meus dedos o seu coração bater mais descompassado.

Michael acompanhou os meus gestos e pegou na minha mão com suavidade. Ele parecia estar tremendo, mas sua excitação era por outra coisa.

— Eu já tentei de diversas formas Ava. E todas deram errado. Tentei ser feliz e nem isso consegui. Eu sou humano alem de ser um artista. Mas ninguém entende isso. Me condenam por me vestir diferente, andar diferente e me portar diferente. Eu amo a minha carreira e a minha privacidade. Por detrás destes portões sou eu mesmo, não preciso medir meus atos e nem as minhas palavras. E ainda me tacham de coisas que me magoam. Por isso deixei John me convencer disso agora. Eu não quero que meus filhos um dia pensem que não lutei para mudar isso tudo. É um ato desesperado, mas eu irei tentar. Ele falou me fazendo o olhar fundo em seus olhos e vi nele a garotinha que um dia se revoltou contra todos.

— E se depender de mim. Eu farei de você para o mundo o homem mais apaixonado de todos. Eu disse invertendo o toque, segurei a sua mão e levei aos lábios e depositei nela, um beijo suave.

Michael acompanhou os meus gestos e olhei em seus olhos sentindo algo diferente percorrer as minhas veias, soltei a sua mão e sai de sua frente e fui me sentar em meu lugar.

— Pois bem. Amanhã eu te aguardarei. Mandarei aprontar os seus aposentos e conhecerá os meus filhos. O astro falou parecendo voltar de seus pensamentos depois do que foi dito.

— Okay. Eu estarei aqui amanhã. E espero que seus filhos não me estranhe. Se convencermos eles, o resto será fácil. Eu disse dando um gole no meu suco que tinha deixado na mesa.

— Com meus filhos eu conversarei hoje apesar de serem pequenos ainda. Eles sabem o que tenho que fazer. O astro pareceu triste com suas palavras agora.

E aquilo me incomodou. Droga! O que estava acontecendo comigo? Mas tentei disfarçar o incomodo.

— Não diga nada a eles Michael. Eu nunca tentei ser uma mulher apaixonada. E demonstrar amor por alguém é algo que nunca fiz. Se eles descobrirem que eu minto em relação a você, então eu não convencerei a mídia que o nosso relacionamento é genuíno. Então deixe eles avaliarem a minha performance. Se eu os covencer. Seremos perfeitos. Eu disse dando a ele um sorriso sedutor agora.

O astro pensou nas minhas palavras e sorriu para mim.

— As crianças são puras. Elas percebem os sentimentos nos olhos dos outros. Ele falou me advertindo.

— Pois bem senhor Jackson. Vamos por a prova as minhas aulas de teatro entediante. Vamos ver se convencemos a pequena plateias. Se formos aplaudidos por eles. Ganharemos o Oscar. Eu disse rindo alto e vendo ele sorrir traquina por detrás da sua taça de suco.

Eu sai de Neverland antes que o mundo desabasse sobre nossas cabeças e percebi que aquele seria o trabalho mais fácil que eu já tinha feito na vida, e nem precisaria dormir com ele para dar ênfase a minha performance se eu não quisesse. O que era uma lastima.

Apesar de eu ter visto suas reações a mesa do jardim e ter uma pequena vontade de o ter em minha cama, só por curiosidade.

continue…. Kisses in your hearts…

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